Arte Ligada ao Renascimento
A Commedia dell’arte está ligada à forma popular e improvisada de fazer teatro. Suas atividades se iniciaram na Italia, a partir do século XVI. Posteriormente, a França foi quem recebeu esse tipo de arte, que permaneceu no auge até o século XVIII e a partir daí começou cair e perder a força que possuía.
A Commedia Dell’Arte, também pode ser denominada de commedia all’improviso e commedia a soggetto.
Uma das principais oposições que é feita, é a comédia Erudita, visto que queria que fosse um pouco diferente de tudo o que já existia e era praticado.
As apresentações aconteciam nas ruas e praças públicas das cidades por onde as companhias de teatro passavam. Para que as apresentações ocorressem, as companhias sempre pediam permissão para as pessoas daquele lugar.
Para realizar o espetáculo, eles utilizavam carroças ou improvisavam um pequeno palco com o que estivesse ao alcance e pudesse ser utilizado.
O propósito inicial de quem participava da Commedia Dell’Arte era se divertir e conseguir também fazer com que o público encarasse a realidade de forma cômica.

A commedia dell’arte era feita em vários lugares e em cima de carroças ou palcos improvisados.(Foto: Wikimedia Commons)
História da Commedia Dell’Arte
O começo da Commedia Dell’Arte não se sabe ao certo como foi, mas algumas pessoas relatam como se ela tivesse sido herdada das festas atelanas, que aconteciam na cidade de Atella, localizada na península itálica meridional e serviam para homenagear o deus Baco.
As companhias de Commedia Dell’Arte não ficavam somente em um lugar, se apresentando em lugares distintos. Para o espetáculo, eles tinham um pequeno roteiro, que era chamado de canovaccio, mas tinham total liberdade para criar suas falas no decorrer no show.
Eles conseguiam conversar com o público, interagir com eles e fazer com que cada um dos espectadores presentes conseguissem também se sentir pertencentes àquele teatro.
Todo o elenco ou grande parte dele tinha seus personagens fixos, não saiam facilmente e nem eram trocados ou atualizados. Alguns viviam exclusivamente para os papéis que exerciam, ficando neles até a morte ou por um longo período de tempo.
Logo no começo das apresentações, as histórias se resumiam na relação existente entre patrão e servo, o que foi mudado posteriormente.
Quando as mulheres começaram a fazer parte das companhias de teatro, iniciaram-se outros roteiros, bem como as histórias de amor e intriga entre casais.
Por vezes, o canovacci trazia casais que desejavam manter um relacionamento e até mesmo se casar, porém, existiam muitas adversidades no decorrer do caminho que os afastavam.
O decorrer da trama não permitia que eles terminassem separados, pois o amor prevalecia sempre e os jovens enamorados ficavam juntos e felizes.
Uma especificidade forte é a ironia que colocavam para poder falar dos militares, prelados, banqueiros, negociantes, nobres e plebeus. Eles buscavam interagir com um grande público e fazer com que eles dessem muita risada através dos artifícios utilizados: música, dança, acrobacias e conversações cheias de ironia e muito humor.
Logo quando a Commedia Dell’Arte começou a cair, no século XVIII, Carlos Goldino tentou fazer com que ela não terminasse e fez de tudo para conseguir recuperá-la. Algumas modificações começaram a ser implantadas. Foram colocados elementos da vida real e textos que foram elaborados diretamente para cada um dos atores. Isso deu uma grande levantada nas companhias e essas levaram o espetáculo por vários países do continente europeu.
Personagens
Os personagens que participavam da Commedia Dell’Arte eram caricaturados, tipificados, estereotipados e todos eles estavam divididos em três diferentes grupos: enamorados, patrões e criados.
Entenda mais sobre essa divisão:
• Enamorados: eram os casais que queriam se casar e não tinham modos engraçados. Eles estavam com o pensamento voltado para a pessoa amada e no futuro que teriam juntos.
• Criados: eram os personagens que não tinham muita renda, aqueles mais pobres e vulneráveis financeiramente.
• Patrões: eles também poderiam ser chamados de velhos e eram as pessoas que tinham mais dinheiro. A situação financeira sempre estava elevada.
Os personagens mais conhecidos eram os Zannis - os trapaceiros, cômicos, malandros e criativos.
Existiam muitos Zannis, dentre eles a Pulcinella, Pedrollino, Brighela, Temellino, Nepolino, Fagotino, Truffaldino, Pasqualino, Bertollino Tortelino e também um dos que mais recebia atenção, o Arlequim.
Acompanhe abaixo, os principais personagens da Commedia Dell’Arte:
• Colombina: era a namorada de Arlequim e a única criada feminina. Graciosa, inteligente, ágil, habilidosa e ainda tinha vários nomes: Esmeraldina, Diamantina, Pasquela, Ricciolina, Coralina, Argentina e Franceschina.
• Pantalone: retratava um velho rico, que gostava de mandar, conservador e avarento.
• Arlcchino: era considerado o personagem de maior relevância, era um servo, palhaço, ágil e bastante malandro.
• Pedrollino: também era chamado de Pedro ou de Pierrot, era um servo fiel e muito correto.
• Brighella: exercia trabalhos para Pantalone e era um servo fiel, astuto, egoísta, ágil, cínico e também um cantor trapaceiro.
• Pulcinella: conhecido também como Punch, ele era o corcunda da commedia dell’arte.
Dentre esses, existiam também alguns outros, como: Dottore, Capitano, Orazio, Iabella, etc.
As Máscaras na Commedia Dell’Arte
Um componente sempre presente na Commedia Dell’Arte era a máscara. Os atores se utilizavam dela para representar os personagens que interpretavam.
Elas apareciam em qualquer história e eram criadas pelos intérpretes que, a partir do que viviam no dia a dia, criavam realidades sociais de acordo com época em que a encenação estava passando.
As máscaras davam um “efeito” especial no desenrolar da história. A plateia que ia acompanhar os shows esperava ver o que ia acontecer, como terminaria a história de tal máscara, devido ao improviso das apresentações
O objeto era por onde eles conseguiam reconhecer os personagens e muitos só iam para os espetáculos para ver as máscaras.
Não tinha outro modo para os personagens se encaixarem, se não fosse através das máscaras. Ela era o principal artifício das apresentações que aconteciam naquela época.
Existem até os dias atuais algumas máscaras desse gênero teatral, são os arquétipos que até então continuam encantando as pessoas que param para assistir a Commedia Dell’Arte.
Os arquétipos são caracteres que possuem particularidades inerentes aos seres humanos de culturas distintas.