Obra retrata a última refeição de Cristo com os apóstolos
A Última Ceia de Leonardo Da Vinci é uma pintura que retrata as passagens bíblicas que contam sobre a traição de Jesus Cristo por um dos seus discípulos. A obra foi feita na parede de uma igreja em Milão, na Itália.
Com 460 por 880 cm, A Última Ceia de Leonardo Da Vinci começou a ser pintada pelo artista em 1495. Existem divergências sobre o tempo que ela levou para ficar pronta, mas acredita-se que tenha sido entre um e três anos.
A Última Ceia de Leonardo Da Vinci faz parte do Renascimento, mais precisamente inaugura a Alta Renascença (ou Alto Renascimento), que foi o ponto alto do estilo. A obra já passou por algumas reformas e perdeu muito da sua originalidade, mas ainda se encontra de pé e disponível para visitação.
"A Última Ceia", de Leonardo Da Vinci, obra de 1495. (Foto: Wikipédia)
A Última Ceia de Leonardo Da Vinci
Encomendada por Ludovico Sforza, também chamado de Ludovico Il Moro, A Última Ceia de Leonardo da Vinci foi pintada na Igreja de Santa Maria delle Grazie, que também é um convento. A igreja fica em Milão, na Itália.
A obra foi feita nesse local, pois ali o nobre, duque de Milão na época, construiria um mausoléu para a sua família. Leonardo Da Vinci foi protegido e realizou muitos trabalhos para Ludovico Sforza por muito tempo.
A Última Ceia de Leonardo da Vinci remonta uma das mais famosas histórias bíblicas que, inclusive, aparece em cinco passagens durante o livro. Segundo ela, nesse encontro Jesus Cristo conta aos seus discípulos que um entre os doze seria o responsável por traí-lo naquela noite.
Ainda segundo a bíblia, a traição feita por Judas Iscariotes, resultou na prisão e crucificação de Jesus Cristo. A Última Ceia de Leonardo da Vinci retrata as expressões faciais e corporais dos discípulos, diante da revelação feita por Cristo.
A passagem bíblica resultou em diversas obras de arte. Nas pinturas, Judas era sempre posto afastado ou de costas para os outros apóstolos. A Última Ceia de Leonardo da Vinci foi a primeira obra a colocar o discípulo junto a todos os outros.
Disposição na obra
No centro da obra encontra-se Jesus Cristo. Com expressões serenas e braços abertos, a figura de Cristo é levemente maior do que a dos demais personagens da obra.
Da direita para a esquerda, visto de frente para a pintura, estão: Bartolomeu, Tiago Menor, André, Judas Iscariotes, Pedro, João, Tomé, Tiago Maior, Filipe, Mateus, Judas Tadeu e Simão Cananeu.
Muitos estudiosos dizem que A última Ceia de Leonardo da Vinci guarda muitos segredos. Alguns acreditam que a figura de João, posicionado exatamente a direita de Jesus Cristo, seria na verdade Maria Madalena.
Apesar disso, em outras pinturas em que Da Vinci retrata João, é possível notar a semelhança com a figura na obra da última ceia. Na pintura "São João Batista", pintada em 1513, fica claro a técnica utilizada pelo artista de pintar figuras sem gênero claro.
Técnica de pintura
A Última Ceia de Leonardo da Vinci inovou nas técnicas de pintura, mas o resultado não foi o esperado pelo artista. O comum, naquela época, para esse tipo de pintura, era utilizar a técnica do afresco.
Nessa técnica os artistas pintavam as suas obras nas paredes ou tetos ainda úmidos, o que ajudava na absorção da tinta pela estrutura. Assim, a obra se tornava parte daquela construção. Porém, isso dificultava em casos de correções na obra.
Leonardo Da Vinci, então, resolveu fazer a sua pintura na parede seca, o que resultou em uma obra que, muito rapidamente, apresentou problemas e rachaduras. Além disso, a parede na qual a obra foi desenhada fica próxima à cozinha da igreja, o que faz com que ela se desgaste mais rápido.
