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Grupo dos Cinco

Postado por Adriana Lopes em 05/12/2018

Equipe de artistas responsáveis pela criação da Semana de Arte Moderna


O Grupo dos Cinco foi o conjunto de artistas que liderou a Semana de Arte Moderna no Brasil formado pelas pintoras Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, e pelos escritores Menotti Del Picchia, Oswald de Andrade e Mário de Andrade.

A Semana de Arte Moderna foi uma manifestação artística muito importante para a história cultural brasileira. Realizada entre os dias 11 e 18 de fevereiro, no Teatro Municipal de São Paulo, ela deu o pontapé para o fortalecimento do modernismo brasileiro.

Grandes mudanças culturais sucederam após a realização desse evento, que aconteceu em meio a um período turbulento para os brasileiros em diversos aspectos.

Contexto histórico


Em 1922, ano em que aconteceu a Semana de Arte Moderna, o Brasil enfrentava um período de agitações tanto sociais, como políticas e econômicas. Nesse período, a política era dominada pelas oligarquias cafeeiras (República Velha), onde os coronéis de São Paulo e Minas Gerais se revezavam no poder.

Nesse contexto, a realização daquele evento tinha objetivos não apenas culturais e artísticos, mas também políticos, com manifestações que expressavam oposição à política totalitária que predominava naquele período, o que chocou grande parte da população.

Modernismo e a Semana de Arte Moderna


O Modernismo surgiu nos países da Europa no final do século XIX com o objetivo de desconstruir a arte tradicional. Chegou ao Brasil somente na primeira metade do século XX, com destaque nas artes plásticas e literatura. A Semana de Arte Moderna foi responsável por impulsionar esse movimento modernista no país. Ela foi uma manifestação artística-cultural que proporcionou a apresentação de ideias inovadoras. 

Cerca de 100 obras foram expostas durante os sete dias, além de três sessões literárias-musicais que contaram com nomes importantes. Além dos integrantes do Grupo dos Cincos, participaram também artistas como Vicente do Rego Monteiro, Di Cavalcanti e Zina Aita.

Anita Malfatti


Um dos grandes nomes das artes no Brasil, Anita Malfatti (1889 – 1964) foi desenhista, ilustradora, pintora e professora. Seus primeiros dons artísticos foram desenvolvidos enquanto ainda era criança, por sua mãe Eleonora Elizabeth Krug, que após a morte do marido, precisou dar aulas de idiomas e pintura para manter o sustento da família.

Anita estudou gravura e pintura na Alemanha entre os anos de 1910 e 1914. Neste último ano, já no Brasil, realizou sua primeira exposição com o objetivo de arrecadar fundos para retornar à Europa. Seu trabalho foi muito criticado pelo então senador José de Freitas Valle.

Sua segunda exposição aconteceu somente em 1917, também alvo de muitas críticas de Monteiro Lobato. Entretanto, anos depois ela foi convidada para ilustrar diversos livros do escritor. Em 1919, conheceu Tarsila do Amaral e juntamente com os demais amigos integrou o Grupo dos Cinco. Participou da Semana de Arte Moderna em 1922 com 22 trabalhos expostos.

Após esse acontecimento, Anita Malfatti voltou à Europa retornando ao país de origem apenas em 1928 e se deparou com um ambiente artístico diferenciado de quando deixou o país. Nesse período ela passou a lecionar na Universidade Mackenzie, onde ficou até 1933. Foi ainda nomeada presidente do Sindicado dos Artistas Plásticos de São Paulo em 1942.

Atualmente, algumas de suas obras mais importantes figuram nos grandes museus do país, como “A Estudante”, no Museu de Arte Moderna de São Paulo; “Uma Rua”, no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro; e “A Boba”, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

Anita faleceu na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo no dia 06 de novembro de 1964.

Tarsila do Amaral

Tarsila do Amaral (1886 – 1973) é considerada uma das principais artistas do modernismo no Brasil. Aos 16 anos, pintou seu primeiro quadro nomeado “Sagrado Coração de Jesus” em Barcelona, na Espanha, onde concluiu seus estudos.

Conheceu o escultor sueco radicado em São Paulo, William Zadig, em 1916, onde aprendeu modelagem em barro e em 1920 foi à Paris estudar na pintura e escultura na Academia Julian. Seu quadro foi aceito no Salão Oficial dos Artistas Franceses em 1922, ano em que integrou o Grupo dos Cinco e liderou a Semana de Arte Moderna. 

