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Arte Gótica

Postado por Ruan Fernandes em 31/05/2019

Movimento artístico surgido na arquitetura de igrejas


Arte gótica é o nome dado a um movimento artístico surgido na França, ainda na Idade Média, em meio ao século XII. O estilo deu seus primeiros passos na construção de catedrais, mas não ficou restrito apenas a essa área.

Essa vertente artística pode ser vista em pinturas, em objetos da arte sacra, em estatuas e vitrais. Esta última é uma das principais características do movimento, que visava dar mais luz para as igrejas.

Outra característica presente na arquitetura gótica é o uso do arco ogival na construção das catedrais e basílicas. Por tais motivos, o estilo gótico ficou conhecido, inclusive, como "Arte das Catedrais". É nessa época que surgem as estatuas de gárgulas, que, além da função decorativa, serviam para escoar água dos telhados. 

A primeira construção considerada como arte gótica foi a Basílica de Saint Denis, na Ile-de-France (Ilha de França). O Abade Surger, incomodado com a superlotação do local, resolveu abrir mais espaço, tirar as grossas paredes e permitir mais iluminação. 

A ideia ainda era ter mais entradas, além de dar mais altura. A reforma da basílica teve início em 1137, sendo finalizada em 1144. Logo o estilo se espalhou na França e, em seguida, pelos países da Europa

Os escultores começaram a seguir novos estilos, assim como os pintores. Essas novas artes que, apesar de remeterem a inovações e mudanças na sociedade, ainda estavam ligadas a religiosidade. 

A arte gótica então era incorporada as igrejas e surge novas imagens de Jesus Cristo, da Virgem Maria e de outros santos. As representações passam a ser mais próximas da humanidade, mostrando misericórdia, diferente das obras que mostravam a crucificação ou o castigo divino.

Origem do termo


No início, a arte gótica não era conhecida por esse nome. A estética, surgida na França, foi chamada de "art français", "francigenum opus" ou "opus modernum", significando arte francesa, trabalho francês e trabalho moderno, respectivamente.

O termo surge através do pintor italiano Giorgio Vasari, que considera a arte feita durante o período ruim e negativa. Assim, ele se refere a ela de forma pejorativa, ligando- a aos povos bárbaros e vândalos, principalmente os godos, povo germânico que invadiu e levou destruição a Roma Antiga em 410. 

É a partir então do Renascimento, quando os objetivos dos movimentos entram em conflito, que o estilo passa a ser conhecido como gótico. Entretanto, não apresenta nenhuma relação com os godos, nem trouxe desse povo qualquer tipo de inspiração. Na época em que floresceu a arte gótica foi extremamente admirada e, mesmo após seu declínio, voltou a ser utilizada. Esse novo ciclo foi batizado de neogótico.

Arte gótica 


A arte gótica trouxe várias inovações para as formas artísticas da época. Na arquitetura, as grandes catedrais foram as principais portas de entrada para o novo estilo. Esse avanço também possibilitou inovações em outras áreas.

Esculturas da arte gótica

As esculturas feitas durante o período gótico surgiram associadas a arquitetura. Com as reformas das igrejas, a arte românica começa a ser substituída por novos modelos de estatuário, porém mantendo as referências religiosas.

Diferente do que era feito anteriormente, as esculturas passam a ser independentes, não ficam mais fechadas ou apenas encostadas nas paredes, e ganham novas formas e  cores. 

Com o advento do movimento gótico, a devoção dos fiéis aumenta e as esculturas assumem formatos portáteis. Assim, é possível que os seguidores tenham suas próprias imagens de Jesus Cristo, da Virgem Maria e de outros santos cultuados na época. 

Os materiais utilizados ainda eram os mesmos. As esculturas da arte gótica são, em sua maioria, feitas de madeira ou em pedra. O bronze, apesar de já utilizado em esculturas, não foi forte no gótico, pois era caro, pesado e difícil de se trabalhar.

Surgem nessa época as gárgulas, que ficavam nas fachadas das igrejas. As esculturas tinham como principal função o escoamento da água, mas foi muito utilizado na decoração. O uso das gárgulas nas igrejas é incerto, mas acredita-se que, em algumas culturas, serviu para afastar espíritos ruins. 

