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Cantigas de roda

Postado por Andréa Araújo em 23/05/2019

 Canções populares cantadas por crianças em uma roda


As cantigas de roda são produções musicais anônimas que são ensinadas oralmente no Brasil, de forma semelhante como as lendas do folclore

As letras das canções são composições simples, rimadas, algumas com coreografias divertidas para serem cantaroladas pelas crianças em uma roda.

No idioma inglês o termo “folk” significa povo e o “lore” conhecimento, desta maneira, as cantigas de roda são de domínio público porque são produzidas pelas pessoas em geral. 

As cantigas de rodas podem ser chamadas também de cirandas ou de cancioneiro popular brasileiro

As melodias das cantigas de rodas são folclóricas e tratam de vários temas lúdicos, como os animais, amor e amizade. Leia abaixo uma entre as cantigas mais conhecidas: 

A Barata Diz que Tem

A Barata diz que tem sete saias de filó
É mentira da barata, ela tem é uma só
Ah ra ra, iá ro ró, ela tem é uma só!

A Barata diz que tem um sapato de veludo
É mentira da barata, o pé dela é peludo
Ah ra ra, Iu ru ru, o pé dela é peludo!

A Barata diz que tem uma cama de marfim
É mentira da barata, ela tem é de capim
Ah ra ra, rim rim rim, ela tem é de capim

A Barata diz que tem um anel de formatura
É mentira da barata, ela tem é casca dura
Ah ra ra , iu ru ru, ela tem é casca dura

A barata diz que vai viajar de avião
É mentira da barata ela vai de caminhão
Ah ra ra , iu ru ru, ela vai de caminhão 

A letra da cantiga de roda “A Barata Diz que Tem” é bastante rimada, tem muitas repetições e utiliza-se da personificação, uma das figuras de linguagem utilizada para atribuir uma ação humana a um inseto que é a barata, que muitas vezes é visto nas residências de muitas crianças. 

Cantigas de rodas e as rimas engraçadas 


O anonimato das composições das cantigas de rodas as tornam diferentes em cada região brasileira. Até porque a criação de caráter popular e folclórica justifica essa diversidade cultural e territorial.

A utilização das rimas facilitam a memorização e o aprendizado, e ainda trazem recortes dos temas do imaginário infantil. Faça uma roda com seus amigos, cante as cantigas abaixo e se divirta muito:

Cai, cai balão

Cai cai balão, cai cai balão
Na rua do sabão
Não Cai não, não cai não, não cai não
Cai aqui na minha mão!

Cai cai balão, cai cai balão
Aqui na minha mão
Não vou lá, não vou lá, não vou lá
Tenho medo de apanhar!

Escravos de Jó

Escravos de Jó
Jogavam caxangá
Tira, bota, deixa ficar
Guerreiros com guerreiros fazem zigue-zigue-zá
Guerreiros com guerreiros fazem zigue-zigue-zá.

Borboletinha

Borboletinha tá na cozinha
Fazendo chocolate
Para a madrinha

Poti, poti
Perna de pau
Olho de vidro
E nariz de pica-pau pau pau

Pombinha Branca

Pombinha branca o que está fazendo?
Lavando roupa pro casamento
Vou me lavar, vou me secar
Vou pra janela pra namorar

Passou um moço de terno branco,
Chapéu de lado meu namorado
Mandei entrar, mandei sentar
Cuspiu no chão, limpa aí seu porcalhão

Cantigas de rodas: educação e ludicidade


As cantigas de roda são uma das manifestações culturais do folclore brasileiro e contribuem para o aprendizado da educação das crianças. 

A maneira de aprender brincando em uma roda, todas de mãos dadas, possibilita a socialização e a coletividade entre as crianças. 

As crianças cantam no mesmo ritmo de forma uníssona, fazem coreografias divertidas e dançam muito. 

Em razão da sua importância cultural, as cantigas de rodas são realizadas em escolas públicas, privadas, em creches ou em espaços de educação não formal, como em ONGs. 

Muitos professores ainda fazem brincadeiras folclóricas para ensinar as crianças sobre a importância da cultura folclórica. 

Na cantiga de roda “A galinha do vizinho” os pequeninos podem aprender os números cardinais do um ao dez. Olha que legal! Aproveite para cantar essa e outras cantigas de rodas abaixo com seus amigos da escola:

A galinha do vizinho

A galinha do vizinho
Bota ovo amarelinho
Bota um, bota dois, bota três,
Bota quatro, bota cinco, bota seis,
Bota sete, bota oito, bota nove,
Bota dez!

Alecrim

Alecrim, Alecrim dourado
Que nasceu no campo
Sem ser semeado
Alecrim, Alecrim dourado
Que nasceu no campo
Sem ser semeado
Foi meu amor
Que me disse assim
Que a flor do campo é o alecrim. (x2)


As crianças cantam em uma só voz na roda. (Foto: Educa Mais Brasil)

Meu Limão, Meu Limoeiro

Meu limão, meu limoeiro
Meu pé de jacarandá
Uma vez, tindolelê
Outra vez, tindolalá

Pirulito que Bate Bate

Pirulito que bate bate
Pirulito que já bateu
Quem gosta de mim é ela
Quem gosta dela sou eu

Pirulito que bate bate
Pirulito que já bateu
A menina que eu gostava
Não gostava como eu

Indiozinhos

Um, dois, três indiozinhos
Quatro, cinco, seis indiozinhos
Sete, oito, nove indiozinhos
Dez num pequeno bote
Iam navegando pelo rio abaixo
Quando um jacaré se aproximou
E o pequeno bote dos indiozinhos
Quase, quase virou.

Se essa rua fosse minha

Eu mandava
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas
Com pedrinhas de brilhante
Para o meu
Para o meu amor passar

Nessa rua
Nessa rua tem um bosque
Que se chama
Que se chama solidão

Dentro dele
Dentro dele mora um anjo
Que roubou
Que roubou meu coração

Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
Tu roubaste
Tu roubaste o meu também
Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
É porque
É porque te quero bem

O Sapo

O sapo não lava o pé.
Não lava porque não quer.
Ele mora lá na lagoa,
E não lava o pé
Porque não quer
Mas, que chulé!

Fui no Tororó

Fui no Tororó beber água não achei
Achei linda Morena
Que no Tororó deixei
Aproveita minha gente
Que uma noite não é nada
Se não dormir agora
Dormirá de madrugada

Oh, Dona Maria
Oh, Mariazinha, oh, Mariazinha, entra nesta roda
Ou ficarás sozinha!

Sozinha eu não fico
Nem hei de ficar!
Por que eu tenho o Pedro
Para ser o meu par!

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