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Música Popular Brasileira

Postado por Cíntia Pina em 18/03/2019

Gênero musical brasileiro da década de 60


A Música Popular Brasileira, conhecida como MPB, surgiu durante a Ditadura Militar no Brasil, na década de 60, e como uma nova opção de estilo musical, logo após a Bossa Nova. A MPB reflete a reunião de ritmos e movimentos musicais já presentes no país, trazendo um novo conceito de “música nacional”.

História da Música Popular Brasileira


A Música Popular Brasileira apareceu no cenário musical brasileiro logo após a explosão da Bossa Nova. Ela era vista pelos artistas como uma nova alternativa para a música brasileira, com um conceito de “música nacional”, mas seguindo alguns estilos tradicionais desse cenário. 

Apesar do nome amplo, a Música Popular Brasileira não diz respeito a qualquer estilo musical presente no Brasil. Ela se refere a um estilo musical, sendo, portanto, diferente do rock, do pop, do reggae, por exemplo. 

Desde o século XX, o termo já era utilizado, mesmo sem fazer referência a grupos musicais ou artistas específicos. Ele só apareceu como referência a um gênero específico da música alguns anos depois, quando aconteceu o declínio da Bossa Nova, que até então dominava o cenário musical da época. 

A Música Popular Brasileira surgiu com novos compositores e intérpretes, além de um novo ritmo, algo que não era samba, não era bossa nova, mas mantinha características como a suavidade e o regionalismo já presente nesses ritmos. 

Os maiores impulsionadores desse novo ritmo foram os festivais de música que faziam grande sucesso na televisão. Nesse momento, surgiram artistas como Elis Regina, Milton Nascimento, Chico Buarque, Edu Lobo, entre outros. A MPB ficou conhecida no país como “a música da universidade”, por ter o seu maior público entre intelectuais e estudantes. 

Um dos marcos do início do sucesso da MPB foi a interpretação de “Arrastão”, música de Vinicius de Moraes e Edu Lobo, por Elis Regina, no I Festival de Música Popular Brasileira, da TV Excelsior, em 1965. “Disparada”, de Geraldo Vandré e “A banda”, de Chico Buarque também são consideradas músicas essências nesse processo de transição da Bossa Nova para a MPB.

A interferência da Ditadura Militar na Música Popular Brasileira


A Ditadura Militar teve início no Brasil em 1964, com o intuito de redemocratizar o país e libertá-lo de qualquer comunista ou ser pensante que apresentasse riscos a esse regime político. 

Com o Ato Institucional n° 5, alguns direitos importantes foram tirados da população, como por exemplo a possibilidade de se manifestar politicamente. Foi criada na época a DCDP -Divisão de Censura de Diversões Públicas, por onde passavam qualquer produção cultural realizada no país. Essa produção era aprovada ou não pelo regime. Caso aprovada, poderia ser veiculada para o público e nos meios de comunicação. Caso não fossem aprovadas, as produções ficariam retidas, e não poderiam ser executadas. 

Os artistas, para falassem da atual situação do país, precisavam usar metáforas. As palavras ditas tinham significados diferentes do que os militares acreditavam ter. “Cálice”, de Chico Buarque e Gilberto Gil, e “Viola enluarada”, de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, por exemplo, são músicas características dessa época. 

Qualquer manifestação que não concordasse com o governo vigente era considerada subversiva e sujeita a punições. Além da censura enfrentada pelos artistas e pela população em geral, as pessoas eram submetidas à tortura, prisão, exílio, e até a morte. Em nome do que eles chamavam de “ordem nacional”, muitas pessoas foram perseguidas no país. 


Chico Buarque, em foto tirada durante a Ditadura. (Foto:Flickr)

Inconformados com a situação, os artistas que pertenciam à Música Popular Brasileira, passaram a expor nas suas composições a revolta que sentiam pela situação do país. Surge dentro da MPB outros movimentos musicais vinculados, como o “Tropicalismo”. Artistas como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Os Mutantes, Gal Costa, Tom Zé, entre outros, clamavam em suas músicas por liberdade, que atraia ainda mais a atenção dos militares. 

Por conta disso, artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque tiveram que sair do país e viver exilados no exterior, devido aos riscos que corriam no seu próprio país. 

Durante a Ditadura Militar, a música “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, virou hino contra esse regime político. 

Veja alguns versos da música:

(...)Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição
De morrer pela pátria
E viver sem razão

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não

Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não (...)

Os ritmos de cada década no Brasil


Muito rico culturalmente, o Brasil é um país que apresenta uma diversidade muito grande quando se fala de música. São muitos os artistas e os estilos que movimentam o cenário musical do país. Cada região, por exemplo, mantém alguns ritmos característicos da sua cultura

O mais conhecido ritmo brasileiro, tanto no país como no exterior, é o samba. Ele surgiu no início do século XX, no Rio de Janeiro, a partir dos batuques, pagodes e rodas de capoeira. O primeiro samba que se tem notícia na história é “Pelo telefone”, de Ernesto dos Santos, de 1917.

A chegada do rádio aumentou ainda mais essa diversidade no cenário musical do país. Surgiram artistas como Ary Barroso, Dorival Caymmi, Carmem Miranda e Noel Rosa. Luiz Gonzaga surge com o baião, nos 40, acompanhado de Jackson do Pandeiro, com o samba-canção.

Tom Jobim e João Gilberto roubaram a cena nos anos 50, com a Bossa Nova. Com a popularização da televisão e os programas dedicados à música, surge a MPB, que fizeram o maior sucesso nos festivais por todo o país. Nessa época também surgiu a Tropicália e Jovem Guarda, de Roberto e Erasmo Carlos, e da musa Wanderléia. 

Os anos 70 chegaram com uma explosão ainda maior de estilos. No funk, Tim Maia e Jorge Ben Jor, e o rock foi representado pelo som de Rita Lee e Raul Seixas. Apareceram no cenário artistas que ficaram consagrados, como Maria Bethânia, Gal Costa, Belchior, Fagner, Clara Nunes, Fafá de Belém, Elba Ramalho, Alceu Valença, entre outros. 

A Música Popular Brasileira é marcada pela sua variedade. Com a dimensão geográfica do país, são encontrados diversos estilos, que seguem características de cada região, e ao mesmo tempo do país como um todo. 

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