Lendas sobre o ser lendário existem há séculos
As histórias do lobisomem são muito antigas e estão presentes em culturas de vários países do mundo. Podem ser encontradas referências a esses seres desde as escrituras do Egito Antigo. Mas é na mitologia grega que a lenda ganha força.
Presente no livro Metamorfoses do poeta romano Ovídio, a história da maldição que transformou o rei Licãao e seus mais de 50 filhos em lobos ficou famosa e impulsionou mundialmente a lenda.
As histórias do lobisomem falam sobre uma pessoa, na grande maioria do sexo masculino, que em determinadas circunstâncias se transforma em uma mistura de humano com lobo. Em várias culturas do mundo o ser é apresentado como sanguinário e irracional.
O lobisomem faz parte do folclore brasileiro, mas ao longo dos anos surgiram vários relatos de pessoas que afirmam ter visto o lobisomem. Mais presente nas cidades da zona rural, as causas que levam a pessoa a se transformar no ser lendário variam em cada região. Há quem diga até que ela é passada de geração para geração.

O lobisomem é representado de diferentes formas em cada cultura. (Foto: Pixabay)
A lenda do lobisomem no Brasil
Ao longo dos séculos, as lendas e culturas de vários países do mundo têm contado histórias sobre as transformações de humanos em lobos. Existem várias especulações sobre o que causa esse processo.
Somente no Brasil existem várias dessas versões. Há aqueles que acreditam que a mutação é passada de pai para filho através das gerações. Há também quem diga que ela é transmitida através da mordida ou arranhão do próprio lobisomem.
Outras histórias dizem que o sétimo filho do mesmo sexo será um lobisomem, enquanto em outras versões, o próximo filho de uma família com sete filhas mulheres é que desenvolverá a mutação.
Nessas histórias, a mutação se manifesta quando a criança entra na puberdade, por volta dos 13 anos de idade. Ainda há quem diga que a transformação só acontece em encruzilhadas ou cemitérios.
Na maioria das histórias, a transformação acontece em noites de lua cheia, mas em algumas, isso só é possível nas sextas-feiras. Por outro lado, em algumas regiões sabe-se que o lobisomem só aparece nas luas cheias às terças-feiras, enquanto em alguns lugares, ele pode aparecer nos dois dias.
A alimentação do lobisomem é uma das coisas que mais permanece igual nas histórias. Nas lendas, ele se alimenta de sangue e por essa razão, o ser causa tanto medo. Para se matar um lobisomem é preciso utilizar um objeto de prata. Em algumas histórias, o fogo também mata o ser.
Em alguns lugares dizem que ele se alimenta de recém-nascidos e por isso é comum ver crianças sendo batizadas cedo. A irracionalidade dele também é descrita como algo perigoso. Acredita-se que o lobisomem não reconheça nem a própria família quando está na forma do monstro.
Outras histórias dizem que, para se transformar em um lobisomem, basta que uma pessoa se deite no mesmo lugar que um jumento tenha deitado e diga algumas palavras do Livro de São Cipriano ou reze o credo três vezes. Algumas dizem que essa pessoa deve estar sem nenhuma roupa.
A licantropia e Hipertricose
A licantropia é o nome dado a doença que causa a mutação do homem para a forma de lobo. Ela deriva da história do Rei Licaão, que foi transformado em lobo pelo deus Zeus.
A história conta que o rei, devoto de Zeus, fazia sacrifício de humanos em sua homenagem ao deus. Contrariado com a notícia, Zeus se disfarçou e se hospedou na casa do rei. Licaão resolveu então testar a informação dada por súdito, sobre a possível divindade daquele visitante, e lhe serviu carne humana como comida.
Contrariado com a atitude do rei, Zeus transformou ele e os seus muitos filhos, que eram reconhecidos por suas maldades, em lobos. E por conta dessa história, Licaão é tido como o primeiro lobisomem. E daí deriva o nome licantropia.
Apesar da lenda contada através dos séculos não ter comprovações reais, existe uma síndrome rara chamada licantropia clínica. Nela, o paciente acredita que pode se transformar em um lobo ou outro animal. Mas ainda existe a zoantropia, mais utilizada para quando o paciente acredita se transformar em um animal qualquer.
Existe também uma mutação genética que é associada a licantropia. A hipertricose, conhecida também como síndrome do lobisomem, é uma mutação genética rara que causa o crescimento excessivo de pelos no corpo humano. Essa mutação é tão rara que apenas 50 casos foram relatados desde a Idade Média.
Em uma das variações da mutação, a Hipertricose Lanuginosa Congênita, o cabelo pode chegar a 25 centímetros e é fino e felpudo. Já na Síndrome de Ambras, a outra variação da mutação, o cabelo cresce durante toda a vida do paciente. Esses pelos são mais grossos e podem ser coloridos.
Em alguns países do mundo, pessoas que nasceram com essa mutação chegaram a fazer parte de circos dos horrores. Como é o caso de Alice Elizabeth Doherty, uma criança que integrava um circo americano. A criança, única cidadã americana diagnosticada com a mutação, chegou a receber o apelido de O Bebê de Lã do Minnesota.
A lenda no cinema
As histórias de lobisomem estão presentes no imaginário de muita gente. Não é difícil achar filmes, livros, séries ou novelas que façam referências ao ser lendário. No Brasil, o lobisomem aparece nas histórias do escritor Monteiro Lobato como personagens do Sítio do Pica Pau Amarelo.
Nos quadrinhos de Maurício de Souza, o personagem Lobi é um lobisomem que integra A Turma do Penadinho. Em várias novelas produzidas no Brasil, o ser aparece como um monstro que incita medo nas pessoas. Ele ainda aparece como protagonistas em séries de TV ou como personagens secundários.
Na saga Harry Potter, os lobisomens aparecem como um ser que, em noites de lua cheia, se transforma em um monstro perigoso, que não reconhece ninguém além de seus semelhantes. Outro ser chamado de animago é citado na série, mas ao contrário do Lobisomem, ele pode se transformar em um animal, inclusive um lobo, mas sem perder a lucidez.