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Bicho-papão

Postado por Cíntia Pina em 17/04/2019

Personagem do folclore brasileiro


O bicho-papão é mais um personagem do folclore brasileiro. Em algumas regiões ele também é conhecido como papa-gente. É um personagem fictício das lendas do folclore, usado para colocar medo nas crianças mal-educadas e que desobedecem aos seus pais.

A cultura brasileira é muito rica. O seu folclore é formado por um conjunto de manifestações culturais, que destacam a sua cultura popular. O folclore é muito importante para a manutenção da tradição e costumes de um povo. 

O conjunto de lendas e mitos que formam o folclore brasileiro são passados de geração em geração. As estórias geralmente são frutos da imaginação dos povos. Algumas foram inventadas com o objetivo de ensinar alguma coisa ou transmitir alguma mensagem. Outras foram feitas somente com a intenção de assustar as crianças, como acontece na lenda do bicho-papão.


O bicho-papão é usado geralmente pelos pais como forma de amedrontar as crianças. (Foto: Pixabay)


Bicho-papão: a lenda contada para as crianças


A lenda do bicho-papão faz parte da infância de muitos brasileiros. Desde cedo ele é usado pelos pais para assustar as crianças. Elas acreditam que se forem malcriadas, o bicho-papão vai aparecer para buscá-las. 

O nome bicho-papão foi dado porque, de acordo com a lenda, "ele come (papa) as criancinhas". Ele é representado por um monstro feio, grande, de olhos vermelhos e peludo. Essa imagem pode variar de região para região. Em determinados locais ele é comparado com a Cuca, tanto fisicamente quanto em relação às maldades cometidas pelos dois. Em outros locais, o bicho-papão não possui uma forma específica, podendo se transformar em outros animais, por exemplo, por conta do seu poder de mutação

O bicho-papão fica no telhado esperando o momento certo para atacar. Quando entra em casa, ele se esconde embaixo da cama ou dentro do armário. Como é muito guloso, o bicho-papão também aproveita a visita para comer tudo o que encontra na cozinha. 

Algumas cantigas de ninar foram feitas a partir da lenda do bicho-papão, para assustar as crianças e fazer com que elas durmam logo. Em Portugal, a mais famosa é:

Vai-te papão, vai-te embora
de cima desse telhado,
deixa dormir o menino
um soninho descansado.

No Brasil, foi feita uma versão parecida:

Bicho papão,
sai de cima do telhado
deixe esse menino (fala o nome da criança)
dormir sossegado.

Vai-te papão
Vai-te embora do telhado
Deixa o meu menino
Dormir sossegado.

Os pais usam as cantigas para deixar as crianças assustadas e, consequentemente, viram heróis, já que eles salvam as crianças das maldades do bicho-papão. 

O Bicho-papão em outras culturas

Presente na literatura infantil de Portugal e do Brasil, o bicho-papão também é visto em outras regiões, como na Península Ibérica, na Galiza, na Catalunha e nas Astúrias. No Brasil, o bicho-papão é um personagem conhecido em todas as regiões do país. 


O folclore brasileiro e as suas lendas


O folclore brasileiro se manifesta de diversas formas, como na música, na dança, e nas demais manifestações culturais. As tradições representam a identidade de um povo e o folclore busca justamente manter viva essa cultura. 

O folclore costuma misturar em suas lendas fatos reais sobre a história, a fantasia e a imaginação. Como antigamente as pessoas não conseguiam explicar cientificamente alguns fenômenos da natureza, eram criados os mitos para tentar explicar. 

Assim como a lenda do bicho-papão, outras diversas lendas foram criadas para contar histórias ou simplesmente para assustar as crianças. Algumas das lendas brasileiras mais conhecidas são a do Saci Pererê, a lenda da Cuca, a lenda da Iara, do Lobisomem, da Mula sem cabeça, da Caipora, do Boto, etc. 

Veja mais sobre algumas dessas lendas da cultura popular brasileira:

Iara ou mãe d’Água

De origem tupi-guarani, a lenda da Iara conta a história de uma índia que causava muita inveja por conta da sua beleza. Os seus irmãos, que também sentiam inveja, a levaram para a floresta com a intenção de matá-la, mas o que aconteceu foi o contrário. Ela matou os seus irmãos e passou a viver no rio.

Segundo a lenda, ela virou uma sereia, com cabelos longos e uma voz que hipnotizava os homens que a ouviam. Ela atrai os pescadores com essa voz, e os arrasta para o fundo da água, de onde eles não voltam mais. 

Curupira

O menino de cabelos vermelhos, conhecido como protetor da fauna e da flora. O Curupira vive nas florestas, defendendo a mata e os animais de caçadores. É um personagem muito conhecido do folclore brasileiro. 

Sua lenda também é de origem tupi-guarani. Segundo a língua, o termo “curu” significa a abreviação de “curumim”, ou “menino”, e o termo “pira”, significa “corpo”. Curupira significa, portanto, “corpo de menino”. Ele assusta os invasores das matas por conta da sua aparência. Os seus pés são virados para trás e os calcanhares virados para a frente. Ele também pode se transformar em outros seres vivos, por conta da sua magia. 

O Curupira é conhecido também por gostar muito de bebidas e cigarro. Os caçadores costumam deixar esses itens espalhados pela floresta, na tentativa de desviar a atenção do menino, que é sempre muito ágil. 

• Lobisomem

O lobisomem é um dos seres mais famosos do folclore brasileiro. As histórias falam sobre um ser que, em noites de luz cheia, se transforma em uma mistura de homem com lobo. O efeito da transformação dura até o fim da lua cheia. 

Ao lado do bicho-papão, o lobisomem é um famoso ser do folclore. (Foto: Pixabay)

A história sobre o lobisomem deriva da cultura grega, que fala sobre um rei chamado Licaon que foi transformado em lobo por Zeus. Ao longo do tempo, várias histórias envolvendo supostas visões do lobisomem se espalharam pelo mundo.

No Brasil, as características do ser, assim como os nomes por quais ele é chamado, podem mudar em cada região. Há quem acredite que a doença é passada de geração para geração, enquanto outras acreditam que ela só é transmitida através da mordida ou arranhão do próprio lobisomem.

Mula sem cabeça

Uma das versões da lenda da mula sem cabeça tem origem religiosa. Ela diz que as mulheres que frequentavam a igreja não poderiam se apaixonar pelos padres. Os padres deveriam ser vistos com olhos puros, pois eles representam a santidade, eram homens santos. 

Sendo assim, a mulher que por acaso se apaixonasse ou cometesse pecado com um padre, viraria uma mula sem cabeça para o resto da sua vida. 

A mula sem cabeça, no lugar da cabeça, possui uma tocha de fogo ardente, que não se apaga nunca. Por conta da associação com a religião, em alguns lugares ela é conhecida também como “mulher de padre”, “mula de padre” e “mula preta”. 

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