A ideia então era mostrar que aquele local era livre desses espíritos. Além disso, esses seres não eram censurados pela igreja, então os escultores criavam várias imagens diferentes, dependendo apenas da imaginação e criatividade. 


As gárgulas são características da arte gótica. (Foto: Wikipédia)

Pinturas da arte gótica

As pinturas com influência da arte gótica surgiram mais tarde, cerca de 50 anos depois do nascimento oficial do estilo. Entretanto, foi muito utilizado nas igrejas, principalmente como recurso de doutrinação.

Muitos dos fiéis da época eram analfabetos, então a igreja buscava outras formas de transmitir as mensagens de Deus através das imagens de santos, cenas da vida de Jesus, entre outras figuras religiosas. 

 As pinturas ganham novas características, passam a ser mais naturais e são incluídas retratos mais profanas, como corpos humanos, e imagens de Jesus e Maria mais naturais, mais próximas da humanidade.

Nesse momento surgem as novas possibilidades para as pinturas, que passam a acontecer em locais diferentes das telas. Os afrescos das igrejas, ou seja, os tetos e as paredes começam a receber pinturas. São incluídas ainda imagens em manuscritos, chamadas de iluminura. As pinturas são incluídas ainda nos vitrais, uma das principais formas de arte gótica.

Vitrais

O vitral é uma das principais formas de arte gótica. O uso do material não surgiu no período, mas encaixou-se perfeitamente a ideia de iluminação das as igrejas, além de dar os diferentes tons de cores ao ambiente.

Os vitrais eram produzidos em pequenas partes e unidos depois por grandes, que eram anexadas nas aberturas das construções. O vidro era pintado com técnicas da época e as imagens era, muitas vezes, representações religiosas. Isso não quer dizer que ficavam restritos a essas manifestações. É possível encontrar brasões e outros símbolos, além de rosáceas, círculos decorativos, cujo formato lembra uma rosa, e casas. 

Um dos principais exemplos é a Sainte-Chapelle, em Paris. A capela, construída no século XVIII, por Luís IX, rei da França, tem uma estrutura quase toda de vitrais. As suas colunas e arcos foram reduzidas para serem utilizadas apenas como apoio.  O local também tem enormes rosáceas.


Os vitrais eram fortes na arte gótica. (Foto: Wikipédia)

Situada na Île de la Cité, mesmo local onde fica a Catedral de Notre-Dame de Paris, um dos maiores modelos de arte gótica no mundo. Essa catedral, além de ter fachadas e outros detalhes dessa vertente artística, possui enormes rosáceas na frente e no fundo.

Neogótico


O estilo neogótico ou revivalismo gótico é um movimento da arquitetura revivalista. Ele teve início no século XVIII, na Inglaterra, e tinha como objetivo resgatar as características da arte gótica, fazendo contraste com os movimentos clássicos. 

Antes mesmo do surgimento do movimento neogótico, algumas obras ainda foram realizadas seguindo as características do período gótico. Foi durante o Romantismo que a arte gótica volta a ser valorizada. 

O neogótico se espalhou por diversos países, desde os que viveram o período gótico, até os recém descobertos, como os do continente americano. Um dos principais pontos turísticos de Londres, o relógio Big Ben, foi construído sob influência desse estilo.

Arte Neogótica no Brasil

A arte neogótica chegou ao Brasil por volta de 1880, ainda no reinado de D. Pedro II, e influenciou a construção de diversas igrejas. Uma das mais famosas é a Catedral da Sé, em São Paulo. Conhecida também como Catedral Metropolitana de São Paulo, a igreja foi construída em 1913, sendo concluída em 1967.


A Catedral da Sé, em São Paulo, exemplo de arte neogótica. (Foto: Flickr)

Diversas igrejas foram levantadas com as características da arte gótica. A primeira foi a Igreja de Nossa Senhora do Amparo, em Teresina, Piauí, construída em 1852. Em seguida vieram a Matriz de Nossa Senhora da Purificação, em Bom Princípio, no Rio Grande do Sul, construída em 1852, e a Igreja do Santuário do Caraça ou Igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens, em Catas Altas, Minas Gerais, construída entre 1876 e 1883. 

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