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Curupira

Postado por Juliete Neves em 26/03/2019

Lenda do folclore brasileiro


O curupira é uma das mais antigas lendas do folclore no Brasil. De acordo com as narrativas populares, ela é representada por um garoto muito astuto e perverso que vive nas matas brasileiras, protegendo os recursos naturais dos exploradores que invadem as florestas.

De figura estranha, o curupira possui um volumoso cabelo vermelho. Entretanto, sua característica mais marcante são os dois pés virados para trás e os calcanhares para frente. Essa estrutura inversa serve para que os caçadores se percam nas florestas. Como suas pegadas ficam ao contrário, muitos invasores ficam confusos e se perdem nas matas.

Dentre as diversas atribuições dadas ao curupira, o jesuíta José de Anchieta o descreveu como demônio. Além desse, antropólogos e contadores o responsabilizam pelo desaparecimento de viajantes e caçadores, fazendo-os perder o caminho correto, esquecer das rotas traçadas, além de assobios e sinais sonoros falsos pelas florestas. 

Por se tratar de uma representação do lendário nacional, o governo do Estado de São Paulo, através da lei de 11 de setembro de 1970, por meio do então governador Roberto Costa de Abreu Sodré, instituiu o curupira como símbolo estadual protetor das florestas e dos seres que nela habitam.


Na cidade de Olímpia (SP), há mais de três décadas não é assinado nenhum documento oficial no período da semana do folclore brasileiro, no mês de agosto. Nesse período, simbolicamente, a autoridade municipal é atribuída ao curupira, sendo sua responsabilidade proteger, além das matas e animais, os visitantes do município. 

Outra curiosidade é o fato de que no bairro Horto Florestal, em São Paulo, há uma estátua em homenagem ao curupira, inaugurado no dia 21 de setembro, mesma data de celebração ao Dia da Árvore.

Origem da lenda do curupira


Não há exatidão na data de criação da lenda do curupira, porém por volta de 1534 a 1597, o padre jesuíta José de Anchieta já havia descrito o curupira como um ser demoníaco perseguidor de índios.

Esse símbolo da cultura nacional é considerado uma figura perigosa, perversa e muito temida, principalmente por crianças, índios e lenhadores. Capaz de fazer feitiços, o curupira rapta crianças e só as devolve depois de passados sete anos, segundo a fábula popular.

A história dessa lenda envolve diversos mistérios, relatos de pânico e desaparecimento de pessoas. Por gostar muito de fumar, beber cachaça e lugares pouco habitados, dificilmente ele se afastaria das florestas. Alguns caçadores deixam fumo e pinga antes de adentrar as matas para agradar ou distrair esse “ser demoníaco”.

Outra maneira de distrair a atenção do curupira é por meio da sua curiosidade, provavelmente seu maior ponto fraco. A lenda garante que para fugir das suas armadilhas basta enrolar bastante um novelo de cipó e esconder com eficiência a sua ponta.

Muito observador, ele ficará disperso tentado desfazer o novelo, fazendo com que a vítima das suas artimanhas consiga fugir sem maiores interferências.

Origem da palavra

A palavra curupira possui origem no dialeto indígena tupi-guarani, subdividido em curu, uma variação do termo curumim, que significa "menino/garoto", e pira significando "corpo". Ou seja, curupira, em sua tradução mais fidedigna significa “corpo de menino”.

O padre José de Anchieta, em seus escritos literários, o descreveu ainda no século XVI como um ser possuído por demônios.

É coisa sabida e pela boca de todos corre que há certos demônios, chamam Curupira, que acontece aos índios muitas vezes no mato, dão-lhe açoites, machucam-nos e matam-nos. São testemunhos disso os nossos irmãos, que viram algumas vezes os mortos por eles. 

Por isso, costumam os índios deixar em certo caminho, que por ásperas brenhas vai ter ao interior das terras, no cume da mais altas outras coisas da montanha, quando por cá passam, penas de aves, abanadores, flechas e semelhantes, como uma espécie de oferenda, rogando fervorosamente aos Curupiras que não lhes façam mal.

Declaração de José de Anchieta sobre o personagem folclórico.

História do folclore


O folclore é uma manifestação da cultura popular nascida no final do século XVIII quando estudiosos iniciam pesquisas sobre a poesia na Europa, mais precisamente na AlemanhaDurante os estudos, a cultura popular foi descoberta, em detrimento da cultura erudita já praticada e valorizada pela elite europeia naquele período. Rapidamente o interesse foi disseminado através de outras manifestações culturais, por meio de músicas, literatura, práticas religiosas e outras atividades que na época foram chamadas de “ antiguidades populares”.

Logo, o termo “folclore” começou a ser utilizado para fazer referência aos costumes e tradições das classes mais populares da sociedade, dando a esta manifestação cultural a designação de cultura não escrita de um povo. Com o avanço das tecnologias, muitas crendices populares deixaram de ser disseminadas e, com isso, caíram em descrédito. 


A cultura do maracatu representa o folclore brasileiro. (Foto:Wikipédia)


Atualmente, o fenômeno do folclorismo é reconhecido enquanto ciência, sendo objeto de estudo e reconhecido pela Unesco, a ponto de ser estudado nas escolas com o intuito de fortalecer e estabelecer identificação das manifestações de cultura entre diferentes gerações.

No Brasil, em 2001, início do século XXI, o presidente Nacional do Folclore, falou sobre a importância dessa expressividade popular.

Esse processo é a espetacularização das manifestações folclóricas pela pressão dos meios de comunicação de massa e do turismo. 

Algumas das manifestações tradicionais guardam a natureza de espetáculos, que têm sido levados à exacerbação, convertendo-se em produto da cultura de massas. O exemplo mais evidente é o do boi-bumbá de Parintins. 

Preocupante, porém, é o caso de manifestações de natureza ritual, reservadas aos membros de comunidades religiosas, que por seu exotismo estão sendo cooptadas para converter-se em eventos de massa. 

É o caso das panelas-de-Iemanjá, convertidas em festivais para turistas. Diante desse quadro, torna-se necessária uma nova postura liberada dos preconceitos etnocêntricos, a reciclagem das técnicas de pesquisa em trabalho interdisciplinar com a incorporação das contribuições renovadas das ciências humanas e das ciências da linguagem, o uso de novas tecnologias e equipamentos disponíveis.


Diversas lendas do folclore brasileiro

Rico em diversidade e histórias místicas, o folclore é composto por diversas outras lendas, além do curupira, dentre elas estão: 

•Mãe-de-ouro;
•Boto Cor-de-rosa;
•Bicho Papão;
•Papa-figo;
•Negrinho do Pastoreio;
•Vitória Régia;
•Lenda do Guaraná;
•Cobra grande;
•Mandioca;
•Barba ruiva;
•Brabador;
•Jurupari;
•Acutipupu;
•Ahó Ahó;
•Alamoa;
•Guaraná;

Curiosidades sobre o Curupira


• O Dia do Curupira, o protetor das florestas, é comemorado no dia 17 de junho;
• A lenda do Curupira tem uma representação diferente em cada região do país. Em alguns locais que ele é representado na forma de um duende. Em outros locais ele não possui o famoso cabelo vermelho e leva um machado nas mãos.

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