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A Noite Estrelada

Postado por Thiago Conceição em 31/07/2019

Obra traz os principais traços artísticos de Van Gogh


A Noite Estrelada (1889) é uma pintura de Vincent van Gogh. Ela apresenta a vista da janela de um quarto do asilo psiquiátrico de Saint-Rémy-de-Provence, uma comuna francesa.

 

Depois de uma crise psicológica que resultou na automutilação da sua orelha esquerda, Van Gogh decidiu pela internação no mencionado asilo. Na ocasião, em 1888, o local era voltado para o atendimento de família ricas.


O pintor passou a viver sozinho em um quarto localizado no segundo andar, tendo à sua disposição uma sala no térreo. Ali, Van Gogh conseguiu criar uma espécie de atelier de pintura.

 

No ano de 1889, o artista manteve um bom ritmo de produção, confirmado pelo número de obras finalizadas. Entre as principais, nomes como Lírios, Autorretrato de Setembro e A Noite Estrelada, feita na metade de junho.


Contexto de A Noite Estrelada


Através dos conhecimentos adquiridos dos estudos sobre o céu, feitos no asilo, Van Gogh passa a pintar a paisagem da janela que fica ao leste do seu quarto. Além de A Noite Estrelada, a vista do local foi explorada em 21 outros trabalhos.

A paisagem daquela janela era pintada em diferentes períodos do dia, em várias condições climáticas, a exemplo dos dias ensolarados, chuvosos, nublados, ventosos. Por causa das regras do lugar onde estava internado, Vincent não podia pintar dentro do quarto, apenas no estúdio de pintura.

A Noite Estrelada é a única obra noturna da série de trabalhos que tem como base a vista desse quarto, pois Van Gogh não conseguia pintar durante a noite. Para contornar a situação, ele passou a fazer rascunhos com tinta ou carvão no papel. Com os desenhos em mãos, no atelier improvisado, começou a ter a base para a criação da tela.

Caraterísticas da obra


Van Gogh passou a usar o pictórico, ou seja, aquilo que é próprio da pintura, para representar em linhas diagonais as baixas colinas da paisagem que estava visualizando. Como característica de estilo na tela, ele aproximou o campo de enquadramento, trazendo as árvores para mais perto da composição.

Presente de forma volumosa no quadro, a lua é um elemento de estilização, pois a noite da sua pintura foi de lua minguante, de acordo com as informações históricas. Ainda na observação dos elementos da obra, a vila é o único item pictórico, considerando que o ângulo da janela não permitia a visualização de tal povoado.

Composição da tela


A exemplo dos artistas do Expressionismo que conheceu em Paris, Van Gogh passou a ter como prioridade a criação de séries. As principais são a de Girassóis (1888), feita na comuna francesa de Arles, e o conjunto de pinturas com ciprestes e trigais de Saint-Rémy. A Noite Estrelada foi um trabalho feito nessa última série.

Mesmo desacreditado de questões religiosas, Vincent não deixou de lado a crença em uma dimensão de pós-vida. Na ideia do artista, essa dimensão estava ligada de forma direta com as várias estrelas do céu.
 
Como resultado das suas reflexões, nasce o céu expressionista que toma conta da parte superior de A Noite Estrelada.
 
Outra consequência da análise dos elementos que formam o quadro é a conexão de Van Gogh com o Simbolismo. Nesse caso, a lua crescente funciona para o artista como a representação da “consolação” do ser humano.

Ainda pelo víeis do Simbolismo, a tela passa a apresentar mais que uma simples paisagem observada da janela. Ela começa a trazer elementos celestes, a exemplo de planetas e constelações astronômicas.

Van Gogh tinha gosto por livros que tratavam de assuntos relacionados com a pós-vida, as estrelas, os planetas. Junto com o céu, os principais elementos de A Noite Estrelada são:

•  O uso de espirais;
•  A vila;
•  O cipreste;
•  As estrelas.

As espirais ou redemoinhos no céu, presentes nos traços de Van Gogh, têm diversas interpretações. A primeira, ligada com o gosto pelos astros, é de que são frutos da influência visual de nebulosas espirais, forma como as galáxias eram chamadas. Fotografias de uma galáxia em espiral foram publicadas por grandes mídias da época.

Outra interpretação para as espirais é que foram colocadas para expressar a forma como o pintor notava os ventos que passavam pelas colinas da comuna francesa. Nessa visão do céu, os tons de azul claro são os reflexos das primeiras luzes do amanhecer.

Ao olhar para a vila, existente apenas na tela, é possível julgar que o artista fez um esboço da cidade de Saint-Rémy. No entanto, cabe ressaltar que existem análises que coloca o elemento como uma reprodução das lembranças da terra natal de Vincent.

Os ciprestes, componentes artísticos que geralmente eram associados com a morte da cultura europeia, geram dúvidas nos riscos de Van Gogh. Não existe certeza se o artista usou essas árvores de forma simbólica ou apenas traduziu o cipreste presente na vista do seu quarto.

Essas árvores estavam sempre habitando os pensamentos do pintor, circunstância que fez ele desenvolver estudos para chegar no difícil tom de verde-garrafa do cipreste da tela. Existem pessoas que enxergam apenas uma árvore no quadro, enquanto outras observam duas ou mais. Por causa de contradições como essas, as ondulações do vegetal fascinavam o autor da obra.

Obras noturnas de Van Gogh


Van Gogh desenvolveu alguns trabalhos explorando o período da noite, mas em uma série diferente da qual A Noite Estrelada faz parte. Em cartas enviadas para amigos e familiares, o artista declarava a intensão de aprofundar os estudos de cenas noturnas.

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Noite Estrelada Sobre o Ródano (1888), obra da série noturna de Van Gogh. (Foto: Wikipédia)


Colocada a contextualização, a primeira obra da série de trabalhos noturnos foi o Terraço do Café à Noite (1888). Ela foi pintada durante o tempo do artista na cidade de Arles, no sul da França. A obra retrata o atual Le Café Van Gogh, localizado na Place du Forum. O quadro está exposto no Museu Kröller-Müller, em Otterlo, na Holanda.

Logo após essa primeira obra, o pintor fez a Noite Estrelada Sobre o Ródano (1888). O quadro foi pintado nove meses antes da sua internação no asilo de Saint-Rémy-de-Provence. A obra representa a paisagem noturna da beira do Ródano, um importante rio europeu. O quatro está exposto no mesmo museu do Terraço do Café à Noite.

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