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Barroco em Portugal

Postado por Alana Caiusca em 03/12/2018

O estilo artístico foi marcado pela tensão entre o Antropocentrismo e Teocentrismo


O Barroco em Portugal teve início 1580, com a morte do escritor português Luís de Camões, e fim em 1756, com a fundação da Arcádia Lusitânia. Esse estilo literário, também é chamado de Seiscentismo (por ter iniciado no final do século XVI), é posterior ao Classicismo e anterior ao Arcadismo (Setecentismo). 

Manifestações artísticas como literatura, arquitetura e pintura se desenvolveram em Portugal durante um período de crise política, econômica e social, causada pelos conflitos com a Monarquia Espanhola e a Guerra de Restauração. 

O Barroco em Portugal também teve fortes influências do humanismo renascentista, que por meio Antropocentrismo coloca o “homem como centro das coisas”. Contrário ao pensamento medieval do Teocentrismo, que posiciona “Deus como centro das coisas”. 

Características do Barroco em Portugal


Além do tensionamento entre o Antropocentrismo e o Teocentrismo, que marca o estilo literário, o Barroco em Portugal também teve como características: 

Dualismo: o homem barroco era cheio de conflitos e tentava equilibrar as forças contrárias presentes em sua vida como: fé x razão, Deus x Diabo, religioso x profano, corpo x alma, etc.
Fugacidade: na concepção barroca, a vida e tudo que perpassa por ela é instável. O mundo, as coisas e as pessoas mudam.
Feísmo: o Barroco em Portugal tem uma grande atração pelo trágico, em rompimento ao equilíbrio clássico. Nas obras é comum a retratação de cenas cruéis, dolorosas e grotescas; 
Pessimismo: a noção de instabilidade da vida conduz frequentemente à ideia de morte. O homem barroco é cheio de incertezas e desencantado com a vida.

Literatura e teatro


Parte da literatura barroca em Portugal é marcada pelo Cultismo ou Gongorismo – em alusão aos poemas do espanhol Luís de Góngora. Esse conceito é caracterizado pelo jogo de palavras que visa o rebuscamento e ornamentação do texto. 

Os textos possuem uma linguagem culta e carregados de figuras de linguagem como metáforas, paradoxos e antíteses, hipérboles, anáforas. Também eram utilizadas figuras de sintaxe como trocadilhos, hipérbatos e dubiedades.

A outra face da literatura é o Conceptismo, também conhecido como Quevedismo – em referência aos textos do poeta espanhol Francisco de Quevedo. O conceptismo se refere ao jogo de ideias ou conceitos baseados em argumentos lógicos. 


Padre Antônio Vieira, um dos principais autores
do Barroco em Portugal. (Foto: Wikipédia)



O principal objetivo dos autores conceptistas era o de convencer e instruir o leitor com base em diversos argumentos. Por isso, era comum o uso dos elementos de silogismo (baseado na dedução de que duas premissas geram uma terceira proposição lógica) e sofisma (o objetivo é desestimular a verdade por meio de regras lógicas).

Confira um exemplo de texto conceptista:

“Para um homem se ver a si mesmo são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem espelhos e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo, há mister luz, há mister espelho e há mister olhos”. (Padre Antônio Vieira)

Autores e obras 

Padre Antônio Vieira (1608 – 1697) foi um filósofo, religioso, escritor e orador português.

• Sermão da Sexagésima; 
• Sermão do Bom Ladrão; 
• Sermão do Santo Antônio ou Sermão aos Peixes. 

Antônio José da Silva (1705 – 1739), conhecido também como o Judeu, nasceu no Brasil, mas chegou ao país juntamente com sua família fugidos de Portugal.

• Guerras do Alecrim e da Manjerona; 
• Vida do grande Dom Quixote de la Mancha e do gordo Sancho Pança; 
• Os Encantos de Medeia. 

D. Francisco Manuel de Melo (1608-1666) era um artista português multifacetado e atuou como militar, memorialista, historiador e cronista. 

• Carta de Guia de Casados; 
• Apólogos Dialogais; 
• As Segundas Três Musas. 

Josefa de Ayala Figueira (1630 – 1684) foi uma pintora que nasceu na Espanha, mas viveu e desenvolveu seus trabalhos em Portugal.

• Maria Madalena confortada pelos Anjos;
• A Sagrada Família com São João Batista;
• Santa Isabel e Anjos.

Mariana Mendes da Costa Alcoforado ou Soror Mariana Alcoforado (1640 – 1723) foi uma freira portuguesa que supostamente apaixonou-se pelo francês Noel Bouton, marquês de Chamilly, sua principal obra, “Cartas Portuguesas”, mostram essa história.

Arquitetura 


Com a Reforma Protestante de Martinho Lutero, a Igreja Católica perdeu vários fiéis na Europa. A arquitetura barroca foi um dos elementos da Contrarreforma criada pela Igreja afim de se mostrar a sua imponência.

Deste modo, a maioria das construções arquitetônicas do Barroco em Portugal foram espaços religiosos. As igrejas construídas nesse período eram planas retangulares, com fachadas simples e decoração minimalista.


Igreja e Torre dos Clérigos em Portugal. (Foto: Wikipédia)


À mando do rei foram construídos edifícios civis com decoração de talha dourada nas paredes e azulejaria. Já a arquitetura palaciana seguiu ao estilo renascentista, com escadarias, jardins, fontes, ao modo francês. 

As principais obras arquitetônicas e seus respectivos autores foram:

• Paço Episcopal (Nicolau Nasoni);
• Loggia da Sé (Nicolau Nasoni);
• Igreja e Torre dos Clérigos (Nicolau Nasoni);
• Paço da Ribeira (Diego de Arruda);
• Igreja Matriz de Viana do Alentejo (Diego de Arruda);
• Palácio Nacional de Mafra (João Frederico Ludovice);
• Convento de Mafra (João Frederico Ludovice).

Pintura


Toda expressão artística do Barroco em Portugal sofreu interferência da Igreja Católica. A primeira fase da pintura barroca, a protobarroca, teve grandes influências do tenebrismo espanhol. Já a segunda fase do barroco, propriamente dito, buscava novas fontes de inspiração.


Pintura de André Reinoso: “S. Francisco Xavier despedindo-se de D. João III antes da viagem para a Índia”. (Foto: Wikipédia)


As pinturas tinham como característica o realismo, concentrado nos retratos do interior das casas, nos retratos de reis e nobres, nas paisagens da natureza morta e nas cenas populares. 

As principais obras e seus respectivos autores foram:

• Calvário (André Reinoso); 
• Santa Paula (André Reinoso);
• Pregação de São Francisco Xavier em Goa (André Reinoso);
• Natureza morta com cordeiro e peças de caça (Baltazar Gomes Figueira);
• Natureza morta com peixes, crustáceos, cebolas, laranjas e gato (Baltazar Gomes Figueira);
• Maria Madalena confortada pelos Anjos (Josefa de Óbidos);
• Natureza Morta com Doces e Barros (Josefa de Óbidos).

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