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Arquitetura renascentista

Postado por Camila Mendonça em 17/07/2019

Estilo arquitetônico que causou o rompimento da arte gótica 


A arquitetura renascentista desenvolveu-se na Itália no mesmo período do Renascimento, entre os séculos XIV e XVI. Inspirado nos elementos das Artes Clássicas, esse estilo promoveu mais liberdade aos artistas, que puderam desenvolver um estilo próprio de arte, mas sem a obrigatoriedade de copiar todos os aspectos da arte anterior (arte gótica e arte medieval). 

Dos estilos presentes na arquitetura clássica, a arquitetura renascentista baseou-se, sobretudo, na arte greco-romana. Porém, o novo estilo enxergava os elementos das antigas construções sob uma nova perspectiva, construindo uma interpretação completamente diferente do passado.

Deste modo, a arquitetura renascentista foi vista como um rompimento na história da arte arquitetônica em diversos aspectos, sobretudo, nos recursos usados por esse meio na área da criação, expansão e corpo teórico.

Principais características da arquitetura renascentista


Diferente das artes clássicas, a arte renascentista esteve associada às descobertas que ocorreram no campo da física, matemática, engenharia e filosofia. Isso aconteceu porque os artistas do Renascimento dedicaram mais tempo às pesquisas, inovações, invenções e aperfeiçoamentos técnicos. 

Por conta disso, alguns aspectos passaram a ser mais valorizados, como o uso da matemática na geometria, a busca pela perfeição das formas geométricas, o predomínio de linhas horizontais, o uso de temas religiosos, mitológicos e da natureza nas esculturas, além das introduções arquitetônicas (arcos, abóbodas, cúpulas e colunas).

É importante ressaltar que a arquitetura renascentista sustentou suas ideias nos princípios do Classicismo, movimento literário que também se inspirou no movimento renascentista, e no Humanismo, corrente filosófica e intelectual que valorizava as características humanas, colocando o homem como centro do universo (antropocentrismo).

Em suas construções, por exemplo, a arquitetura renascentista faz uso de três ordens oriundas da arte clássica: a ordem dórica, caracterizada pela simplicidade e ausência de base; a ordem jônica, caracterizada por ser mais alta e com linhas esculpidas em sua superfície; e a ordem coríntia, mais elaborada, apresentava a forma básica de um sino invertido. Todas oriundas do Classicismo grego. 

No entanto, a ordem da aplicação dessas ordens não é algo aleatório, uma vez que elas representam as seguintes proporções humanas: a base corresponde ao pé, a coluna é o corpo, e o capitel representa a cabeça.

Arquitetos renascentistas

Diversos artistas contribuíram para a expansão da arquitetura renascentista na Europa. O mais promissor, considerado percussor do movimento, foi Filipo Brunelleschi (1377–1446). Antes de desenvolver as suas técnicas, o artista dedicou a maior parte do seu tempo para os estudos da arquitetura.

Ele costumava anotar todas as relações métricas da arquitetura antiga, sempre medindo os monumentos de forma rigorosa. Usando da criatividade, Brunelleschi conseguiu mesclar os elementos da arquitetura clássica em muitas das suas obras renascentistas. 

Atendendo às criações do novo estilo arquitetônico, Brunelleschi desenvolveu um tipo de abóbada (construção no formato de arco), onde a superfície curva era formada pela parte superior de outra cúpula no formato de raio. 

Seu primeiro projeto renascentista foi a construção da cúpula da Catedral de Florença (Santa Maria del Fiore), a qual ele inventou um sistema de andaimes e um método de construção com tijolos.


A Cúpula da Catedral de Florença foi um dos projetos mais importantes de Brunelleschi. (Foto: Pixabay) 

O artista explorou em suas obras a ilusão de profundidade, a tridimensionalidade, a perspectiva cônica e o conceito de ponto de fuga. Assim, as obras mais relevantes do arquiteto são: a Basílica de São Lourenço; o Pórtico do Hospital dos Inocentes; o Palácio Pitti e a Capela Pazzi

Embora Brunelleschi tenha se dedicado mais a arquitetura, ele ainda era pintor e escultor. Além disso, o artista foi mestre de Donatello, um dos mais importantes artistas do Renascimento italiano. Os dois viajaram para Roma com o objetivo de aprimorem o estudo sobre o estilo escultórico e arquitetônico romano, a exemplo do método da perspectiva linear.

Outro exemplo de artista renascentista foi Donato Bramante (1444-1514). Assim como Brunelleschi, ele participou de importantes projetos. Um deles foi a Basílica de São Pedro, na cidade de Roma, projeto onde um grupo de artistas renascentistas tiveram a oportunidade de participar. 

Para realizar as construções, os arquitetos renascentistas baseavam-se no uso do quadrado, pois achavam que a figura geométrica encaixava-se perfeitamente nas proporções, além de que, do lado de fora, a obra ficava com um aspecto mais rústico. Eles usavam essa técnica tanto em igrejas como em obras não religiosas. 

Bramante desenvolveu também um novo estilo de abóbada, aplicada sobre a igreja de Santa Maria delle Grazie, em Milão. Além dela, outras obras arquitetônicas foram projetadas pelo artistas, como a igreja Santa Maria presso San Satiro, em Milão; Palazzo Caprini (demolido); San Pietro in Montorio; Santa Maria della Pace; Basílica de São Pedro e Cortile del Belvedere, sendo essas últimas obras todas erguidas em Roma.

Assim como Brunelleschi e Bramante, outros artistas marcaram o início do Renascimento europeu. Envolvidos pelo espírito do Humanismo e do Racionalismo, os arquitetos renascentistas criaram novas técnicas e temas, rompendo um pouco com a arte medieval.
Dessa forma, os principais artistas foram:

Leon Battista Alberti (1404-1472): arquiteto e escultor italiano, Leon Battista participou da construção da nova fachada da Igreja de Santa Maria Novella, em Florença e da reforma feita na Basílica de Santo Estêvão Redondo, em Roma.
Andrea Palladio (1508-1580): importante arquiteta italiana, Andrea tinha um estilo bem próprio. Suas obras são marcadas presença de pórticos de entrada e janelas paladianas, pelo uso de frontões de templo grego, além de outros elementos da arquitetura vigente na Roma Antiga. A artista construiu o edifício da Villa Capra (La Rotonda), na região de Veneto, em Vicenza, Villa Foscari e Vila Bárbaro, em Treviso.
Michelangelo di Lodovico (1475-1564): também chamado Miguel Ângelo, além de arquiteto, o artista era pintor, escultor e um grande poeta. Na arquitetura renascentista, foi considerado o arquiteto principal da Basílica de São Pedro, em Roma. Ele também construiu a Biblioteca Laurenciana e a fachada para a Basílica de São Lourenço, ambas na cidade de Florença. 
Giulio Romano (1499-1546): o arquiteto renascentista era também pintor e um importante representante do Maneirismo, um outro exemplo de movimento artístico que surgiu na Europa, voltado para os valores clássicos e naturalistas. De todas as suas construções, a mais importante foi o Palazzo del Té, na Itália, obra que, inclusive, ele participou de todas as etapas: do projeto a decoração. E depois da sua morte, suas principais obras foram colocadas nesse palácio.

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