Dança típica do estado do Pará
O carimbó é uma dança cultural da região Norte, que teve origem no estado do Pará durante o século XVII, a partir das danças e costumes indígenas.
O nome é em homenagem ao instrumento musical indígena curimbó, tambor artesanal utilizado em apresentações artísticas e religiosas. A junção de "curi" (pau oco) e "m’bó" (furado) significa em português: “pau que produz o som".
Os movimentos giratórios do carimbó surgiram de um típico hábito de pescadores e agricultores paraenses. Sempre ao final do dia, após terminarem suas atividades, os trabalhadores costumavam se reunir para dançar ao som dos tambores.
Assim como vários tipos de danças brasileiras, o ritmo do carimbó miscigenou-se com outras culturas e recebeu a influências africanas e europeias. O rebolado, por exemplo, é uma herança dos negros.
A integração de outros instrumentos à dança, como o clarinete, saxofone e flauta, é herança recebida dos europeus, bem como a maneira de dançar com a formação de casais.

Mulheres dançando o carimbó. (Foto: Wikipédia)
Origem do carimbó
O surgimento do carimbó é incerto. Sabe-se apenas que o ritmo começou a ser dançado em locais próximos aos municípios de Marapanim e Curuçá, no estado do Pará.
O historiador Agripino da Conceição revela que a dança surgiu em Marapanim, local onde também teria recebido essa nomenclatura . Na região, inclusive, o carimbó é muito cultivado. Todos os anos acontece o "Festival de Carimbó de Marapanim”. No Pará a dança é marcante na região do estuário do Rio Tocantins, Ilha do Marajó e nordeste do estado, onde a maioria dos grupos de carimbó estão concentrados.
No início, devido à imensidão do estado, a dança se dividiu em três grupos: o carimbó praieiro, o pastoril e o rural. Além disso, foram adotadas duas correntes carimbóticas: o estilo tradicional e o moderno. O primeiro, representado pelo cantador Verequete, manteve a sua estrutura musical com referencial marapaniense.
Já o segundo, representado pelo cantador Pinduca, decidiu modificar a sua estrutura, acrescentando um ritmo mais moderno. Na época, isso causou uma intensa rivalidade entre os defensores da tradição e da modernidade. No entanto, os estilos do carimbó variam de acordo com o tipo de atividade desempenhada em cada região. A diferença é percebida nas rimas que são cantadas.
No ano de 1880, o carimbó foi repreendido por forças militares e chegou a ser criminalizado do município de Belém por ser considerado “festa de preto”. O texto da Lei nº 1 028, denominada “Código de Posturas de Belém” dizia o seguinte:
“É proibido, sob pena de 30.000 reis de multa: (...) Fazer bulhas, vozerias e dar autos gritos (...). Fazer batuques ou samba. (...) Tocar tambor, carimbó, ou qualquer outro instrumento que perturbe o sossego durante a noite, etc”.
Contudo, esse cenário começou a mudar em 1960, embora ainda existisse a censura imposta pela Ditadura militar no Brasil. Belém do Pará foi a cidade de terreno fértil para o carimbó, pois foi nessa região que a dança desenvolveu suas principais características. Com isso, o carimbó deu início aos primeiros grupos de carimbozeiros , tornando- se um ritmo popular nas rádios e bailes da cidade.
Características
Entre as características do carimbó podemos destacar o figurino, a coreografia, o tipo de toque dos tambores, os instrumentos, dentre outros. Para dançar, as mulheres usam bastante acessórios nos pulsos e pescoços, e a cabeça enfeitada por flores.
As blusas possuem uma única cor e as saias são bem coloridas e volumosas, a fim de causar um movimento bonito durante a apresentação. Os homens dançam utilizando calças curtas, geralmente brancas, comumente com a bainha enrolada, costume herdado dos ancestrais negros, que devido às atividades exercidas dobravam a bainha de suas roupas. Na execução do carimbó não podem faltar os instrumentos principais: dois tambores, o reco-reco, o afochê, a flauta, o banjo, o pandeiro e o ganzá.
A coreografia normalmente é iniciada pelos homens, que convidam as suas parceiras para dançar, batendo palmas. Já as mulheres retribuem realizando movimentos giratórios e tentando cobrir a cabeça de seus parceiros com as saias. Além disso, a dança também pode ser apresentada pela coreografia da tradição indígena, no qual os participantes imitam animais ao som do tambor, a exemplo do macaco e o jacaré.
Com o tempo, o carimbó foi ganhando notoriedade e atualmente está ligado a diversas comemorações religiosas, como a festa que acontece todos os anos em homenagem ao santo São Benedito, no município de Bragança. Além desse evento, também é comemorado o “carimbó pro santo” em Santarém Novo. Devido a essa ligação com o festejos religiosos, o ritmo paraense conquistou em 2014 o título de Patrimônio Imaterial Cultural do Brasil.
Artistas de destaque
Entre os artistas de destaque é válido citar a banda Calypso, que ajudou a difundir o carimbó para outras regiões do Brasil. Além da banda, outros artistas regionais contribuíram para o reconhecimento da dança. São eles:
• Pinduca do grupo "Pinduca e banda" (Belém);
• Aroldo do grupo “Revelação do Zimba (Salinópolis);
• Ticó do grupo “Quentes da Madrugada” (Santarém Novo);
• Lico do grupo “Beija-Flor” (Vigia);
• Moacir do Grupo “Filhos de Maiandeua” (Maracanã);
• Mário do grupo“Japiim” (Marapanim);
• Elias do grupo “Raios de Luz” (Curuçá);
• Verequete e Manoel do grupo "O Uirapurí" (Belém);
• Amélia do grupo “Cruzeirinho” (Soure/Marajó);
• Bigica do grupo “Sereia do Mar” (Marapanim).
Dos artistas de carimbó, o cantor e compositor Pinduca é o mais popular nas rodas de apresentações. Confira algumas das suas músicas:
Carimbó do macacoEu quero ver, ô, menina eu quero verEu quero ver, você agora embolarEu quero ver, ô, menina eu quero verO carimbó do macacoQue eu fiz pra você cantarÉ macaco caco macacoMacaco, macaco auO macaco ó do macacoO macaco do macacalEu conheço um macaquinhoQue é filho do macacãoNeto do macaco velhoQue mora lá no sertão.”Carimbó do sococóO socó estava na lagoasocó, socó a espera de um peixe pra pescarsocó, socónesse dia a pesca não deu boasocó, socóchegou sete socó pra se coçarsocó,socó (bis)Coça socó torne a se coçare um socó só pra sete socó coçare um socó so pra coçar sete socósão sete socó pra um so socó coçar.