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Arte Românica

Postado por Ruan Fernandes em 21/06/2019

Movimento europeu do século XI


A Arte Românica foi um estilo artístico que surgiu na Europa no século XI e que predominou, principalmente, nas construções de igrejas católicas. O estilo pode ser visto ainda em castelos e mosteiros, além de influenciar as esculturas e outras artes decorativas, como as pinturas e tapeçarias. 

O estilo se desenvolveu em um período em que os países da Europa se recuperavam das invasões dos povos bárbaros. Os movimentos artísticos do país não tinham um estilo unificado, sendo a arte românica a primeira em muitos anos a conseguir ter características espalhadas em várias regiões. 

Apesar sofrer influências de estilos culturais de outras populações, a arte românica contribuiu para o surgimento de várias técnicas inovadoras, principalmente na arquitetura. O termo passou a ser utilizado em 1820 por Charles de Gerville e Le Provest, mas ganhou força quando o arqueólogo Arcisse de Caumont passou a usá-lo.

Nas obras arquitetônicas desse período, as construções passaram a ter grandes proporções, o que levou os artistas a procurar matérias-primas que acompanhassem esse desenvolvimento. A pedra passou a ser utilizada para levantar as grandes obras, como as catedrais e mosteiros. 

A ideia das grandes construções, a exemplo da "fortaleza de Deus", veio acompanhada da onda de fé do cristianismo e, nesse contexto, surgiu a necessidade da transmissão mensagens para fiéis analfabetos. Esculturas, mosaicos, pinturas e outras formas de arte eram utilizadas na propagação das palavras bíblicas. 

O estilo durou até o século XIII, quando a arte gótica a substituiu e ganhou força. Mais tarde, no século XIX, surgiu o neorromânico, estilo que buscava recuperar algumas características do estilo de arte românica em construções contemporâneas.


Arquitetura na arte românica. (Foto: Wikipédia)

Igrejas de peregrinação


Durante a Idade Média, houve crescimento da fé nos países europeus. O cristianismo começou a ganhar força e se expandiu, impulsionando o surgimento do teocentrismo, ou seja, Deus como centro do universo.  As peregrinações, as quais os fiéis realizavam jornadas rumo a lugares santos, tornaram-se recorrentes.

Os principais destinos eram Jerusalém, Roma e Santiago de Compostela. Nesse período, várias igrejas foram construídas por onde os fiéis passavam. Essas construções, conhecidas como igrejas de peregrinação, serviam também de abrigo para os visitantes. 

Nesses locais ficavam guardadas várias relíquias de importância religiosa. Objetos que supostamente pertenceram a Jesus Cristo, a virgem Maria e a outros santos. Acredita-se  que os cravos utilizados na crucificação de Cristo estavam guardados em um desses lugares.

As igrejas eram projetadas em formato de cruz latina, com mais de uma nave. Elas tinham entre três e cinco ambientes, geralmente. Uma das principais características era o uso do deambulatório, espaços que circundavam as áreas centrais. 

Alguns dos principais exemplos dessas construções são a Basílica de Saint-Sernin de Toulouse, na França, a Catedral de Santiago de Compostela, na Espanha, a Basílica e Colina de Vézelay, na França, e a Catedral de Saint Gatien, também na França.

Catedral de Santiago de Compostela


A Catedral de Santiago de Compostela é um dos maiores exemplos da arte românica no mundo. A igreja católica fica situada em Santiago de Compostela, capital de Galiza, na Espanha. Foi construída entre os anos de 1075 e 1128. 

Apesar de elaborada com base nas características da arte românica, o templo passou por várias reformas ao longo dos anos. Recebeu elementos de novos estilos artísticos, como o renascentistabarrocogótico, estilo posterior ao românico. 

Atualmente a única entrada que ainda permanece com as características do estilo românico é a Fachada Meridional ou Fachada das Pratarias. Situada no lado sul da catedral, conta com duas portas com grandes tímpanos e arquivoltas. 

A fachada foi construída utilizando materiais como granito e mármore. Ela conta ainda com esculturas talhadas na própria parede, característica da arte românica. A imagem que fica acima das portas retrata os doze profetas e, nas laterais, os apóstolos. Outras figuras são retratadas nas esculturas, como o próprio Jesus Cristo.


Decoração na arte românica


Nas artes decorativas, o românico foi mais forte nas esculturas, mas foi visto ainda nas pinturas, mosaicos, afrescos, painéis e outras áreas. As esculturas da Idade Média quase não eram reproduzidas. Esse tipo de arte havia passado por uma baixa e encontrou no movimento românico os objetivos ideais aos seus propósitos.

As esculturas eram construídas, em grande maioria, nas igrejas católicas. Elas eram feitas nas próprias edificações das construções, sendo utilizadas como complemento daqueles espaços. 

Geralmente, os trabalhos de escultura tomavam todo o espaço onde eram feitas, ou seja, não seguiam moldes reais de tamanhos humanos. Uniam o divino e imagens reais, muitas vezes unidas. As imagens tinham cores vivas e muitas das obras eram colocadas nas igrejas de peregrinação.

Já as pinturas da arte românica não tiveram tanta força durante o movimento. As imagens foram vistas, principalmente, em iluminuras, afrescos, mosaicos e retábulos. 

As iluminuras estiveram com mais força nos manuscritos. Era possível encontrar esse estilo também em grandes dimensões, como nas decorações de interiores das igrejas e de outros espaços.  Elas seguiam a mesma temática das esculturas, o cristianismo. Nos desenhos eram retratadas imagens de Jesus Cristo, de sua vida e outras passagens bíblicas.

Arquitetura neorromânica


Foi chamado de neorromânico ou revivalismo românico o movimento que surgiu no século XIX e que pretendia resgatar características da arte românica. O estilo permaneceu em forte uso até o século XX. 

O neorromânico foi visto em toda a Europa, de onde se espalhou chegando até as Américas. Nesse período, além do uso das características para construções religiosas, o foi utilizado em outras obras, como os edifícios civis. 

Era muito comum nas construções a junção do neorromânico com o neogótico, o revivalismo da arte gótica. Porém, as inspirações nesses estilos não influenciavam as plantas das construções, se resumindo, na maioria das vezes, as fachadas. 

Principais obras neorromânicas:

• Basílica de Nossa Senhora Aparecida - Aparecida, São Paulo;
• Igreja de Santa Ifigênia - São Paulo, Brasil;
• Igreja de N. S. do Rosário dos Homens Pretos - São Paulo, Brasil;
• Fachada da Sé de Lisboa - Lisboa, Portugal;
• Santuário de Nossa Senhora da Assunção - Santo Tirso, Portugal;
• Igreja de Santa Luzia - Viana do Castelo, Portugal;
• Edifício principal da Universidade da Califórnia - Los Angeles, EUA;
• Basílica de Nossa Senhora de Covadonga - Astúris, Espanha;
• Governo provincial - Coblença, Alemanha.

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