Estilo caracterizado pela liberdade artística
A arte naïf é uma espécie de corrente artística que se desenvolveu no século XIX, na Europa, definida como a arte da espontaneidade, originalidade, intuição e da liberdade, considerando o fato de que os artistas não são obrigados a seguir nenhuma regra técnica, abordagem específica ou proporcionalidade.
O surgimento desse conceito artístico foi marcado pela exposição do pintor autodidata Henri Rousseau (1844-1910), no Salão dos Independentes de Paris, no ano de 1886. “Naïf” é uma palavra francesa que significa “algo ingênuo ou inocente”.
Os artistas da arte naïf são considerados autodidatas e seguem seu próprio estilo de representação artística. A deficiência na aplicação de texturas, ausência de acabamento, ausência de técnicas artísticas acadêmicas e a deficiência na aplicação de texturas, sobras e cores são algumas das características gerais em comum encontradas na arte naïf.

Quadro classificado no estilo de arte naïf. (Foto: Wikipedia)
História da Arte Naïf
Conforme já citado, o marco inicial da arte naïf aconteceu com a exposição do pintor autodidata Henri Rousseau, no Salão dos Independentes de Paris, no ano de 1886. As obras expostas por Rousseau foram consideradas infantis, ingênuas e primitivas e foram tratadas com ironia e desprezo.
Muitos críticos debocharam do estilo de Rousseau e chamaram de “naïf” – termo francês para ingênuo. Porém, indo na contramão da maioria, nomes como Pablo Picasso, Guillaume Apollinaire e Paul Gauguin se mostraram interessados com o estilo dos quadros.
A tela intitulada “Um dia de Carnaval” (1886) foi a de maior destaque na exposição e após a aprovação de grandes artistas, o público em geral passou a valorizar mais o estilo, fazendo com que o estilo artístico de Rousseau ganhasse destaque no cenário artístico francês.
Pouco tempo depois o estilo já havia se espalhado pelo mundo, principalmente nos Estados Unidos e no Haiti. Mais tarde, a arte naïf influenciaria algumas importantes correntes da vanguarda e o modo como o público consumiria a arte no geral.
Principais características
Os artistas que produziam e produzem obras no estilo da arte naïf são, em sua grande maioria, autodidata, sem formação acadêmica no campo artístico e possuem total liberdade estética, por essa razão, essa arte pode ser considerada uma corrente artística. A arte naïf não possui nenhum tipo de formação sistemática e é dotada de espontaneidade, individualidade e personalidade.
As obras no estilo naïf são criativas e formadas por um caráter narrativo e figurativo, com a presença de detalhamento de figuras diversas e de cenários, além da presença de bidimensionalidade e composição plana junto a inexistência de perspectiva geométrica linear.
A presença do colorido exuberante e da linha figurativa também é destaque na arte naïf, além disso, também é possível destacar as pinceladas contidas com diversas cores, a tendência à idealização da natureza, a preferência por temas alegres e lúdicos e o desprezo pela representação fiel da realidade.
Principais obras
Apesar de inicialmente não ter sido reconhecida como arte real, atualmente, as obras da arte naïf são bastante valorizadas e disputadas no mundo da arte. Muitas delas estão expostas em importantes galerias espalhadas pelo mundo. Confira na lista abaixo algumas das artes naïf mais bem avaliadas:
- The Wedding Party (1905): pintada por Henri Rousseau, a tela é composta por um cenário que remete a um casamento, com a figura de uma noiva e mais sete pessoas. Destaca-se as faces individualizadas de casa pessoa representada no quadro, além da figura de um cachorro. A tela também se destaca pelo detalhamento das arvores.
- The Dream (1910): também pintada por Henri Rousseau, a tela é composta por uma selva robusta, com a presença de animais selvagens, um corpo feminino nu e a figura de um homem tocando uma trompa. Foi inspirada nas visitas de Rousseau ao Jardin des Plantes (um jardim zoológico/botânico) e ao museu de história Natural de Paris;
- Early Morning Work (1940): pintada por Willian Johnson, a tela é composta por representações de três corpos humanos com mãos desproporcionalmente grandes, uma mula, uma galinha e um cenário que remete a vida no campo.
- The Trial of John Brown (1942): pintada por Horace Pippin, a tela foi inspirada no cenário do dia do enforcamento de John Brown, um famoso abolicionista. Na pintura aparece 12 homens no júri, para remeter os 12 apóstolos da bíblia e Brown aparece deitado com uma atadura com sangue na testa para remeter a coroa de espinhos usada por Jesus Cristo.
- Burke and Wills Expedition (1948): pintada por Sidney Robert Nolan, a tela retrata o cenário de um deserto, com tons frios, com a figura de dois homens, dois camelos e um cavalo. Destaca-se a expressão das figuras que olham para público.
Principais artistas
Confira na lista abaixo alguns nomes que se destacaram na arte naïf:
Henri Rousseau
Henri Rousseau é considerado o grande percursor da arte naïf. Nasceu em 21 de maio de 1844, em Laval, na França e durante a sua vida produziu obras com representações da natureza que também foram consideradas parte de movimento moderno. Foi um autodidata, apaixonado pela natureza que deixou um importante legado para as vanguardas europeias.
Camille Bombois
Camille Bombois se destaca na criação de obras com a temática circense. Nasceu em 3 de fevereiro de 1833, em Venarey-les-Laumes, na França. Veio de uma família de origem humilde e simples. As obras de Camille Bombois são comparadas com as obras de Rousseau pela presença de cores vibrantes que contrastam entre si.
Maria Auxiliadora
Maria Auxiliadora é uma das artistas brasileiras de grande destaque na arte naïf. Nasceu em 15 de maio de 1938, em Campo Belo, Minas Gerais e fez parte do grupo artístico Solano Trindade. As obras de Maria Auxiliadora são compostas por cores vibrantes, além de elementos da realidade contrastando com elementos do mundo imaginário.
Djanira
Djanira nasceu no de 20 de junho de 1914, em Avaré, São Paulo, e é considerada uma das artistas brasileiras mais bem-sucedidas no estilo naïf. Foi pintora, cenógrafa, desenhista e ilustradora que fiou bastante conhecida após adotar o uso de cores vivas em suas obras. “Painel de Santa Bárbara” (1958) foi o seu quadro mais famoso.