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Construtivismo nas artes

Postado por Thiago Conceição em 04/09/2019

Fez parte da vanguarda artística europeia


O construtivismo nas artes foi um movimento estético que começou na Rússia, pouco tempo após a Revolução Russa de 1917. Ele foi fruto das vanguardas europeias do século XX, além de ter tido forte influência da arquitetura.

Entre os seus princípios construtivistas estava a negação de uma forma de arte “pura” e a contestação da ideia de que a arte era um elemento de criação separado do cotidiano. A arte, movida pela esperança dos novos ares do socialismo, tinha que ser elaborada por técnicas e materiais modernos e apresentar objetivos sociais.

Contexto histórico


Em 1917, o termo arte construtivista apareceu pela primeira vez pelo pintor Kazimir Malevich (1879-1935), russo que descreveu o trabalho de um compatriota, o artista plástico e fotógrafo Alexander Rodchenko (1891-1956).

Enquanto movimento, o construtivismo nas artes seguiu até 1934, na União Soviética e na antiga República de Weimar. No decorrer desse período, as expressões inovadoras do movimento contribuíram para a arte moderna.

Antes de seguir, cabe mencionar o motivo do movimento durar até 1934. Por questão política e ideológica, daquele ano em diante, a única forma de arte admitida na URSS era o Realismo de cunho socialista.

Características do construtivismo nas artes


O construtivismo nas artes apresentou características como:

• Utilização de elementos geométricos;
• Cores primárias;
• Fotomontagem;
• Tipografia sem serifa.

A arte teve influência do design moderno, prática e ideologia de design que têm suas origens no século XIX. No âmbito das artes plásticas, praticamente toda arte abstrata geométrica do período pode ser considerada construtivista. Os artistas consagrados em alguns segmentos artísticos foram:

• Teatro: Vsevolod Emilevitch Meyerhold (1874-1940), ator, encenador e dramaturgo russo;
• Cinema: Serguei Eisenstein (1898-1948), diretor, roteirista e editor russo;
• Poesia: Nicolai Asseiev (1889-1963), poeta e escritor russo.

Contexto social e político


O construtivismo colocou na arte moderna uma realidade revolucionária e uma função social e política. Vale reforçar que foi um movimento influenciado pelo marxismo e conectado com a Revolução Russa.

Essa forma de expressão tentava colocar o artista como um agente que poderia ajudar toda a sociedade, suprindo as necessidades físicas e intelectuais daquele momento revolucionário. Por isso, o construtivismo nas artes ganhou fatores políticos e sociais. Entre eles, vale mencionar:

• A contribuição do artista partiria do relacionamento com as máquinas, com a engenharia arquitetônica e com os meios de comunicação;
• A arte seria o instrumento de transformação social, pois participaria da reconfiguração de todo um modo de vida;
• A arte seria o modo de resolver as necessidades materiais e organizar o proletariado revolucionário;
• Não para a arte política, sim para a socialização da arte.

No Brasil, o concretismo foi o movimento que teve algumas das motivações do construtivismo. Além disso, motivou trabalhos de artistas brasileiros na década de 1930, a exemplo de Oswald de Andrade (1890-1954) e Patrícia Galvão (1910-1962).

Estética construtivista


O Manifesto Realista definiu as características da expressão do construtivismo nas artes. Ele foi escrito por Naum Gabo (1890-1977), escultor e arquiteto russo, e assinado por seu irmão, o escultor Antoine Pevsner (1884-1962).

O documento estabeleceu cinco renúncias com as formas artísticas anteriores:

• A cor como elemento pictórico;
• A linha e o seu valor descritivo;
• O volume como uma forma de espaço pictórico e plástico;
• A massa como elemento escultórico;
• A ilusão da arte como o único elemento das artes plásticas e pictóricas.

Voltadas para a arte não-figurativa, as definições do manifesto foram publicadas no dia 5 de agosto de 1920, em Moscou (Rússia). É importante mencionar que as limitações desse primeiro manifesto construtivista contrariaram as ideias metafísicas do pintor Malevich, precursor do nome do movimento.

Entre os estudiosos, as divergências sobre o construtivismo nas artes não ficaram restritas ao manifesto. Sobre a motivação do nome existem duas teorias principais:

• O termo construtivismo como o lugar da arte não-objetiva (as formas puras);
• O termo construtivismo como substituto do “objetivismo” oriundo da cultura material da arte de Tatlin.

A arte construtivista de Vladimir Tatlin


Vladimir Tatlin, pinto, escultor e arquiteto soviético, desenvolveu alguns trabalhos artísticos sem tanta preocupação com os significados das entrelinhas. Entretanto, em cada obra, deu importância para os materiais e o espaço ocupado por sua peça.

Entre o construtivismo nas artes que realizou, surgiram interações e justaposições que fizeram sobressair reflexões abstratas. As suas esculturas prevaleceram para além dos espaços circundantes, pois apresentaram dinamismos e dimensões que buscaram criar tensões ou contemplações.

Apesar da grande habilidade como arquiteto e escultor, sua fama somente apareceu após o Monumento à Terceira Internacional (1919-20). Inspirada na torre Eiffel, de Paris, essa arte foi elaborada em homenagem à Revolução Bolchevique.

O monumento foi constituído por uma estrutura em espiral de ferro, sustentado por três blocos cobertos por janelas de vidro e elementos rotativos. Apesar da audácia do projeto, nunca foi construído, mesmo com uma maquete apresentada em Moscou em 1920.


Monumento à Terceira Internacional. (Foto: Flickr)


Naquele momento, a barreira para a real construção da obra em solo russo foi a falta de recurso financeiro. Apesar disso, o Monumento à Terceira Internacional representou questões como:

• A conexão da arte com a tecnologia;
• O espírito vanguardista do artista;
• A criação de uma utopia;
• A consolidação do estilo construtivista.

Cabe destacar que a obra de Tatlin partia do princípio de colocar a arte ao serviço da tecnologia industrial. Isso foi reforçado no próprio gosto do artista por materiais como o metal.
 
Além disso, preservou a importância da arte no modo de vida social, atrelando a engenharia e a tecnologia nas expressões. Ele conseguiu idealizar e conceber um estilo artístico construtivista e inovador.

Por isso, ao mencionar a arte construtivista, cabe lembrar que ela partiu de materiais que exibiram as virtudes e ideais de cada artista, criando diferentes identidades. No caso de Tatlin, contrariava questões como a limitação da arte em poucas formas geométricas e o padrão de cores restrito, acreditando que tais fatores não contribuíam para o alcance de uma “arte pura”.

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