Suas obras tiveram características das três fases do Renascimento (Pau Brasil, Antropofágica e Social). Algumas delas são: “A Estação Central do Brasil” (1924), “A Feira” (1924), “O Pescador” (1925) e “Abaporu” (1928).

Tarsila faleceu no dia 17 de janeiro de 1973, no Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo.


Da esquerda para a direita: Pagu, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Elsie Houston, Benjamin Péret e Eugênia Álvaro Moreyra. (Foto: Wikipédia)

Menotti Del Picchia

Jornalista, tabelião, poeta, advogado, pintor, político, cronista, romancista e ensaísta, Menotti Del Picchia (1892 – 1988) teve uma grande relevância para o movimento modernista.

Formou-se em Direito em 1913, ano em que também lançou seu primeiro livro de poemas intitulado “Poemas do Vício e da Virtude”. Além de atuar como advogado, dirigiu jornais como o Diário de Itapira e O Grito!

Outros poemas relevantes de Del Picchia são “Juca Mulato” e “Moisés”. Ele foi também um dos componentes do Grupo dos Cinco tendo um papel fundamental na defesa da integração da poesia com os tempos modernos.

Em 1924, fundou o Movimento Verde e Amarelo que se opunha ao nacionalismo então defendido pelo seu amigo Oswald de Andrade. Anos depois, dirigiu o Jornal Diário da Noite a convite de Assis Chateaubriand e, em 1942, assumiu a direção do jornal A Noite. Del Picchia ocupou a 28ª cadeira da Academia Brasileira de Letras em 1933. Faleceu no dia 23 de agosto de 1988, em São Paulo.


Menotti Del Picchia, integrante do Grupo dos Cinco. (Foto: Wikipédia)

Oswald de Andrade

Mais uma figura fundamental para o modernismo, Oswald de Andrade (1890 – 1954), escritor, dramaturgo e ensaísta, era considerado polêmico devido ao seu temperamento irônico, combativo e irreverente.

Após escrever para o jornal Diário Popular em 1909, fundou dois anos depois a revista semanal “O Pirralho”, juntamente com Juó Bananère e Alcântara Machado. Conheceu a Europa em 1912, de onde trouxe ideias e novidades vanguardistas. 

Ao retornar ao Brasil, participava de reuniões frequentes com intelectuais da época, quando conheceu Mário de Andrade, Monteiro Lobato e Guilherme de Almeida. Apesar da formação em Direito (1918), nunca exerceu a profissão, se dedicando com afinco ao mundo das artes. Fez parte do Grupo dos Cinco sendo considerado um dos principais responsáveis pela definição da literatura modernista brasileira.

Passou a viver com Tarsila do Amaral e retornou à Europa após a Semana de Arte Moderna para a apresentação da conferência “O Esforço Intelectual do Brasil Contemporâneo”, em Sobornne, na França.

Algumas das suas obras de destaque são “Os Condenados” (1922), “Manifesto Pau-Brasil” (1925), “Estrela de Absinto” (1927).

Mário de Andrade

Mário de Andrade (1893 – 1945) é um dos principais nomes da literatura brasileira. Destacou-se durante a implantação do Modernismo no Brasil, participando ativamente das rodas literárias, onde conheceu os demais integrantes do Grupo dos Cinco.

Seu primeiro livro de poemas, “Pauliceia Desvairada”, foi publicado na primeira fase do modernismo. Em 1917 publicou “Há Uma Gora de Sangue em Cada Poema”, com o pseudônimo Mário Sobral, com duras críticas às mortes decorrentes da Primeira Guerra Mundial.


Mário de Andrade com estudantes do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo em 1931. (Foto: Wikipédia)

Em 1922, além de liderar a Semana de Arte Moderna como parte do Grupo dos Cinco, Mário de Andrade foi também um dos fundadores da revista Klaxon, que tinha como objetivo divulgar o Modernismo. Sua principal obra na literatura foi o romance “Macunaíma”, reproduzido também no cinema. Além disso, teve atuações importantes na poesia (“Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade”, “Cântico dos Cânticos para Flauta e Violão”), no teatro (“O Homem e o Cavalo”, “A Morta pelo Homem”), além do romance (“Memórias Sentimentais de Sargento Miramar”, “Os Condenados”).

Artigos Relacionados

O Grito refere-se a uma série de pinturas produzidas em 1893. O quadro, “o grito” tornou-se um dos mais famosos do mundo.

As Obras de Tarsila do Amaral são muito conhecidas. Quadros como “Abaporu” e “Antropofagia” caracterizam o estilo da artista.

As obras de Salvador Dalí são as principais representantes do surrealismo. Elas misturam as dimensões da lucidez e do delírio em uma só peça.

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