Dança folclórica baseada na lenda de um boi
O bumba meu boi, conhecido também como boi bumbá em algumas regiões brasileiras, é uma das mais tradicionais danças do folclore brasileiro. A tradição é uma apresentação típica das região Norte e região Nordeste do país, que une dança, música e teatro para contar a história da lenda de um boi.
O boi usado durante as apresentações é produzido com armações feitas em madeira e revestidas com tecidos bordados e coloridos. Os movimentos do boi são controlados por um homem que fica embaixo da fantasia, chamado peculiarmente de “miolo do boi”.
Apesar de ser uma tradição forte do Norte e Nordeste, a apresentação do bumba meu boi é replicada em diversas regiões do país. Por conta disso, a lenda pode sofrer algumas variações. Mas, para entender melhor como essa festa surgiu no Brasil, o Guia Enem preparou um resumo com a história mais usada pelos enredos.

Apresentação de bumba meu boi. (Foto: Wikimedia)
Origem do Bumba meu boi
Segundo os historiadores, a manifestação teve origem na cultura dos países da Europa, especialmente da tradição luso-ibérica do século XVI, e foi trazida para o Brasil através de colonizadores portugueses, misturando-se à cultura dos países da África e indígena.
Na região Nordeste, os folcloristas associam o nascimento do bumba meu boi à expansão do chamado Ciclo do Gado, momento em que, no século XVII, o animal ganhou grande importância nas fazendas da região.
Inclusive, a história apresentada ao som de cânticos e coreografias, tem origem na lenda de um boi que foi morto por um escravo, mas que ressuscitou após um ritual feito por um pajé tido como “curandeiro” pela cultura dos índios brasileiros.
Lenda do boi
Como foi dito, cada região tem sua tradição do bumba meu boi conforme seus aspectos culturais. Mas, de maneira geral, a lenda da dança conta a história de um casal de escravos, Francisco e sua esposa Catirina, que por estar grávida, deseja comer a língua de um boi.
Empenhado em satisfazer os desejos de sua esposa, Francisco então escolhe o boi mais charmoso do pasto para matar, porém o que ele não imaginava é que o animal seria também o preferido do seu senhor (fazendeiro).
Ao descobrir o que havia acontecido com o boi, o fazendeiro então manda prender Francisco e pede que outros escravos encontrem o animal. O boi é achado morto, mas com a ajuda do pajé de uma tribo indígena ele e ressuscitado.
Outras versões apontam que a ressuscitação do animal está relacionada ao conceito de milagre pregado pelo catolicismo. Mas, no fim da história, quando o boi é ressuscitado, o que se tem em comum é a celebração de toda a comunidade da fazenda.
No anos de 1861 e 1868, por ser considerada uma festa de origem escrava, a dança foi perseguida por muitas elites nordestinas, bem como pela polícia, que chegou a proibir as apresentações.

Bumba meu boi é tradição em algumas regiões do Brasil. (Wikipedia)
Festas tradicionais
Como foi possível perceber, não existe nenhum relato histórico capaz de afirmar onde a narrativa teve início, porém sua importância é tamanha que o bumba meu boi, em 2012, foi registrado como Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Deste modo, o festejo se expandiu pelo Brasil e ganhou destaque em diversos estados, principalmente no Amazonas e Maranhão. Nestas cidades as apresentações reúnem milhares de turistas de diferentes regiões do país.
Em cada estado brasileiro, o boi folclórico possui um nome diferente. No Amazonas e no Pará chama-se boi bumbá; no Maranhão chama-se bumba meu boi; no Rio de Janeiro é nomeado de boi calemba; no Rio Grande do Norte é cavalo-marinho, na Paraíba chama-se bumba de reis ou reis de boi, no Espírito Santo é boi pintadinho; na Bahia adota-se o mesmo nome do Maranhão.
Parintins
Na Amazônia, o bumba meu boi foi uma tradição trazida pelos imigrantes do Maranhão que mudaram para a região a fim de extrair borracha. Na região, a festa acontece na cidade de Parintins desde de 1965.
