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Lendas Indígenas

Postado por Ruan Fernandes em 21/05/2019

Histórias que ilustram as crenças de povos de vários lugares


Existem muitas lendas indígenas. Essas histórias fazem parte da cultura de povos de diversos lugares do mundo e ajudam a retratar histórias e crenças desses povos ao longo dos séculos. 

As lendas indígenas brasileiras são muito ricas em detalhes e muitas se confundem com crenças religiosas ou acontecimentos da natureza. Por exemplo, o boitatá, lenda amazônica sobre uma cobra gigante que na verdade é o efeito de ossos de animais mortos em combustão. 

Algumas histórias surgem para explicar o aparecimento de plantas, como a vitória-régia; outras falam sobre alimentos, como a mandioca, e outras tantas ainda citam deuses e forças da natureza.

É comum ver também as histórias sendo utilizadas na educação de crianças, seja por meio de lições de moral ou até do medo. Quase sempre, as lendas retratam histórias de bravos guerreiros e guerreiras, histórias de coragem ou de amizade e união. 

As lendas indígenas ainda ensinam a cuidar bem da natureza, por exemplo. Várias histórias, como as do Saci-Pererê, do Curupira ou da Caipora fala sobre forças que ajudam a proteger a fauna e a flora de caçadores e pessoas mal-intencionadas. 

Caipora


Uma das lendas indígenas mais conhecidas é a da Caipora. O ser é descrito como um índio de pele escura e que se move muito rápido. Seu corpo é coberto de pelos e aparece, geralmente, sem roupas.

Derivado da mitologia tupi-guarani, a palavra Caipora vem do tupi "caapora" , ou seja, habitante do mato. Em algumas regiões o ser é considerado primo do Curupira. 


Diz a lenda que a Caipora é o rei dos animais da floresta e que faz acordos com caçadores sobre suas caças. Aqueles que não respeitam esse acordo é morto pela Caipora.

Ele se move em cima de um porco do mato e carrega consigo uma vara. Acredita-se ainda que a Caipora não gosta de claridade, por isso, para se proteger, os índios andavam com fogo a noite. 

Algumas versões das lendas indígenas sobre a Caipora dizem que ela aparece na maioria das vezes nas sextas-feiras, domingos e feriados, dias em que não se deve sair para a caça. Algumas vezes, pode ser descrito como um ser carnívoro, que devora os caçadores.

Em algumas culturas, acredita-se que a Caipora gosta de fumo. Por isso, caçadores deixam um pouco do fumo nas árvores antes de entrar na mata para caçar. Em algumas regiões a palavra Caipora está associada a má sorte.


Representação da Caipora nas lendas indígenas. (Foto: Wikipédia)

Boto cor-de-rosa


A lenda do Boto cor-de-rosa fala sobre um homem que é, na verdade, um boto. O animal tem o poder de se transformar em um jovem nas festas juninas.

Ele se apresenta com roupas brancas e chapéu. Diz a lenda que o Boto vai até as festas e seduz as jovens solteiras, as convencem de ir a um passeio, onde as leva para o fundo do rio e as engravida.

Pela manhã o Boto volta à forma do animal marinho. Até hoje se usa a expressão "filho de boto” para descrever mulheres com filhos de pai desconhecido.

Vitória-régia


Outra das lendas indígenas mais conhecidas é a que conta a história da vitória-régia. Essa lenda fala sobre a origem da planta de mesmo nome, que é símbolo da Amazônia.

A lenda conta a história da persistente índia Naiá. Na tribo onde a jovem vivia, acreditava-se que Jaci, a deusa lua, transformava algumas das mais belas jovens virgens da aldeia em estrelas. 

O sonho de Naiá era, finalmente, encontrar a deusa e ser transformada em estrela e, por isso, saia todas as noites em busca da deusa. A jovem desejava tanto o encontro que já nem se alimentava.

Certa noite, cansada de andar, Naiá resolveu descansar na beira de um rio, onde viu o reflexo da lua. Sedenta por seu desejo, atirou-se no rio e acabou se afogando. Jaci, a deusa lua, ficou sentida pela morte da jovem e deu a ela uma honra.

Naiá foi transformada em uma estrela diferente de todas as outras, e recebeu o nome de estrela das águas. A vitória-régia possui uma planta perfumada que só desabrocha à noite e, à luz do sol, fica com tom rosa.


Guaraná


Uma das lendas indígenas relata o surgimento do guaraná e seus frutos. Na história, alguns detalhes mudam a depender de onde seria contada, mas fala sempre sobre um jovem menino que foi morto.

A história diz que na tribo dos Munducurucânia, havia um casal com um único filho, muito bom e querido por todos. O jovem era a promessa da tribo. Acreditava-se que ele se tornaria um grande guerreiro.

Então, Jurupari, o deus do mal, ficou com inveja do menino e resolveu lhe tirar a vida. Ele se transformou numa serpente e atacou a criança enquanto este, distraído, colhia frutas.

Então Tupã, rei dos deuses, vendo a tristeza da mãe, mandou que os olhos da criança fossem enterrados. Dali, surgiu o guaranazeiro, cujos fritos tem enorme semelhança com os olhos humanos.

Mandioca


As lendas indígenas ainda falam sobre a história do surgimento da mandioca. Existem várias versões sobre a lenda, mas a mais conhecida conta a história da índia Mani.

A indiazinha era neta de um cacique de uma tribo e era muito feliz. Ela gostava de brincar e levava alegria por onde passava. Até que um dia Mani, sem nenhuma explicação, morreu dormindo.

Como era costume na tribo, o corpo de Mani foi enterrado dentro da oca. O local foi regado pelas lágrimas da mãe de Mani e dos índios que visitavam o local. Até que um dia nasceu ali uma planta diferente.

Ao cavar para descobrir a origem da planta, os índios encontraram uma raiz diferente. Eles resolveram cozinhar a raiz e descobriram o que é, até hoje, um dos principais alimentos indígenas

É daí inclusive que se origina o nome da raiz. A junção de Mani, o nome da jovem índia, e oca, o local onde o seu corpo foi enterrado e onde a raiz surgiu pela primeira vez. 

Pirarucu


As lendas indígenas contam ainda a história do pirarucu, um peixe das águas doces que pode chegar a três metros de cumprimento. A lenda diz que Pirarucu era um guerreiro das tribos Uaias e um jovem muito vaidoso. 

Apesar de ser um excelente guerreiro, gostava de se gabar por ser filho do chefe da tribo. Ele falava mal dos deuses cultuados por seu povo e quando seu pai saía da tribo, matava pessoas sem motivos. 

Certo dia, Pirarucu, o deus Tupã, deus dos deuses, consternado com as atitudes de Pirarucu, mandou uma tempestade enquanto o jovem pescava. Todas as outras pessoas fugiram e o jovem apenas zombou da tempestade. Pirarucu então caiu no rio onde pescava, o rio Tocantins, e foi transformado no peixe.

Lendas indígenas brasileiras


No Brasil, existem muitas lendas indígenas. Antes de ser colonizado, o país era habitado por diversos povos indígenas, que viviam aqui há séculos. Esses povos eram ricos em culturas, tradições e crenças.

Além das lendas indígenas contadas aqui, várias outras são conhecidas e muitas, inclusive, integram o folclore brasileiro. São elas:

• Saci Pererê
• Curupira
• Boitatá
• Matinta Pereira
• Mapinguari
• Lenda do Uirapuru
• Anhangá
• A Princesa do Lago
• Tucumã

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