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Barroco Mineiro

Postado por Fabiana Dias em 03/12/2018

Versão do Barroco que predominou com um estilo próprio em Minas Gerais


O Barroco Mineiro foi uma versão peculiar do Barroco que se desenvolveu em Minas Gerais entre os séculos XVIII e XIX. Com estilo e características próprias, o movimento recebeu influências artísticas do Barroco Europeu e do barroco que predominava em outras partes do Brasil como Salvador e Rio de Janeiro.

Preservando as características de dualidade e contradições do movimento artístico, em Minas Gerais, o barroco começou a se desenvolver como um estilo de personalidade própria que deixou sua marca na história da arquitetura, da pintura e da escultura, a nível nacional e internacional.

Caracterizada pela pompa e grandiosidade, a arte barroca mineira é rica em detalhes, cores e ornamentos em ouro. O barroco mineiro explorou os materiais típicos da região, como o cedro e a pedra-sabão, criando assim uma arte autêntica e carregada de características peculiares.

A arquitetura, a pintura, a escultura sacra e a música tiveram destaque no barroco mineiro. Evocando a religião em cada detalhe, o barroco mineiro seguiu a tendência da Arte Barroca, crescendo, sobretudo, em torno das igrejas e confrarias. As maiores expressões do barroco mineiro foram Mestre Ataíde e Aleijadinho.

Contexto histórico


O estilo barroco nasceu na Europa no final do século XVI e se tornou uma das formas de expressão artística mais visíveis no Brasil entre o século XVII e a primeira metade do século XVIII. As primeiras manifestações do Barroco no Brasil ocorreram em Salvador e em Recife, centros urbanos da época. Mas o auge desse movimento artístico só aconteceu nas cidades mineiras do Ciclo do Ouro, nas quais o apogeu do ouro favoreceu um rápido crescimento.

O período de rápido crescimento dos centros urbanos necessitava de controle e organização. Assim, surgiu a irmandade dos leigos, responsável pela organização da celebração dos ofícios, práticas religiosas e o exercício solidário.

As irmandades se consolidaram como formas de organização religiosa e social. A arte e a religião foram usadas como forma de controle e as associações de leigos foram as financiadoras do trabalho dos artífices, artistas e artesãos do período. Portanto, a quantidade expressiva de construções religiosas e o mecenato leigo não podem ser desassociadas do Barroco Mineiro.

Nesse época, a capitania de Minas Gerais experimentou um crescimento cultural favorecido pela movimentação comercial, pelo enriquecimento com mineração e pela forte religiosidade dos povos das minas. Esses aspectos possibilitaram que a região vivesse o apogeu das artes no Brasil.

Apesar de se fazer presente em outras vilas e povoados mineiros como Diamantina, Serro, Mariana, Tiradentes, Sabará, São João del-Rei, Congonhas, o centro principal do Barroco Mineiro foi a região de Vila Rica, atual cidade e Ouro Preto.

Características do Barroco Mineiro


Em Minas Gerais, o barroco assumiu particularidades, mas não abandonou a sua principal característica de explorar temas religiosos. A temática sacra se fez presente no Barroco Mineiro, mesmo nos pequenos detalhes.  Pinturas e esculturas com temas cristãos, ornamentos em ouro e materiais nobres, imagens revestidas com película de ouro e santos em relevo. Essas são algumas das características observadas nas obras barrocas mineiras.

Pintura

Utilizando cores vivas e tropicais, o barroco mineiro se diferenciou do resto do mundo, adotando um estilo próprio na pintura. As melhores representações da pintura barroca mineira podem ser observadas nas decorações internas das igrejas. 

Nas capelas foram pintados forros, colunas, arcadas e medalhões. Esses elementos formavam uma composição sacra com figuras como anjos e santos, rodeando um personagem ou cena principal entre nuvens e halos de glória.

Diferente dos templos das outras regiões do Brasil, a decoração dos templos mineiros apresentavam pinturas de grandes dimensões. As decorações mineiras usavam um tabuado corrido nos forros, ao contrário dos templos litorâneos que usavam caixotões emoldurados com relevos, onde as pinturas eram feitas em seções separadas. Outra característica da pintura barroca é a perspectiva ilusionista, que buscava uma continuidade visual da arquitetura real do templo. 


Teto da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, pintado por Mestre Ataíde.
(Foto: Wikipedia)

Arquitetura

A geografia montanhosa e irregular permitiu que o barroco mineiro desenvolvesse uma arquitetura bem peculiar. O terreno repleto de morros e de vales colaborou para uma forma de urbanização atraente.

Nos pontos mais altos de cada cidade foram construídos os templos religiosos mais importantes, assim a beleza das igrejas se misturavam com a beleza natural da região. A topografia acidentada possibilitou a criação de cenários que ainda hoje fascinam quem conhece as cidades mineiras, berço do estilo barroco.

Além das igrejas, surgiram edifícios públicos e inúmeras moradias com inovações artísticas pareciam acompanhar a vida econômica e financeira da região que prosperava. 

Escultura

O Barroco Mineiro também apresentou suas peculiaridades na escultura. Devido ao isolamento do litoral, o que dificultava a importação de peças portuguesas, os artistas optaram por utilizar os materiais típicos da região como cedro e a pedra-sabão, adaptando-os às necessidades das obras para driblar algumas limitações técnicas e materiais.


Paixão de Cristo: escultura criada por Aleijadinho, exposta no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos. 
(Foto: Wikipedia)

Diferente de outras escolas como Bahia e Pernambuco, que estavam muito mais ligadas ao estilo formal da arte europeia, o Barroco Mineiro se caracterizou pela diversidade e pelo ecletismo. Nesse sentido, a escultura no Barroco Mineiro não segue padrões acadêmicos, priorizando usar cores mais uniformes e feições mais ingênuas e joviais. 

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