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Arte cinética

Postado por Victor Luiz em 05/08/2019

Corrente artística surgiu em Paris na década de 1950


A Arte Cinética, também conhecida como Cinetismo, é uma corrente ou escola artística do século XX que tem a característica principal a utilização de recursos visuais e técnicas destinadas a dar movimento à obra, ou, pelo menos, passar a impressão de movimento.


A exposição Le mouvement (O movimento), que aconteceu em Paris, na França, em 1955, na galeria Denise René, pode ser considerado como o começo da arte cinética.


O movimento da arte cinética


A partir da exposição Le mouvement (O movimento), surgiu nos países da Europa vários grupos de artistas que começaram a seguir esta corrente artística, a exemplo do Grupo Zero (1958) na Alemanha, do Equipo 57 (1957) e do Groupe de Recherche D'Art Visuel (1960), ambos na França.

No Brasil, a arte cinética chegou na década de 60 e teve forte representação em diversos artistas, como: Luiz Sacilotto (1924-2003), Ivan Serpa (1923-1973), Lothar Charoux (1912-1987), Lygia Clark (1920-1988), Mary Vieira (1927-2001), Abraham Palatnik (1928), Almir Mavignier (1925).

Para que estes artistas conseguissem passar a ideia de formas e efeitos visuais capazes de criar ideia de movimento ou ilusões ópticas, utilizava-se técnicas da matemática e da física, como a repetição das formas simples e coloridas, junto com um jogo de luz e sombra.

Na física, a palavra cinética significa o estudo do movimento dos corpos e da ação das forças utilizadas para que essa mudança de movimento ocorra, formando a energia cinéticaAlém disso, também é muito utilizada na cinética química, na biologia e na filosofia. Sendo assim, na arte a cinética chegou a ser considerada uma utopia: levar vida à arte e levar arte para a vida.

No século XX também ocorreram diversas mudanças e adaptações da sociedade, como a inclusão da eletricidade, do cinema, da física quântica, da relatividade, da arte digital e de diversos fatores: formas, luzes, aromas e sons.

O abstracionismo, ou arte abstrata, também foi bastante utilizada pelos artistas da arte cinética. Eles tinham objetivo de uma dinâmica de ilusão de ótica no espectador da obra, que está presenciando a obra de arte por meio de efeitos que se cria a chamada ‘obra móvel’.


Arte cinética expressa ideia de movimento e interação com o público (Foto: Wikipedia)


Características


A arte cinética foi marcada por diversas características específicas adotadas pelos artistas. Algumas delas são:

• Diversos recursos da época são utilizados, como o eletromagnetismo, água, vento, motores, ilusões de ótica, efeitos especiais, e outros;
• Obras de arte tridimensionais (três dimensões);
• Para criar a ideia de movimento, o artista plástico pode planejar a construção da obra de arte cinética de forma estruturada. Elementos da engenharia são bastante utilizados;
• Durante o processo de criação da obra, o artista considera a interação que o espectador terá com a obra;
• Criar uma quebra na ideia de obra de arte parada, utilizando de recursos que dão ideia de movimento;
• Vários materiais são utilizados para a criação das obras de arte cinética, como madeira, metais, vidros, fios, arames, plásticos, etc.

Alguns artistas


Vários artistas fizeram parte e ficaram conhecidos através da arte cinética, principalmente entre as décadas de 1950 e 1960. Pode-se citar alguns que tiveram reconhecimento, como:

Youri Messen-Jaschin

Nascido na Suíça em 1941, Youri Messen-Jaschin é um artista de origem letã e estudou em importantes escolas de arte do mundo, como a Escola Prática dos Estudos Superiores da Sorbonne e a Escola Nacional Superior de Belas Artes, nas áreas de filosofia e ciências.

Ao se encontrar com os artistas Jesús-Rafael Soto, Carlos Cruz-Diez e Julio Le Parc, durante uma exposição no Modern Art Museum de Göteborg, em 1967, descobriu um fascínio pela arte óptica, também conhecida como Op art, e decidiu dedicar os seus estudos na arte cinética.

Suas esculturas possuem apelo para a impressão de movimento e sempre são expostas ao ar livre. Em alguns casos também possuem sons.

Em 1970 Youri Messen-Jaschin coloca o néon em sua arte, que continua a utilizar, ainda atualmente, em suas obras, indo desde as esculturas até as instalações e as pinturas a óleo.

Youri Messen-Jaschin utiliza, na maioria das vezes, a técnica da colagem em suas obras com óleos e guaches. As suas cores preferidas são: os verdes fortes, o amarelo, o vermelho, as tonalidades luminosas e as combinações de azul.

Costuma expor seus trabalhos em exposições em clubes ou em locais com pouca luz, com iluminação de lâmpadas UV.

Gyula Kosice 

Gyula Kosice nasceu em 26 de abril de 1924, na Eslováquia, e morreu no dia 25 de maio de 2016, na Argentina. Kosice foi um escultor, poeta, artista plástico e teórico. Também é considerado um dos artistas pioneiros da arte cinética.

Sua obra Röyi (1944) é a primeira escultura articulável que precisa da participação do espectador. Ele utilizou o gás néon e água como elementos de suas obras artísticas de forma pioneira. Movimentos e luzes também são elementos que fazem parte de suas obras.

Kosice transformou seu estúdio e sua loja em um museu em 2005.

Theo Jansen 

Nascido no dia 17 de março de 1948, na Holanda, Theo Jansen teve sua obra reconhecida por conta dos trabalhos de grandes dimensões que se assemelhavam com esqueletos de animais e que têm a capacidade de andar, graças a energia eólica.

Alguns estudiosos acreditam que as obras de Theo Jansen seja uma mistura de arte e engenharia. Theo Jansen dedicou sua vida a criar vida artificial por meio de algoritmos genéticos, que aparentam uma evolução da humanidade atual.

Roy Lichtenstein

Com nome de batismo de Roy Fox Lichtenstein, o artista nasceu no dia 27 de outubro de 1923 e morreu no dia 29 de setembro de 1997, ambos na cidade de Nova York. Em sua arte, Roy Lichtenstein se identificava com a Pop Art e com a Arte Cinética. 

Sua maior inspiração para as obras foram os clichês dos quadrinhos, colocando-os sempre em movimento. Assim ele também tentou criticar a cultura de massa e a indústria cultural em cima do mercado de quadrinhos.

Algumas pessoas acreditam que a sua primeira inspiração artística para a arte cinética veio de um quadro do personagem da Walt Disney, Mickey Mouse, que fez em 1963 para os seus filhos.

Cores, planas, brilhantes, limitadas e contornadas por um traço negro, foram elementos que contribuíram para que existisse impacto visual em suas obras e tivesse ideia de movimento nas obras.

Reproduziu à mão, e com fidelidade, os procedimentos gráficos de uma revista em quadrinhos nos seus quadros a óleo e tinta acrílica.

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