Importante manifestação cultural do Nordeste brasileiro
Lembrado pelas cores alegres e vibrantes e pelos movimentos únicos, agitados e frenéticos da dança, o frevo é uma das mais importantes manifestações culturais brasileiras. O seu surgimento e formação estão diretamente ligados a importantes momentos da história da Região Nordeste do Brasil.
Em 2012, a UNESCO lhe concedeu o título de Patrimônio Imaterial da Humanidade, com o atributo “Frevo: Arte do Espetáculo do Carnaval do Recife”.
Surgiu no final do século XIX, nas ruas de Recife e tem até hoje importante contribuição no carnaval da capital pernambucana. O seu nome vem da forma agitada e acelerada como os foliões dançavam nas ruas, como se estivessem de fato “fervendo”.
Em 14 de setembro de 1882 nasceu o jornalista Oswaldo Oliveira. Ele criou o termo “frevo” e em razão disso, nesta data, se comemora oficialmente o dia dessa expressão artística.
Em 9 de fevereiro de 1907 o termo “frevo” foi usado pela primeira vez pelo Jornal Pequeno e em Pernambuco, também é comum celebrar esse dia como o dia do frevo.

O frevo também é Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. (Foto: Wikipédia)
História
No final do século XIX e início do século XX, o Brasil passava por dois momentos históricos muito importantes e que influenciou diretamente na formação do frevo.
São eles: a Abolição da Escravatura e a Proclamação da República. Logo após a abolição, iniciou-se um movimento de reformulação das divisões das classes no país.
Os escravos recém libertos começaram a se tornar operários e passaram a fazer mais presença na sociedade e na rua. A elite daquela época comemorava um carnaval mais sofisticado, com influência europeia, com roupas de luxo e máscaras.
As pessoas que pertenciam às classes mais baixas, começaram a ocupar a rua para festejar, o que não agradou muito a elite. Além do desconforto provindo da ocupação, os foliões também tiveram que enfrentar a repressão da polícia, que tentava a todo modo proibir o que estava acontecendo.
Parte dessa repressão vinha das características violentas da capoeira, presente na dança do frevo.
Os guarda-chuvas não eram meramente um objeto visual, eles serviam como arma em um momento de briga. Com o passar do tempo, os guarda-chuvas foram diminuindo e ganhando mais cores, até chegar no modelo conhecido hoje.
O confronto entre as bandas militares e os escravos também ajudaram na formação da dança do frevo.
Tipos
Existem três tipos principais de frevo: o Frevo de Rua, o Frevo de Bloco e o Frevo Canção. Eles foram divididos assim na década de 30.
• De Rua
A característica principal deste tipo é a ausência de letra. Ele é feito para dançar apenas com o acompanhamento da orquestra.
Ele também conta com 3 subdivisões, são elas o frevo coqueiro, onde se toca instrumentos como trombones e trompetes, o frevo ventania ande se toca os instrumentos como saxofone e o frevo de abafo que utilizado na rua, para poder abafar o som de um trio.
• De Bloco
Nesse tipo faz-se o casamento entre vozes femininas e instrumento de corda, como violão, bandolim e outro.
• De Canção
Esse tem a mesma definição do frevo de rua, mas é acompanhado por uma voz feminina ou masculina.
Principais representantes e canções
Principais representantes:
• Claudinor Germano
• Capiba (Lourenço da Fonseca Barbosa)
• Alceu Valença
• Spok Frevo Orquestra
• Nelson Ferreira
• Elba Ramalho
Principais canções:
• Marcha das Vassourinhas
• Roda e Avisa
• Último Regresso
• Diabo Louro
• Madeira Que Cupim Não Rói
• Frevo Mulher
- Confira abaixo a letra da música Diabo Louro, interpretada por Alceu Valença.
Um diabo louro faiscou na minha frenteCom cara de genteBonita demaisChegou de bobeira, marcando zoeira no meio da praçaQuebrando vidraçasIsto não se fazUm diabo louro faiscou na minha frenteCom cara de genteBonita demaisChegou de bobeira, marcando zoeira no meio da praçaQuebrando vidraçasIsto não se fazFoi paranóico, fantástico, mágicoMe fez sedento, atento, elásticoChegou rasgando, pisando, chicletizando totalQue loira bonita fazendo o diabo do meu carnavalUm diabo louro faiscou na minha frenteCom cara de genteBonita demaisChegou de bobeira, marcando zoeira no meio da praçaQuebrando vidraçasIsto não se fazUm diabo louro faiscou na minha frenteCom cara de genteBonita demaisChegou de bobeira, marcando zoeira no meio da praçaQuebrando vidraçasIsto não se fazFoi paranóico, fantástico, mágicoMe fez sedento, atento, elásticoChegou rasgando, pisando, chicletizando totalQue loira bonita fazendo o diabo do meu carnaval
Paço do Frevo
O Paço do Frevo é uma espécie de museu dedicado à valorização do frevo.
O espaço é um centro de referências que tem como principal função enaltecer esse elemento tão importante na formação cultural nordestina.
Quem visita o prédio, pode experimentar e conhecer um pouco mais do carnaval recifense e sua história de uma forma muito intensa.
Foi inaugurado no dia 9 de fevereiro de 2014 e conta com não apenas objetos históricos, mas também com ações de estudo, pesquisa, criação, apresentações, oficinas e vivências, além de movimentos ligados ao ritmo.
Criado a partir de uma parceria entre A Fundação Roberto Marinho, O Governo Federal, A Prefeitura de Recife e o IPHAN, o Paço do Frevo recebeu mais de 120 mil visitantes no ano da sua inauguração.

O museu fica localizado em frente a Praça do Arsenal da Marinha. (Foto: Wikipédia)
O Galo da Madrugada
Criado em 1978, o bloco de carnaval Galo da Madrugada é um dos mais famosos elementos culturais do carnaval de Recife.
Ele foi pensado para sair pelas ruas bem cedo, na madruga, no primeiro dia da festa, com a intenção de acordar os foliões e levá-los às ruas do bairro de São José, localizado no centro de Recife. O bloco é um importante elemento para a propagação e divulgação do frevo.
Em 1995, foi considerado pelo Guiness Book – o livro mundial dos recordes – como maior bloco de rua do mundo. Desde de 2015, consegue levar mais de 2,5 milhões de pessoas às ruas da capital pernambucana.

A figura do galo gigante é tradição do bloco . (Foto: Wikimedia Commons)