Outra técnica utilizada por Da Vinci foi o posicionamento de Jesus Cristo exatamente na direção da porta do local onde ele está. Dessa forma, a luz que vem da área externa do ambiente representa a auréola de Cristo, uma vez que o pintor não desenhou nenhuma das figuras com o objeto nas cabeças.
Reformas e restaurações
A Última Ceia de Leonardo Da Vinci tem mais de 500 anos de história, e desde que foi pintada, já passou vários tipos de reformas e tentativas de recuperação. A última delas durou vinte anos.
No século 19, durante o domínio de Napoleão em Milão, o local foi usado como estábulo, expondo a obra a efeitos da natureza desde então. Anos mais tarde, durante a segunda guerra mundial, a igreja foi parcialmente demolida em virtude de um bombardeio.
As demais paredes e teto do refeitório não resistiram e apenas a parede onde A Última Ceia de Leonardo Da Vinci estava pintada permaneceu de pé. Para manter a parede de pé, foram utilizados sacos de areia para dar suporte.
Com isso, a obra passou anos exposta a céu aberto, coberta apenas por um telão. Além disso, outra das maiores perdas da pintura aconteceu no século XVII, quando uma porta foi aberta exatamente na parede onde ela estava. Com isso, parte dos pés de Cristo foram removidos.
A última das reformas feitas na pintura identificou sete camadas de materiais diversos, incluindo cola, usados na tentativa de recuperar a obra. Muitas dessas tentativas causaram mais danos do que reparos.
Foi ainda em uma das últimas reformas que foi encontrado um prego na parede, exatamente onde está pintado o olho direito de Cristo. A peça foi usada por Da Vinci para marcar o meio exato da pintura, o local por onde todas as linhas passavam.
A Última Ceia de Leonardo Da Vinci é feita simetricamente. Além disso, os apóstolos estão divididos em grupos de três e ligados por suas expressões corporais, ficando apenas Jesus Cristo no meio da imagem.
Leonardo Da Vinci
Leonardo di Ser Piero da Vinci nasceu no dia 15 de abril de 1452 em Anchiano, em Florença, na Itália. Detentor de conhecimentos de várias áreas, teve destaque na pintura, escultura, matemática e ciências. Além disso, Da Vinci também foi anatomista, inventor, poeta, músico e engenheiro.
Da Vinci foi um dos nomes mais importantes do Renascimento e fez parte do Alto Renascimento, período de ápice do estilo. Foi filho ilegítimo de tabelião chamado Piero da Vinci com Caterina, uma camponesa.

Leonardo Da Vinci, autor de A última Ceia, Mona Lisa, e outras obras. (Wikimédia)
Leonardo Da Vinci foi influenciado por dois dos grandes artistas do renascimento: Lourenço de Médici e Andrea del Verrocchio. Foi no ateliê desse último que Da Vinci deu seus primeiros passos nas artes.
Leonardo teria colaborado na obra "O Batismo de Cristo", de Verrocchio, pintando o anjo que segura a túnica de Jesus. Além disso, acredita-se que Da Vinci tenha servido de modelo para duas outras obras do artista.
Após escândalos, Da Vinci passou um período recluso, do qual não há muitos registros sobre a sua arte. Anos depois, porém, o artista voltou a receber encomendas de pinturas. Nessa época, também criava instrumentos musicais.
Tendo de ir trabalhar em Milão, recebeu duas importantes encomendas: Virgem das Rochas e A última Ceia. Essa última encomendada por Ludovico Sforza para a Igreja de Santa Maria delle Grazie. Na ocasião, o artista passou a trabalhar para Ludovico e, além de pinturas, projetou desfiles, carros alegóricos e até a cúpula para a Catedral de Milão.
Outros feitos importantes do artista são o monumento equestre para Francesco Sforza, métodos de defesa para Veneza, a pintura Dama com Arminho, o desenho Homem Vitruviano e Mona Lisa, uma das suas mais célebres obras, pintada em 1503.
