Estilo de pintura francesa que surgiu nas últimas décadas do século XIX.
O pontilhismo é uma técnica de pintura que surgiu na França no final do século XIX com o movimento impressionista.
Essa técnica de pintura é bastante diferenciada porque os pintores fazem suas artes não com largas pinceladas, mas com pequenos pontos de cores lado a lado, muitos próximos, sem mesclar as cores.
Pode-se ainda definir o pontilhismo como uma arte de pintar em pontos coloridos justapostos, a ponto que não se perceba os espaços em brancos, e bem organizados se constrói todo o conjunto.
E dessa maneira, os pintores franceses criam e recriam um “efeito óptico” nos olhos dos espectadores. Esse efeito é produzido justamente pela proximidade dos pontos coloridos construindo a imagem.
Esse toque diferencial no modo de pintar dos artistas pontilhistas era ainda conhecido por outros termos. E eram eles: divisionismo, cromoluminismo, punctilhismo, neo-impressionismo e pintura de pontos.
De modo geral, pode-se estabelecer características da técnica pontilhista. E são elas:
• Preferência pela uso das tintas a óleo, porque tinham melhor espessura e não escorriam com facilidade;
• O trabalho ao ar livre a fim de captar a luminosidade;
• Movimento artístico que se fundamenta em estudos científicos das cores;
• A técnica da justaposição dos pontos coloridos entre cores primárias e cores secundárias propicia efeito óptico;
• Pinturas que valorizam a natureza.
Pontilhismo e os estudos científicos
O pontilhismo é um movimento artístico que está fundamentado nos estudos científicos do químico francês Michel Eugène Chevreul (1786-1889).
Aproximadamente em meado do século XIX, em 1839, Eugène Chevreul publicou o livro “De la Loi du Contrast Simultané des Couleurs”. E entre os assuntos abordados estava a lei das cores complementares.
Esses assuntos serviram como verdadeiros para a técnica pontilhista. Entre os princípios dos estudos que os pintores passaram a seguir, foi relacionado ao brilho e as justaposições corretas. Pois, para causar uma qualidade melhor no brilho das cores era preciso duas ações precisas dos pintores – escolher os tons correto das cores adjacentes e os pontos exatos do conjunto.
E as justaposições também são precisas. Assim, a combinação dos pontos coloridos qualificam os resultados artísticos.
Outro importante estudo científico teórico para o pontilhismo foi do médico e físico alemão Hermann von Helmholtz.
A teoria tricomática foi inicialmente desenvolvida pelo físico e médico Thomas Young. E anos depois, Helmholtz aprimorou a teoria que explica o funcionamento as visão humana. Então, segundo essa teoria, o globo ocular tem três receptores. Cada um com determinada sensibilidade a um comprimento de onda das cores primárias – azul, vermelho e verde.
E cada receptor ocular reage de modo diferente. Pois, o olho ao ver as cores primárias, o cérebro faz a interpretação dos comprimento de onda, semelhante a uma mistura, resultando assim na visualização de cores secundárias.
Os conhecimentos de Hermann von Helmholtz sobre Física e Fisiologia óptica foram publicados no livro "Manual de óptica fisiológica" ("Handbuch der physiologischen Optik"). Esse e outros conhecimentos no campo da visão tiveram grande valia para os pintores franceses no tange aos efeitos ópticos das pinturas.
Pontilhismo: pintores e obras
Os pintores precursores do pontilhismo foram os franceses Georges Seurat e de Paul Victor Jules Signac.
Georges Seurat (1859-1891) estudou na Escola Superior de Belas Artes, em Paris capital da França, e desde cedo descobriu o talento na pintura e a habilidade para inovar técnicas artísticas.
Uma das pinturas mais famosa de Seurat é o quadro “Uma Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte”.
A obra pontilhista foi produzida entre os anos de 1884 a 1886 e apresenta a beleza das árvores e a harmonia da convivência social das pessoas as margens do rio Sena, na Ilha de Grande Jatte, em Paris.

Imagem da obra Torre Eiffel de Georges Seurat produzida em 1889. (Foto: Wikipédia)
Entre os mais de cem quadros pintados por Georges Seurat pode-se destacar os seguintes:
• Jovem maquilhando-se (1890);
• Angélica no rochedo (1878)
• O Jardineiro (1882)
• O canal de Gravelines (1890);
• Le Chahut (1890);
• Um banho em Asnières (1884).
Paul Victor Jules Signac (1863-1935) era um artista com pensamento à frente do seu tempo.
Signac se alinhava com o pensamento da filosofia anarquista e participou de espaços artísticos importante, como a Escola de Artes Decorativas e do Grupo dos XX.
O hobby de Signac era a coleção de barco. Ela possuía 30 barcos e sua paixão pela viagem de barco o inspirou a conhecer e usar tons de cores novas. E a justificativa disso era porque gostava de identificar o tom da claridade que cada região tinha.
Georges Seurat e Paul Signac fundaram a Sociedade dos Artistas Independentes em 1884.
Nas pinturas de Paul Signac destacam os retratos e as composições de figuras. Entre os títulos delas destacam-se:
• A Ponte De Asnieres (1888);
• Entrada do Porto de Marselha (1911);
• Subúrbios de Paris (1883);
• Moinhos de Mont-Martre (1884);
• O Monte de Areia (1906);
• Retrato de Félix Fénéon (1890)

Imagem da pintura “Domingo” de Paul Signac produzida entre os anos de 1888 a 1890. (Foto: Wikipedia)
Outros pontilhistas
Além dos pintores precursores, o pontilhismo caiu nas graças de diversos outros. O pintor francês Edgar Hilaire Germain Degas destacou-se pelas pinturas femininas, especificamente de bailarinas.
Diferentemente da maioria dos pintores pontilihistas, Edgar Degas não gostava de pintar seus quadros ao ar livre.
Um dos elementos diferenciais do pintor eram os traços e o sentido de movimento nas obras. Por isso, as imagens apresentavam-se cortadas nas bordas. Entre as principais abras de Edgar Degas destacam-se:
• Os Bastidores da Dança (1872);
• Ensaio de Balé (1873);
• Aula de Dança (1874);
• O Absinto (1876).
O pintor holandês Vincent Willem van Gogh (1853-1890) foi autor de mais 800 pinturas a óleo com temas de diversas paisagens, da vida campesina, de trabalhadores do campo, retratos e autorretratos.
Vincent van Gogh ainda teve o estilo de pintura do fauvismo surgido no início do século XX. Entre as principais abras de Vincent van Gogh destacam-se:
• Auto-retratos (1886-1890);
• Noite Estrelada (1889);
• Doze girassóis numa jarra (1889);
• Retrato do Dr. Gachet (1890).
Os quadros do pintor francês Paul Gauguin foram singulares. Ele fundou o grupo artístico “Les Nabis” que interpretava a pintura como uma filosofia de vida.
Um dos destaques dos quadros de Paul Gauguin era a arbitrariedade nas cores e a simplicidade. Entre as principais abras de Paul Gauguin destacam-se:
• Jacó e o Anjo (1888);
• O Filho de Deus nascido (1896);
• Mulheres de Taiti na Praia (1891);
• Café em Arles (1888).