Movimento que teve início com a Semana da Arte Moderna
O Modernismo no Brasil teve início na primeira metade do século XX. O movimento artístico, cultural e literário tem seu marco oficial com a Semana de Arte Moderna de 1922. O objetivo do movimento modernista era romper com o tradicionalismo e se livrar dos paradigmas e das regras sobre como fazer arte que prevaleciam no momento.
O Modernismo no Brasil apareceu como um movimento que prezava pela independência e valorização da cultura cotidiana brasileira. Os modernistas, adotaram a simplificação do discurso, se aproximando da linguagem popular.
Seguindo a essência do movimento modernista na Europa, o Modernismo no Brasil preservou características como o rompimento com a estética tradicional, valorização da expressão artística nacional, exploração de temáticas do cotidiano, uso de linguagem simples na literatura, além do desejo de representar a realidade brasileira através da arte.
O Modernismo no Brasil reuniu gerações de artistas, que embora se assemelhassem pelas características de suas obras, em alguns aspectos divergiam entre si. O Modernismo deixou um legado de grande importância para a cultura brasileira.

Na foto de 1936 aparecem Manuel Bandeira, Alceu Amoroso Lima, Dom Hélder Câmara, Lourenço Filho, Roquette-Pinto e Gustavo Capanema.
(Foto: Wikipedia)
Contexto histórico do Modernismo no Brasil
Considerado um divisor de águas na história da arte brasileira, o Modernismo no Brasil seguiu a tendência modernista que já havia estourado na Europa. Surgido em um momento de insatisfação política, o Modernismo no Brasil foi desencadeado a partir de influências das tendências artísticas das vanguardas europeias.
Iniciado oficialmente com a Semana da Arte Moderna de 1922, realizada em São Paulo, o movimento teve grande repercussão na cena artística e cultural brasileira. Após um mês da Semana de Arte Moderna, o Brasil presenciou um importante momento na política: as eleições presidenciais e a fundação do Partido Comunista em Niterói.
O Brasil da época modernista era uma república recente em busca de sua identidade. Portanto, havia uma geração de artistas e intelectuais que pregavam a ideia de que a arte deveria transmitir a identidade brasileira naquele momento.
Em 1926 Mário de Andrade, um dos principais nomes do Modernismo, fundou o Partido Democrático. Os reflexos da Primeira Guerra Mundial também estavam presentes na sociedade brasileira e o cenário político nacional favorecia um posicionamento diferente.
Pensando em reestruturar o país politicamente, motivados romper com a estética tradicional, o Modernismo no Brasil veio com a proposta de que a arte deveria ser a voz da identidade brasileira e que a arte não deveria ter amarras estéticas nem preocupações com estilos rígidos ou normas acadêmicas.
Principais representantes do modernismo brasileiro
O Modernismo no Brasil se divide em três fases das quais cada uma delas tem o seu destaque. A primeira fase tem início nos anos de 1920 com as primeiras manifestações do movimento. Dessa fase, destacam-se Oswald de Andrade e Mário de Andrade.
A partir dos anos 30 surgiu uma nova geração de modernistas. Nesse período o destaque foram: Rachel de Queiroz, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Érico Veríssimo; José Lins do Rego; Cecília Meireles e Vinícius de Morais.
Surgida a partir de 1945, a terceira geração do modernismo no Brasil apresenta nomes como: João Cabral de Melo Neto; Vinícius de Moraes; Clarice Lispector e Guimarães Rosa.
Gerações modernistas no Brasil
Contrariando as escolas literárias anteriores, os modernistas buscaram transmitir suas emoções e retratar os fatos da realidade cotidiana de uma forma livre e descompromissada. Desse modo, a tendência não chegou a ser considerada uma escola literária.
O Modernismo no Brasil se dividiu em três fases. Cada uma das gerações modernistas apresentam características distintas, mas que se complementam em sua essência.
A primeira geração se opôs ao modelo anterior, seu objetivo claro era chocar; com uma vertente menos radical, a segunda geração de modernistas formou grandes romancistas e poetas; a terceira geração se opôs à primeira, chegando a ser ridicularizada por divergir do que a primeira pregava.
Primeira Geração (1922-1930)
A primeira geração de modernistas foi marcada pela tentativa de definir posições. Essa foi a fase em que o Modernismo no Brasil lançou mão de manifestos e revistas para mostrar a necessidade de romper com o passado. Nessa fase fica evidente a busca dos artistas pela renovação estética, influenciada pelo contato com as vanguardas europeias com Cubismo, Futurismo e Surrealismo.
Conhecida como Fase Heroica, essa fase foi o mais radical do movimento, formada, sobretudo, por artistas rebeldes. O objetivo dos modernistas dessa fase era mostrar que não queriam nada do que já havia sido feito. Com um caráter essencialmente destruidor, essa geração buscava o moderno, o polêmico, o original e o nacionalismo, em uma da tentativa de representar o cotidiano da sociedade brasileira.
Foi nesse período que foram criados os grupos modernistas e lançadas as publicações de revistas e de manifestos. Dentre os grupos criados pela primeira geração de modernistas estão: Movimento Pau-Brasil, Movimento Antropofágico, Grupo modernista-regionalista de Recife, Movimento Verde-Amarelo e a Escola da Anta.
No que diz respeito a publicações, o Brasil conheceu as revistas Klaxon (1922), Estética (1924), A Revista (1925), Terra Roxa e Outras Terras (1927) e Revista de Antropofagia (1928); e os manifestos da Poesia Pau-Brasil (1924), Antropófago (1928), Regionalista (1926) e Nhenguaçu Verde-Amarelo (1929).
Segunda Geração (1930-1945)
A segunda geração modernista foi marcada pela prosa de ficção e predominância de temáticas nacionalistas e regionalistas. Também chamada de fase da Consolidação, esse período foi tido como um momento de amadurecimento do movimento.
Abandonando os excessos da primeira fase, esse foi o momento em que o Modernismo Brasileiro conseguiu sua melhor definição. Após o rompimento com as tradições e o experimento das novas formas de fazer arte, os modernistas passaram a apresentar engajamento com as questões sociais.
As temáticas de ordem política, social, econômica, humana e espiritual passaram a ser incluídas nas obras literárias. Temas ligados ao regionalismo também se fizeram presentes, no qual houve uma representação do homem brasileiro em diversas regiões. Foi o momento em que os artistas transmitiram a consciência crítica através de suas obras. É muito comum perceber nas obras do período abordagem de temas de interesse social como: a desigualdade social, os resquícios de escravidão, o coronelismo e a vida difícil dos retirantes.
Terceira Geração (1945-1960)
A terceira geração modernista carregava a essência da renovação. Eles buscavam não seguir regras, nem mesmo as ditadas pelos modelos modernistas anteriores. O regionalismo ganhou uma nova dimensão na terceira fase do Modernismo no Brasil. O romance e o conto passaram a ter uma literatura intimistas e introspectiva.
Chamada Geração de 45, alguns estudiosos consideram os artistas dessa fase como pós-modernistas, uma vez que se opuseram às conquistas e inovações modernistas de 22, abandonando a liberdade formal modernistas para buscar uma poesia mais equilibrada.
Não há consenso entre os estudiosos sobre o fim da terceira fase do modernismo. Alguns defendem que ela se estende até os anos 80, no entanto, outros afirmam que a terceira geração do Modernismo no Brasil se encerra em 1960.