Espaço gera a união da arte circense com a cultura popular
O circo é o local onde são feitas as apresentações de arte circense. Ao longo do tempo, sofreu diversas modificações. Do ponto de vista histórico, não é possível determinar uma data específica para o começo da prática da arte circense. Entretanto, na China, existem pinturas de 5.000 anos que registram figuras de acrobatas, contorcionistas e equilibristas.
Naquele contexto, os movimentos faziam parte dos exercícios de treinamento dos guerreiros e foram ganhando graça e harmonia.
Caminho para a aparição do circo
Ainda no passado da China, no ano de 108 a.C, aconteceu uma grande celebração de boas-vindas para alguns visitantes do território chinês. Nesse evento, segundo historiadores, ocorreram demonstrações de acrobacias. Daí em diante, o imperador ordenou que tais apresentações fizessem parte das mais diferentes celebrações.
No Egito Antigo e na Índia também existem registros históricos de pinturas de malabaristas. Já na Grécia Antiga, o contorcionismo era uma modalidade olímpica. E quando o circo ficou prestes a entrar em cena? Por volta do ano 70 a.C, momento em que surgiu o Circo Máximo de Roma, com capacidade para 150 mil pessoas. O espaço era usada as corridas de carruagens e as lutas dos gladiadores.
Após ser destruído por um incêndio, esse anfiteatro deu lugar ao Coliseu, com capacidade para 87 mil pessoas. O local serviu para apresentação de engolidores de fogo, gladiadores e espécies de animais considerados exóticos.
Com o começo da História Medieval e a posterior perseguição aos seguidores de Cristo, entre os anos 54 e 68 d.C, lugares como o Coliseu foram usados como demonstração de poder. Para tal finalidade, diante do público, os cristãos eram jogados aos leões. Nesse contexto, as apresentações
dos artistas ocorreram em praças, feiras, entradas de igrejas.
No século XVIII, grupos de saltimbancos realizavam números na França, Espanha, Inglaterra. Eles mostraram habilidades de combates e equitação.
Nasce a estrutura circense
O circo moderno tem origem em Londres, na Inglaterra. Ele começou com o Astley’s Amphitheatre, inaugurado em 1770, por Philip Astley (1742-1814), um oficial inglês da Cavalaria Britânica.
Esse anfiteatro foi composto por um picadeiro com arquibancada próxima da atração, geralmente um espetáculo com cavalos. Pouco tempo depois da inauguração, o oficial acrescentou no espaço as performances de saltimbancos, equilibristas e palhaços.
O palhaço do anfiteatro era um soldado. Ele entrava montado ao contrário e fazia diversas situações engraçadas. Com o tempo e sucesso da forma de exibição, a figura do soldado foi adaptada para várias outras situações.
Astley era o apresentador dos espetáculos, fato que fez surgir o papel do mestre de cerimônia.
Modelo de circo inglês ganhou o mundo. (Foto: Pixabay)
Breve histórico brasileiro
No Brasil, a história do circo itinerante começa no século XIX. Ela está ligada com os ciganos por uma sequência de acontecimentos:
• A chegada dos ciganos em solo brasileiro. Eles eram perseguidos na Europa;
• Andando de cidade em cidade, eles armaram as suas tendas e fizeram apresentações lúdicas;
• Os ciganos tinham destreza com animais e talento para o ilusionismo;
• Eles adaptavam suas apresentações para o gosto do público de cada região.
Além dos ciganos, famílias europeias instalaram circos itinerantes nas periferias das cidades brasileiras. Com um público formado pela classe popular, o palhaço era o principal personagem do grupo de artistas.
No entanto, vale ressaltar que o palhaço brasileiro ganhou características próprias, na relação com o europeu. Enquanto o artista do Velho Mundo se comunicava com mímica, o brasileiro falava muito, era conquistador e tinha habilidades como o canto. A característica de ser um artista com múltiplas habilidades é a base do atual momento circense do país.
Circo contemporâneo
O chamado circo contemporâneo é um fenômeno que aparece das mudanças de valores da sociedade global e os seus novos anseios. Quando os profissionais circenses colocaram os filhos na universidade, ao invés de ensinar apenas os ofícios artísticos, contribuíram para a formação de uma geração de artistas que atuam mais na administração dos espetáculos.
Como resultado, no final dos anos 70, apareceram as primeiras escolas de circo. Entre os acontecimentos históricos de tal cenário, cabe destacar:
• Na França, a primeira
instituição que surgiu foi a Escola Nacional de Circo Annie Fratellini, em 1979. Ela tinha o apoio do governo; • No Canadá, em 1981, artistas performáticos entraram em escolas circenses que tinham ginastas como professores;
• Em 1921, aconteceu a criação das primeiras
escolas de circo na União Soviética. O fato colocou as apresentações circenses no patamar de arte, com inovação nos números exibidos.
No Brasil, a primeira escola dessa expressão artística foi criada em São Paulo, em 1977. O nome da instituição era Piolin (1897-1973), nome de um grande palhaço brasileiro. O espaço funcionava perto do Estádio do Pacaembu. É importante destacar também a Escola Nacional de Circo, inaugurada em 1982, na capital do Rio de Janeiro. Ela gerou oportunidades para os artistas de diferentes locais do país.
Por fim, vale mencionar relevantes grupos como o Intrépida Trupe, Acrobáticos Fratelli, Nau de Ícaros, Linhas Aéreas.
Apresentações circenses
Ao longo dos séculos, o circo e a arte circense incorporaram novas roupagens, formando espetáculos culturais com grande simbologia e encanto. Entre os números que estão mais presentes na cultura e pensamento popular é possível mencionar:
• Cama de pregos – Superfície plana de madeira coberta por muitos pregos com as pontas viradas para cima, sobre a qual o artista se deita;
• Canhão – Aparelho metálico tubular de propulsão utilizado em número de homem-bala, no qual o artista é ejetado em cena;
• Acrobacia – Conjunto de exercícios de destreza e agilidade física, que inclui saltos, cambalhotas e giros com o corpo, no solo ou no ar. É considerada a base do artista circense;
• Força capilar – Número em que um artista realiza ações suspenso pelo cabelo.
Apesar de ter um marco inicial impreciso, a arte circense dialoga com as culturas antigas da China, do Egito, da Grécia. Dos espetáculos romanos até o circo moderno, existem características que conectam essa forma de expressão.
São características presentes em movimentos corporais, falas, danças. Em cada país essa arte preserva e ressignifica acontecimentos culturais, sociais e políticos.