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Arte maia

Postado por Thiago Conceição em 14/08/2019

Forma de expressão tem base na cultura dos povos pré-colombianos


A arte maia é a forma de expressão social, política e ideológica de um dos povos pré-colombianos mais desenvolvidos, os maias. Eles vivem na América Central, nos lugares em que estão os atuais sítios arqueológicos da região. Com uma população de cerca de 2 milhões de pessoas, os maias estão espalhados por territórios que passam por países como o México, a Guatemala e Honduras.

Assim como acontecia no Egito Antigo, a civilização maia usava a escrita baseada em símbolos e desenhos (hieróglifos) para atividades fundamentais como registrar fatos, datas, contar impostos.

Por causa dessa habilidade técnica evoluída, no sentido da importância cultural, existem historiadores que comparam os maias aos povos da Grécia Antiga. Feita a ponderação, para compreender a configuração da arte maia, convém apresentar os três cruciais períodos de desenvolvimento dos povos:

Pré-maia (aproximadamente 3000 a.C. até 317 d.C.): quando iniciou na América Central um notável crescimento populacional, movido pelo aumento significativo da produção de milho;
Antigo Império (317 a 987): período em que as cidades maias formaram estado centralizado, sendo governado por um monarca quase divino;
Novo Império (987 a 1697): as cidades reconquistaram a independência e voltaram a formar as cidades-Estado, sem perder a cultura comum do povo maia.
 
A base da sociedade maia era constituída por trabalhadores urbanos, a exemplo dos artesãos e os camponeses. Através das pinturas e representações esculturais, a arte maia registrava as classes sociais por meio das roupas e tarefas executadas pelas figuras humanas das cenas.
 
Nas construções, ao longo de mais de 2 mil anos, os maias utilizaram variados materiais e técnicas. Como resultado, a edificação da civilização conseguiu um grande desenvolvimento arquitetônico e alcançou grau de sofisticação não encontrado entre os outros povos da América.

Arquitetura como forma de arte


Na arquitetura maia, o principal aspecto artístico era o caráter cerimonial, fato que proporcionou o surgimento de estruturas monumentais. As construções eram feitas em grandes plataformas de pedra. Ali, as edificações eram erguidas com paredes de terra batida. Depois disso, eram revestidas por pedra talhada ou argamassa. Vale destacar que os tetos tinham forma de falsa abóbada, estrutura semelhante a um teto curvilíneo.
 
Nos exteriores de palácios e pirâmides, esculturas faziam parte da decoração. As obras têm suas raízes na cultura olmeca (1.200-400 a.C), além de traços da arte egípcia.

Já no caso das casas comuns, os materiais mais aplicados eram as estruturas de madeira, além das paredes e coberturas de palha. Antes de seguir, cabe colocar que foram descobertas algumas casas simples feitas de pedra calcária, mesmo de forma parcial. Essas estruturas são consideradas exceções da regra.

Do ponto de vista político, atrelada com a arquitetura, os murais e as esculturas relatavam a grandeza das dinastias que controlavam determinada cidade-Estado. Ou seja, eram importantes ferramentas de legitimação do poder político.

Para entender esse aspecto, basta memorizar que os trabalhos desenvolvidos pelos artistas tinham como objetivo principal a representação de acontecimentos históricos, cerimoniais e religiosos.

Esculturas da arte maia


A escultura maia era subordinada à arquitetura como elemento decorativo. Atualmente, as peças formam uma rica fonte de informação sobre a cultura da civilização. Em pedra, estuque e madeira, as esculturas da arte maia decoravam lápides, dintéis, frisos e escadarias.

Cabe mencionar que era frequente a instalação ao ar livre de colunas de pedra com relevos comemorativos, tais como as de Copán e Uaxactún, sítios arqueológicos localizados em Honduras e na Guatemala, respectivamente.

A arte maia, com seus entalhes em madeira e pedra, é vista pelos estudiosos como uma das mais belas da Era Clássica. Entre os trabalhos artísticos que sobreviveram ao longo do tempo, restam a cerâmica, os murais, as esculturas e a vasta arquitetura dos sítios arqueológicos.

A exemplo de outras civilizações pré-colombianas, como os astecas, os maias desenvolveram esculturas com motivações religiosas. No Templo das Máscaras, templo funerário-cerimonial construído na Guatemala, duas máscaras foram feitas na lateral de uma escadaria central. Elas eram voltadas para os deuses do sol.

De acordo com a mitologia, essas divindades inventaram a escrita hieroglífica e o desenho, elementos essenciais da arte maia. A configuração arquitetônica do Templo das Máscaras é a seguinte:

• Fica a oeste da Grande Praça de Tikal, antiga cidade maia;
• Tem altura de 38 metros;
• Formato piramidal, com quatro plataformas, uma escada que vai da base ao topo e escadas de serviço nas laterais;
• Três quartos no santuário superior;
• Na decoração exterior, destacam-se estrelas com altares.

Máscaras maias

No sítio arqueológico da Guatemala, para mostrar a importância da astronomia para os maias, existem máscaras para o Deus Sol (Kinich- Ahau) que foram confeccionadas em gesso ou jade.

O jade era um material considerado mágico, por isso, era mais valorizado que o ouro. Os reis maias utilizavam a pedra ornamental como dentes postiços. Quando os reis eram enterrados, as máscaras fúnebres, peças importantes da arte maia, cobriam o seu rosto.

As estátuas de Tikal em jade eram construídas dentro e fora dos túmulos. Segundo as crenças maias, isso favorecia a boa passagem do falecido para o país dos mortosUma das esculturas mais conhecidas da civilização é a máscara mortuária do Rei Pakal (23 Março 603 – 28 Agosto de 683). O governante do antigo estado de B’aakal, no México, foi encontrado por arqueólogos usando a máscara de jade e adornado com joias como braceletes, anéis e um volumoso colar.

O uso de mascaras funerais na cultura maia era comum, mas somente em reis e pessoas de grande relevância.


Máscaras eram peças essenciais para a cultura e arte maia. (Foto: Wikipédia)


Por causa da tradição, as máscaras mais trabalhadas eram feitas de diferentes tons de verde e azul. Para conseguir tais cores, além da jade, a arte maia era confeccionada com minerais e rochas. Os principais exemplos eram:

• Turquesa;
• Amazonita;
• Malaquita;
• Travertino;
• Diorito;
• Serpentinito.

De volta para o exemplo da máscara mortuária do Rei Pakal, ela foi feita com mais de 300 pedacinhos de jade, todos montados em uma base de madeira. Como resultado da forma de elaboração, cada pedaço tem entre 2 milímetros a 7 centímetros de comprimento. Na grande parte dos casos, a matéria-prima das máscaras da arte maia vinha do rio Motagua, na Guatemala.

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