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Neoclassicismo

Postado por Camila Mendonça em 07/12/2018

Arquiteturas, literaturas e Pinturas


O Neoclassicismo foi um grande movimento artístico e cultural, que surgiu na Europa no início do século XVIII. Ele inovou aspectos na literatura, arquitetura, pintura e escultura, promovendo uma grande valorização das tradições greco-romanas. O movimento, que permaneceu até meados do século XX, teve forte influência do Iluminismo, pois em suas pinturas, principalmente, buscava-se ressaltar as formas e belezas estética das Artes Clássicas, desprezando um pouco o estilo detalhista encontrado nas artes do Barroco e Rococó


O seu surgimento ocorreu logo após a Revolução Francesa, na época em que os filósofos gregos pregavam o evangelho da “razão”, aspecto que cultuava a clareza, a nobreza e a pureza. Sendo assim, o neoclassicismo se transformou em um nova tendência para as artes europeias. A grande preocupação dos artistas dessa época era fixar padrões de beleza que pudessem resistir ao tempo, assim como as produções artísticas greco-romanas, nas quais se inspiravam. Além da harmonia e qualidade das formas, os artistas desejavam manter em suas obras o predomínio da linha reta, equilíbrio entre as cores e a simetria dos traços.


Pinturas neoclássicas


As pinturas dessa época usavam como referência as artes renascentistas e greco-romana. Os artistas optavam pelo uso das cores frias, destacando a simplicidade e pureza estética nas obras, pois isso favorecia para a disseminação desse estilo na criação de novas artes. Outro aspecto influente nos desenhos era a presença do realismo, que trazia uma significativa representação da realidade vivida pela sociedade.


Artistas 


Jacques-Louis David (1748–1825): importante pintor do Neoclassicismo, David realizou trabalhos para eventos sociais como desenhos de trajes e cenários para “Festival do Ser Supremo “, por exemplo. Com isso, ele foi homenageado pelo governo após a Revolução Francesa, tendo como grande apoiador Napoleão Bonaparte (líder político e militar durante a Revolução Francesa).

Em suas técnicas, David copiou baixos-relevos e estátuas para se aperfeiçoar. Dessa forma, ele descobriu o desenho linear, aprimorou as formas simples e diretas, e aprendeu a ver modelos contemporâneos sob a óptica da obra antiga. Entre as obras mais famosas do pintor, vale destacar “O Juramento dos Horácios”. Nela, David realçava o estudo da anatomia do corpo humano. Além disso, a musculatura dos personagens foi representada com rigor e sobriedade, revelando uma preciosa observação à realidade. 

Jean Auguste Dominique Ingres (1780-1867): o artista foi uma espécie de cronista visual da sociedade em seu tempo, pois ele acreditava a tarefa principal da arte era reproduzir quadros históricos. Ele também valorizava a simetria dos desenhos, pois achava a tarefa de desenhar uma linha perfeita mais importante que pintar os quadros.

Esculturas neoclássicas


Os escultores do Neoclassicismo buscaram evitar o contorcionismo da estatuária barroca, pois preferiam optar pelas formas mais naturalistas. Com isso, o colorido de superfície foi praticamente abandonado de tudo, em favor da exposição completa do material constituinte da obra. Além disso, as esculturas tinham uma grande ênfase do “nu”, com muitos elementos alegóricos privilegiando a história e mitologia greco-romanas. Em geral, as obras apresentavam um alto nível de equilíbrio formal, com discretas expressividades e poucos momentos de drama.

Em contraste aos escultores do Barroco, que coloriam suas obras, os artistas neoclássicos preferiam usar a cor branca natural do mármore, reproduzindo o mesmo estilo dos escultores gregos e romanos. Entre os temas mais esculpidos, estava a mitologia, com seus personagens heroicos.

Artistas

Entre os escultores mais influentes, Antonio Canova foi o mais sucedido, pois ele se reinventou em diferentes funções, assumindo papel de pintor, antiquário e arquiteto italiano, mas a careira em que ele mais se destacava era de escultor. Nessa função, o artista abusava do uso da beleza universal misturada ao pensamento clássico para representar as suas obras, por isso ele ficou conhecido por adotar um gosto peculiar, que com o tempo difundiu para outros países da Europa. Entre as esculturas dos artistas, vale citar as mais conhecidas. São elas: As três graças, Hércules, Licas, Teseu derrotando o Centauro e Maddalena Penitente. 

Hercules, obra de Antonio Canova. (Foto:Wikimedia)

Arquitetura neoclássica


Os arquitetos do neoclassicismo priorizaram em suas construções a utilização de materiais nobres tradicionais como, por exemplo, o mármore, granito e madeira, além dos materiais modernos como o ferro fundido, pois esse último apresentava uma maior funcionalidade e tinha baixo custo. As construções eram estruturadas usando o modelo de arco 180 graus de inspiração romana, porém adaptado aos novos processos técnicos, que constituem os sistemas simples de construção (trilítico). Além disso, os monumentos construídos desobstruíam um pouco o estilo imperialista presente nas arquiteturas dos séculos passados.


Nos tetos, haviam o uso de estruturas planas, abóbodas e berço ou de aresta emoldurada, com cúpulas nas zonas centrais das construções e assentes em tambores rodeados de colunas com entablamentos circulares. 


Artistas

Entre os artistas influentes do Neoclassicismo, estão:

Pierre Barthelmy Vignon (1763-1828): o arquiteto construiu a igreja Pórtico de La Medeleine em Paris, no ano de 1942, usando como inspiração os templos coríntios romanos;
James Stuart (1713 – 1788): Entre os arquitetos, foi o pioneiro na utilização de características gregas;
Lorde Burlington (1695 -1753): o arquiteto construiu a “Chiswick House”, uma significativa estrutura do Neoclassicismo em Middlesex, Londres.

Neoclassicismo no Brasil


No Brasil, o neoclassicismo apareceu em 1816 com a chegada da Missão Francesa, contratada para fundar e dirigir no país uma escola de artes e ofício, localizada no Rio de Janeiro. Após 10 anos, em 1826, é fundada a Academia Imperial de Belas artes, atraindo outros pintores estrangeiros para o Brasil. Além das representações artísticas, o movimento também desenvolveu conotações políticas, já que o estilo neoclássico foi adaptado pelo governo revolucionário francês, assumindo os nomes de “estilo Directório”, “estilo Convenção” e mais tarde, sob o poder de Napoleão, estilo “Império”, influenciando a Rússia.

Expansão em outros países

Nos Estados Unidos, durante o tumultuado processo de conquista da sua própria independência e inspiração no modelo da Roma republicana, o Neoclassicismo tornou-se um padrão, sendo adotado como um estilo Federal. Com o tempo, se transformou em um estilo cortesão.

Dessa forma, em virtude de suas associações com o passado clássico, ele também foi usado por príncipes e monarcas como uma maneira de propagar suas personalidades, ou, simplesmente, prover a beleza de seus palácios, desconstruindo em parte os seus princípios moralizantes, mas produzindo grandes obras.

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