Conhecidos por uma obra de linguagem mais simples, os autores da segunda fase do Modernismo no Brasil, conhecidos como Geração de 30, marcaram uma época de dificuldade política, social e econômica que o país passava.
O segundo momento do Modernismo estabeleceu princípios que foram iniciados durante a Semana de Arte Moderna de 1922, polêmico evento com objetivo de desfazer com os ideais artísticos da Europa no Brasil.
Os principais autores desta etapa do Modernismo no Brasil podem ser divididos em dois grupos: os que escreviam prosa e os que escreviam poesia.
Na poesia, Carlos Drummond de Andrade foi um dos nomes mais importantes e considerado pioneiro do movimento, com a obra Alguma Poesia, publicada em 1930. Já na prosa, o romance A Bagaceira, de José Américo de Almeida e publicado em 1928, é considerado como um dos precursores do movimento.
Contexto histórico
A década de 1930 foi um período conturbado no âmbito do social e da economia, e marcada pela presença de governos totalitários e ditatoriais que aumentavam em alguns países da Europa, culminando, em 1939, na Segunda Guerra Mundial.
No Brasil, em outubro de 1930, o país passava por um golpe de estado conhecido como Revolução de 30, com o começo da Era Vargas e o fim da política do “Café com Leite”, com representantes políticos dos estados de Minas Gerais e São Paulo.
No governo de Getúlio Vargas o Brasil entrou em uma ditadura conhecida como Estado Novo, que durou cerca de 8 anos, entre 1937 e 1945. Por conta deste contexto histórico, os autores da segunda fase do Modernismo no Brasil abordam em seus romances e poesias o tema social e político com muita força, retratando a história e nacionalismo da sociedade brasileira.
Principais autores da segunda fase do Modernismo no Brasil
Como foi dito, a prosa e poesia tiverem peso muito forte neste período artístico no país. Alguns autores do Modernismo são bastante citados em provas de vestibular e do ENEM.
Pode-se dividir os autores em dois grupos artísticos, sendo a ‘Prosa de 30’ e a ‘Poesia de 30’.
Prosa de 30
Alguns escritores se destacaram na escrita de prosa durante a segunda fase modernista brasileira. São eles:
Graciliano Ramos (1892-1953)
Nordestino, Graciliano foi preso em 1930 acusado de fazer parte do comunismo. A experiência nas prisões deram embasamento para criação de suas obras, sendo ‘Memórias do Cárcere’ uma das mais famosas. Nela o autor retrata as injustiças cometidas pelo Estado Novo e a realidade dos presídios no Brasil.
Além do cárcere, Graciliano Ramos também retratou com frequência o universo do povo sertanejo da Região Nordeste, indo desde o caboclo até o senhor de engenho. Seu romance mais conhecido, ‘Vidas Secas’, retrata este tema.
Em ‘Vidas Secas’ o autor utiliza de uma escrita machadiana, com linguagem enxuta e rigorosa. Na obra é feita uma análise psicológica e sociológica do sertanejo, com personagens que relatam a convivência do coletivo.
Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala.
Arrastaram-se para lá, devagar, Sinha Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás (Vidas Secas).
Graciliano Ramos ficou conhecido por retratar sertanejos nordestinos. (Wikipedia)
Rachel de Queiroz (1910-2003)
Sendo a primeira mulher a fazer parte da Academia Brasileira de Letras, a cearense Rachel de Queiroz também pode ser considerada uma das mais importantes no grupo de autores da segunda fase do Modernismo no Brasil.
Também taxada de comunista, foi presa em 1937, sete anos após a publicação de sua obra mais famosa: ‘O Quinze’. As principais características da escrita de Rachel são a prosa enxuta, grande preocupação social e utilização do discurso direto.
Ela também escreveu ‘As Três Marias’, ‘Memorial de Maria Moura’ e ‘Caminho de Pedras’.
O povo se apinhava na avenida, o dinheiro circulava alegremente, as lâmpadas de carbureto espargiam sobre o burburinho focos de luz muito branca, que tornava baça e triste a cara afilada da lua crescente. Num grupo, a um recanto iluminado, Conceição, Lourdinha e o marido, Vicente e o novo dentista da terra - um moço gordo, roliço, de costeletas crespas e o pince-nez sempre mal seguro no nariz redondo - conversavam animadamente. (O Quinze)
Jorge Amado (1912-2001)
O baiano Jorge Amado é um dos autores da segunda fase do Modernismo no Brasil mais populares. Ficou conhecido após a publicação do romance ‘O País do Carnaval’, em 1931.
Já em 1959 passou a fazer parte da Academia Brasileira de Letras. Entre suas obras de maiores sucesso, que chegaram a receber adaptações para o cinema e a televisão, estão ‘Tieta do Agreste’ e ‘Capitães de Areia’.
Dúzia, dúzia e meia de casebres provisórios, mudando-se ao sabor do vento e da areia a invadi-los e soterrá-los, morada dos poucos pescadores a habitar desse lado da barra. Durante o dia, as mulheres pescam no mangue de caranguejos, os homens lançam as redes ao mar. Por vezes partem em pesca milagrosa, audazes a cruzar os vagalhões altos como as dunas nos únicos barcos capazes de enfrentá-los e prosseguir mar afora, ao encontro marcado com navios e escunas, em noites de breu, para o desembarque do contrabando. (Tieta do Agreste)
Outros autores
Também podemos citar outros nomes importantes que fizeram parte do modernismo brasileiro. Entre eles estão: Érico Veríssimo (1905-1975), com ‘Fantoches’ e ‘Clarissa’; José Lins do Rego (1901-1957), com ‘Menino de Engenho’, ‘Doidinho’, ‘Banguê’, ‘Fogo Morto’ e ‘Usina’; Dyonélio Machado (1895-1985), com ‘Os Ratos’, ‘O Loco do Cati’, ‘Desolação’ e ‘Deuses Econômicos’; entre outros.
Poesia de 30
Além da prosa, outros autores da segunda fase do Modernismo no Brasil se destacaram pela intensa produção literária de poesia.
Murilo Mendes (1901-1975)
Murilo Mendes foi um dos escritores que teve uma forte influência do surrealismo da Europa, podendo ser notado em seu livro ‘Poemas’, publicado em 1930 e um dos pioneiros da segunda etapa do movimento modernista.
O poeta consegue transitar entre a sátira e o poema-piada, chegando ao estilo oswaldiano. Além disso, Murilo também oferece, algumas vezes, uma poesia de cunho religioso e social.
Sou ligado pela herança do espírito e do sangue
Ao mártir, ao assassino, ao anarquista,
Sou ligado
Aos casais na terra e no ar,
Ao verdadeiro da esquina,
Ao padre, ao mendigo, à mulher da vida,
Ao mecânico, ao poeta, ao soldado,
Ao santo e ao demônio,
Construídos à minha imagem e semelhança (Solidariedade)
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
Os poemas de Drummond possuem forte influência de assuntos que faziam parte da atualidade nacional da época. Sua poesia reproduzia o mundo, principalmente os contextos da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria.
Cecília Meireles (1901-1964)
Considerada a poetisa intimista, Cecília faz parte dos autores da segunda fase do Modernismo no Brasil que possui uma característica mais introspetiva, dando até um ar de fantasia às suas obras.
Ela é considerada uma das poetisas mais importantes do país, consolidando o grupo modernista da Poesia de 30.
Outros poetas
Outros poetas também fizeram parte dos autores da segunda fase do Modernismo no Brasil e tiveram igual importância ao movimento, como Vinícius de Moraes (1913-1980) e Jorge de Lima (1895-1943).