0

Sua mochila está vazia!

Niilismo

Postado por Márcia Macedo em 29/03/2019

Ideologia filosófica com base no ceticismo


O Niilismo vem do termo latim “nihil” que significa “nada”. Trata-se de uma ideologia que consegue atingir as diversas classes do mundo contemporâneo. É uma corrente filosófica que acredita no vazio e o seu conceito é fundamentado na subjetividade do viver.



No Niilismo, os homens possuem o livre arbítrio para direcionar suas vidas. (Foto: Wikipédia)

O niilismo é alicerçado no ceticismo, isento de regras e contra aos ideais das escolas positivistas e materialistas. A principal linha de raciocínio da corrente é a visão radical e cética com relação às perspectivas da realidade, exterminando convicções, princípios e valores.

A filosofia defende a inexistência de fundamento metafísico para justificar a existência humana. Verdades absolutas e tradições alicerçadas não existem. Crenças e valores tradicionais são sem sentido e não tem utilidade na vida do ser humano, portanto são descabidos. A descrença que essa ideologia prega, alcança as várias áreas da sociedade como: arte, ciências humanas, ética, literatura, moral e teorias sociais, fazendo as pessoas acreditarem na redução ao nada, no aniquilamento e na inexistência.
 
O termo niilismo é colocado de diferentes formas. Alguns estudiosos afirmam que o termo negativo, derrotista e pessimista está ligado a anarquia, a destruição e a negação dos princípios políticos, religiosos e sociais e outros filósofos focam na essência do pensamento niilista. Por outro lado, outros acreditam na essência do niilismo e dizem que analisando com cuidado a corrente, há uma provocação para a verdadeira libertação do ser humano. O ponto positivo é aquele que explica que o poder é do ser humano, para escolher e assumir suas próprias responsabilidades e consequências.

O niilista não dá resposta, nem alimentar qualquer tipo questionamento. Despreza, fragmenta e dissipa todos os critérios absolutos, valores e princípios de maneira radical.

Formas de Niilismo


Veja as diferentes vertentes de niilismo:

•    Moral – Conceito que não julga ação alguma como imoral ou ainda moral.
•    Existencial – A existência humana não tem sentido, nem qualquer propósito divino.
•    Político – A destruição das forças políticas, religiosas e sociais são essenciais para que o humano tenha um futuro melhor.
•    Negativo – Rejeição de tudo o que é “controlador” nas esferas político-sociais e religiosas, buscando uma forma de alcançar o paraíso.

Características do Niilismo


O niilismo é uma filosofia que tinha muitas formas e vertentes. Os russos, por exemplo, acreditavam que a divindade era frequentemente questionada. Observe as características principais:

•    É uma corrente cética e pessimista;
•    Não existe razão, sentido e significância na existência humana;
•    Retirar a família, a religião e o estado da regência da felicidade humana;
•    Não existem verdades absolutas que expliquem a origem da existência humana;
•    O aspecto positivo diz que o ser humano só mostra capacidade de felicidade e de assumir responsabilidades pessoais se não forem regidos pelo estado ou pela religião.

Filósofos niilistas


Os principais filósofos niilistas alemães que propagavam a corrente em suas obras eram:

•    Arthur Schopenhauer (1788-1860) – observava o mundo como alegoria, crítica e infeliz. É considerado um dos mais pessimistas de todos.
“A religião pode ser comparada a alguém que pega um cego pela mão e o guia, pois este é incapaz de enxergar por si próprio, tendo como preocupação chegar ao seu destino, não olhar tudo pelo caminho.” (Schopenhauer)
•    Friedrich Hegel (1770-1831) – analisava as concepções filosóficas do passado de maneira crítica, caracterizando-as como: sem vida, sem história embasada e totalmente tendenciosa.
“A necessidade, a natureza e a história não são mais do que instrumentos da revelação do espírito.” (Hegel)
•    Friedrich Nietzsche (1844-1900) – seu ceticismo e pessimismo eram suas marcas registradas. É considerado um grande expoente da filosofia niilista.
“O ser humano preferirá ainda querer o nada a nada querer...” (Nietzsche)
•    Martin Heidegger (1889-1976) – também seguia a corrente existencialista, diferente dos demais niilistas.
“A angústia é a disposição fundamental que nos coloca perante o nada.” (Heidegger)


Para Nietzsche, o homem é livre e capaz de fazer suas próprias escolhas. (Foto: Wikimedia Commons)

Outros filósofos que retrataram e se aprofundaram no niilismo:

•    Jürgen Habermas (1929)
•    Ernst Jünger (1895-1998)
•    Friedrich Schlegel (1772-1829)

O Niilismo de Nietzsche


Friedrich Wilhelm Nietzsche, filósofo alemão, sugeriu através da corrente niilista a “ausência de sentido” ligado ao conceito do “Super-Homem”. Essa proposta surgiu a partir da “Morte de Deus”, isto é, da inexistência de qualquer princípio.

Essa corrente partiu do pressuposto de que, como os homens são isentos de crenças, dogmas, normas e tradições, poderiam ter o livre arbítrio para comandar as suas vidas. Em consequência disso, haverá “homens novos” por intermédio da “vontade de potência”.

Além disso, tudo o que é propagado por instituições políticas, religiosas e sociais, a exemplo do poder e os valores, ficarim inexistentes. O homem começa a ser livre e perfeitamente capaz de fazer suas escolhas e não corre o risco de se contaminar com qualquer tipo de crença.

Para Nietzsche, as implicações niilistas eram argumentações para decisões e cogitações no dia a dia do ser humano. Se o “Super-Homem” conquista esse poder, acontece uma mudança radical de todos os valores.

Tipos de Niilismo


Para o filósofo Nietzsche, há dois tipos de niilismo:

•    Niilismo Passivo – A evolução humana ocorre, mas não existe mudança de valores. Conhecido como niilismo incompleto, podia ser apontado como a evolução da criatura, mas nunca uma transformação nos valores. Por meio do anarquismo se compreende a evolução, mas os valores que foram danificados darão lugar para valores novos. Nega o desperdício da força vital na vã esperança de ser contemplado ou então, de encontrar um sentido para a vida e isso se opõe à moral cristã. 
•    Niilismo Ativo – A evolução humana é responsável pela transformação dos valores, apesar da concepção dos novos. Conhecido também como niilismo completo recomenda uma atitude mais ativa que despreza os valores metafísicos e desvia a força vital para a devastação moral. Depois dessa devastação, tudo cai no vazio, a vida não possui sentido algum, onde reina o absurdo. O niilista não pode ver alternativa, a não ser esperar ou provocar a morte. Mas, Nietzsche não recomendava práticas suicidas.

Niilismo pós-Nietzsche


O niilismo ganhou atenção e notoriedade só depois do início da Primeira Guerra Mundial e também dos avanços científicos. Jürgen Habermas e Martin Heidegger transmitiram pensamentos fundamentais e, a partir de então, o termo encontrou novas visões e interpretações.

Artigos Relacionados

O Grito refere-se a uma série de pinturas produzidas em 1893. O quadro, “o grito” tornou-se um dos mais famosos do mundo.

As Obras de Tarsila do Amaral são muito conhecidas. Quadros como “Abaporu” e “Antropofagia” caracterizam o estilo da artista.

As obras de Salvador Dalí são as principais representantes do surrealismo. Elas misturam as dimensões da lucidez e do delírio em uma só peça.

Quer estudar
pagando menos?
Com o Educa Mais Brasil você estuda com desconto até o final do curso!
×Graduação
Curso que deseja estudar