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Arte etrusca

Postado por Thiago Conceição em 07/08/2019

Estilo artístico atravessou diferentes períodos históricos


A arte etrusca designa a forma de arte feita pela antiga civilização da Etrúria, localizada na Itália Central. As principais peças artísticas desse povo são datadas entre os séculos VIII e II a.C.

Nesse período, os etruscos ficaram estabelecidos na região da Toscana, formando várias cidades-estados.

Origens da arte etrusca


A formação dos etruscos teve origem no processo de expulsão dos povos que habitavam a Ásia Menor, no decorrer de dois momentos da Idade dos Metais, a Idade do Bronze (3.300 - 700 a.C) e a Idade do Ferro (1.200 a.C - 1.000).

Através da proximidade com outros povos, motivada especialmente por relações comerciais, os etruscos passaram a desenvolver um estilo de arte com traços culturais de locais como a Grécia, a Fenícia, a Assíria, o Egito Antigo e o Oriente Médio.

As peças de arte etrusca eram feitas com materiais como o barro, bronze e metal. Entre as produções dos artesãos estavam estátuas, vasos, espelhos, itens de joalheria.

Estilo artístico


Do conjunto de obras desenvolvidas no período de auge da arte etrusca, a arte funerária ganhou destaque e volume de confecção. Os etruscos criaram diferentes modelos de sepulcros subterrâneos, cujo os mais relevantes foram os túmulos de príncipes escavados em montes (século VIII a.C).

De um modo geral, os túmulos tinham um generoso espólio de oferendas para os deuses e os mortos. Por acreditar na vida pós-morte, as oferendas tinham objetos de uso cotidiano, a exemplo de vasos, móveis, armamentos, adereços corporais, joalheria.

Os etruscos eram metalúrgicos habilidosos. A partir do ferro e bronze, produziram refinadas peças decorativas, vasos rituais, ferramentas, acessórios de cavalaria, elmos e armas com muitos desenhos e itens ornamentais.

Motivados pelo contato com itens de luxo orientais, importados pela elite emergente, os produtores da arte etrusca dominaram também a manufatura em cerâmica, vidro, marfim, prata, cobre, âmbar e pedras preciosas. Os artistas ainda desenvolveram técnicas de escultura em pedra, metal e terracota, material proveniente da argila cozida no forno.
 
Na pintura, os afrescos, artes plásticas feitas nas paredes dos túmulos, eram realizadas para trazer sorte para os mortos.
 
Apesar da variedade de trabalhos da arte etrusca, as esculturas de grandes proporções eram raras, pois existia a preferência pelo estilo escultórico em terracota, técnica que dificulta a produção de peças em grandes tamanhos.

As esculturas mais notáveis estavam nos templos. Entre os exemplos de estátuas feitas em bronze, vale destacar:

• Arringatore (século I a.C);
• Ares de Todi (sem data definida);
• Quimera de Arezzo (século 400 a.C).

As pequenas estátuas de bronze, outra característica da arte etrusca, eram feitas com acabamentos rústicos. Elas eram encontradas por toda a Etrúria.


O Arringatore (século I a.C). (Foto: Wikipédia)  


Influências na arte etrusca


A arte etrusca, a exemplo das formas de arte do Mediterrâneo, foi influenciada por aspectos culturais da Grécia Antiga, captando ainda elementos da civilização egípcia e dos povos fenícios, assírios e cartaginenses.

No entanto, os etruscos souberam selecionar de forma consciente uma diversidade de fontes artísticas para criar uma linguagem original. Como resultado, o acervo desse povo foi formado com inovações em técnicas, imagens, padrões e símbolos.
 
O fato mostra como essa organização social foi dinâmica e cosmopolita. Cabe destacar que as transformações artísticas dos etruscos passam por etapas como:

• O período Villanova ou Geométrico (séculos IX-VIII a.C);
• O período Orientalizante (século VII a.C);
• O período Arcaico (século VI-meados dos século V a.C);
• O período Clássico (meados do século V-século IV a.C);
• O período Helenístico (séculos III-I a.C).

Os períodos da arte


O período Villanova (séculos IX-VIII a.C) marcou o começo da civilização etrusca. Foi o momento de expansão e aprimoramento da metalurgia. No âmbito da arte, as peças tinham projetos geométricos simples, herdados da cultura anterior do local, formada em maior parte pela arte grega.
 
Nesse contexto, a arte etrusca estava presente em vasos com pequenas cenas figurativas de homens e animais em suas coberturas. É importante pontuar que essas foram as primeiras representações humanas na arte italiana.

Ao final do século VIII a.C, a quantidade de peças orientais encontradas nos túmulos era tão elevada que fez o período ganhar o nome de Orientalizante. A presença de objetos orientais na região reforçava a boa expansão comercial dos etruscas.

Entre as outras características desse momento da arte etrusca é possível mencionar:

• O maior número de relíquias de escultura se encontraram em tumbas subterrâneas;
• Tirando aqueles que são comprovadamente de origem asiática, os artefatos etruscos eram pouco distinguíveis dos gregos;
• Predomínio da decoração com temas asiáticos, a exemplo da folha de palmeira, a flor de lótus e o leão;
• Desenvolvimento da arte da joalheria, através de peças ricamente ornamentadas e pensadas como esculturas em miniatura.

Já no período Arcaico (século VI- século V a.C), a importação do estilo antigo da Grécia foi natural, pois já existia um forte laço comercial e cultural entre os povos. Entretanto, na observação do processo produtivo das esculturas, o principal material usado pelos etruscas era a terracota, enquanto na Grécia era aplicado o mármore. A estátua de culto Apulu de Veii, datada de VI a.C, é o principal exemplo de arte original etrusca, na comparação com as peças gregas.
 
Nela, é observável o uso de padrões de túnicas que se aproximam das vestes femininas, ao tempo que as obras da Grécia prezavam aspectos visuais masculinos.

O estilo arcaico seguiu presente na Etrúria, mesmo com a chegada do período Clássico (século V-século IV a.C). O fato fez existir um número limitado de peças com as configurações artísticas desse momento.

Entre as modificações perceptíveis nos trabalhos do período, estão:

• No caso dos sarcófagos, existiu uma preocupação maior em descrever com mais aproximação a fisionomia dos mortos;
• As figuras assumiram posições mais diversificadas, algumas mostravam até pessoas dormindo;
• Proliferaram as estatuetas votivas dos deuses, feitas em forma de cabeça.

A última fase é a Helenística (séculos III-I a.C). Nesse momento, o império etrusco estava em declínio, pois os romanos conquistaram as suas cidades. Como consequência, a arte romana e a etrusca passaram a caminhar juntas.

Os sarcófagos ainda tinham peças bem decoradas, mas os elementos dos mortos se tornaram genéricos, influência da busca pela conciliação de crenças distintas, principalmente com relação ao pós-vida.

Um exemplo importante dessa fase é o Arringatore (século I a.C), todo trabalhada em bronze. A tradição de escultura etrusca chegou ao fim com a pobreza dos artefatos do século I a.C e a desvalorização artística dos seus aspectos ornamentais.

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