No início, o boi era chamado de toada amazônica devido as influências indígenas que construíram características próprias para o boi. No local, a tradição é apresentada sempre no último final de semana de junho, em um espaço a céu aberto, com o formato da cabeça de um boi, chamado de Bumbódromo.
A tradição do bumba meu boi em Parintins é representada por duas agremiações que são os bois: Garantido (o coração vermelho) e o Caprichoso (a estrela azul). Durante a apresentação, que acontece como um duelo entre os dois bois, os personagens dançam ao som de letras e mitos da floresta amazônica.
A disputa entre Caprichoso e Garantido é tamanha que a torcida de um boi não pronuncia o nome do outro. Quando uma agremiação quer se referir ao boi adversário, ela o chama de “contrário” no lugar do nome.
Maranhão
No Maranhão, a festa começa em junho e termina em julho, sendo uma das danças mais tradicionais do estado. O período determinado é uma maneira de homenagear o santo do alto, São João.
As apresentações acontecem na cidade de São Luís. Nela, a festa se divide em quatro etapas. Na primeira, que é a fase da preparação, acontece os ensaios e o primeiro estágio. Ela começa no sábado de aleluia e termina no dia 13 de junho, data em que comemora-se o dia do Santo Antônio.
Na segunda etapa, o boi é batizado com todas as bênçãos do padroeiro da festa. As celebrações e brincadeiras ocorrem na terceira etapa e se estende durante toda a festa junina. Na quarta e última etapa, o boi morre encerrando o enredo da lenda.
Há mais de cem grupos de bumba meu boi só na cidade de São Luís. Cada um deles com seu sotaque, ou seja, diferentes maneiras de vestir, se expressar e com uso de instrumentos próprios.
Os sotaques mais populares da região são: matraca, orquestra, baixada, costa de mão e zambumba. Inclusive, alguns folcloristas dizem que a origem do nome bumba meu boi possa ter relação com a zambumba, tambor muito usado durante os festejos.
Boi Bumba: outras inspirações
Alguns estudiosos acreditam que a história do bumba meu boi faz parte de um folguedo da Europa que chegou há séculos em terras brasileiras. 'O vaqueiro que não mentia' é um conto da Península-Ibérica que tem a história de dois amantes e a morte de um boi, parecida com a história de Catirina e Pai Francisco
Na história europeia, um rico fazendeiro possuía um boi de grande estima, chamado Barroso, e o responsável por cuidar dele era um vaqueiro de sua confiança, conhecido como 'o vaqueiro que não mentia'. Com inveja, um fazendeiro vizinho aposta com o dono de Barroso que este vaqueiro iria trair sua confiança.
Com isso, o fazendeiro invejoso mandou que sua filha seduzisse o vaqueiro e pedisse que ele matasse o boi como prova de amor. Apaixonado, o vaqueiro realmente matou barroso. Ao ser chamado pelo dono da fazendo, o vaqueiro não mentiu e confessou o que fez, entoando uma cantiga pedindo perdão.
O vaqueiro então é perdoado pelo fazendeiro e, por conta de sua sinceridade, ganha o valor da aposta, comemorando com festa durante dias.
Na história europeia, um rico fazendeiro possuía um boi de grande estima, chamado Barroso, e o responsável por cuidar dele era um vaqueiro de sua confiança, conhecido como 'o vaqueiro que não mentia'. Com inveja, um fazendeiro vizinho aposta com o dono de Barroso que este vaqueiro iria trair sua confiança.
Com isso, o fazendeiro invejoso mandou que sua filha seduzisse o vaqueiro e pedisse que ele matasse o boi como prova de amor. Apaixonado, o vaqueiro realmente matou barroso. Ao ser chamado pelo dono da fazendo, o vaqueiro não mentiu e confessou o que fez, entoando uma cantiga pedindo perdão.
O vaqueiro então é perdoado pelo fazendeiro e, por conta de sua sinceridade, ganha o valor da aposta, comemorando com festa durante dias.