Obra de arte feita com recortes sobrepostos para formar figuras
Mosaico é uma forma de arte que envolve a montagem de pequenos pedaços de rocha, concha, azulejo ou vidro juntos para criar um padrão que pode ser abstrato ou representacional. É uma arte milenar que remete à época greco-romana, na qual teve o seu apogeu.
É uma palavra de origem grega – mousaikón -, que significa das musas, o mesmo da palavra música, inspiradas nas nove filha de Zeus e Mnemósine (Memória), chamadas de musas.

A arte decorativa é feita com pedaços de materiais como pedras, cerâmicas, granitos, entre outros,
embutidos em paredes, muros ou igrejas formando figuras. (Foto: Freepik)
Origem do mosaico
Nos primeiros mosaicos, os gregos realizavam desenhos com seixos. A forma de arte se espalhou também para os romanos, e foi amplamente utilizada na decoração interna de casas e negócios.
Os romanos gostaram especialmente de usar essa arte para pavimentos, e alguns mosaicos de piso foram revelados em sítios arqueológicos. Com a propagação do cristianismo veio uma explosão dessa arte em igrejas e outras casas de culto. Eles retrataram santos ou cenas religiosas, e muitas vezes integraram materiais preciosos, como ouro e gemas.
O mosaico é uma arte decorativa utilizada desde a Antiguidade até os dias atuais. Existem vestígios da técnica desde a Civilização Mesopotâmica, quando era feita pelos sumérios há cerca de 3500 anos a.C. Mas foi a partir do mundo greco-romano que a técnica artística foi aprimorada e usada em grande quantidade na decoração de pisos e paredes.
São utilizadas formas geométricas que revelavam inspiração na arte da tapeçaria. Os mosaicos deixaram a sua marca na Arte Bizantina, que deixou uma vasta coleção da arte. Em todo o Império Bizantino, a população fazia suas devoções, por isso, a arte musiva não tinha a função apenas de adornar as paredes e abóbadas (estrutura arquitetônica de cobertura curvada), mas orientar os fiéis com cenas que retratassem a vida de Jesus Cristo, dos profetas e dos imperadores.
No início do século XIX, na França, em pleno Neoclassicismo, foi inaugurada uma escola imperial de mosaicos, em que a atividade principal era a imitação e restauração de obras antigas.
Estandarte de Ur
O Estandarte de Ur é uma caixa de madeira, de formato trapezoidal, com painéis nos quatro lados, medindo cerca de 21 cm de altura por 50 cm de comprimento. Os mosaicos foram compostos de conchas para formar as figuras e no fundo pedaços de marfim, cornalina, lápis-lazúli e até ouro em alguns detalhes, tudo fixado na madeira com o uso de betume.
Uma boa parte desses materiais são preciosos e não existiam na região onde o estandarte foi encontrado, logo foi presumido que eles foram adquiridos através de um meio de comércio com outros povos. Foram retratadas nos painéis costumes e cenas cotidianas da sociedade mesopotâmica, dividindo os dois painéis maiores em “lado da guerra” que contém cenas de batalhas, e “lado da paz” com banquetes e outras atividades pacíficas.
Vale ressaltar que o estilo artístico empregado nas figuras é bastante convencional da arte suméria: corpo de frente, rosto braços e pernas de perfil, cabeça careca e rechonchuda com nariz, olhos e orelhas salientes.

No Estandarte de Ur é possível perceber que há uma relação hierárquica entre as figuras, representando os personagens de posição de privilégio e poder como figuras mais altas que os outros que são subalternos. (Foto: Wikipédia)
Características do mosaico
A técnica da arte musiva consiste na colocação de tesselas, que são pequenos fragmentos de pedras, como mármore e granito, pedras semipreciosas, pastilhas de vidro, seixos e outros materiais, sobre qualquer superfície. Muitos mosaicos são encontrados em tetos e painéis de parede, de templos ou palácios, e atestam a íntima relação entre determinados padrões e a arte da decoração.
O objetivo do artista é encontrar um certo tipo de simetria ornamental com o emprego de figuras relativamente simples, cuja repetição e interação formem um todo harmonioso e estético.
O mosaico tem momentos fragmentados, como contam os antigos historiadores. Na Grécia, no séc. VIII a. C., os gregos utilizavam pedras cortadas em cubos para pisos, refinando a técnica no séc. V a.C. Lá foi encontrado também um dos documentos mais antigos relativos à arte do mosaico (meados do século III a. C.).
Relação entre mosaico e pintura
O mosaico é considerado "pintura para a eternidade", em face da durabilidade dos seus materiais. A técnica de arte milenar e a pintura sempre tiveram um relacionamento muito próximo, também difícil e não privado de contradições.
Durante o período moderno o mosaico perdeu sua força, se comparada a outras formas de manifestações artísticas como a pintura e a escultura, por exemplo. Por um longo tempo, a pintura dominou e o mosaico foi deixado de lado.
Com a Idade Média, o mosaico sofreu um declínio considerável, como a maioria das formas de expressões artísticas. Ao retornar, no Renascimento, precisou incorporar o estilo realista de representações, tentando criar imagens muito próximas do real.
Durante o Renascimento, os maiores centros de produção do mosaico se encontravam em Veneza e em Roma. Por ser extremamente difícil de se criar uma imagem em mosaico próxima do real, a técnica se tornou caríssima e menos popular.
Mosaico no Brasil
No Brasil, grandes artistas plásticos também utilizaram a técnica das tesselas para expressar a arte. Veja alguns dos mosaicistas brasileiros:
• Burle Marx: talvez seja o mais conhecido mosaicista brasileiro. É dele a criação do logotipo internacional do calçadão de Copacabana.
• Cândido Portinari: o pintor realizou três obras em mosaico. A terceira obra em mosaico que Portinari concluiu foi o painel “Bandeirantes”, aplicado em uma parede interna de um hotel no centro de São Paulo, o Hotel Comodoro.
• Tomie Ohtake: uma das principais representantes do abstracionismo informal no Brasil e no mundo, fez vários painéis em mosaico, entre eles o painel na Escola Imaculada em São Paulo, realizado em 1992.
• Lygia Clark: uma das maiores artistas brasileiras da arte contemporânea, também deixou um legado em mosaicos é dela o painel do Edifício Mira Mar, em Copacabana, no Rio de Janeiro.