Dança tradicional dos festejos juninos de origem francesa
A quadrilha é uma tradicional dança que ocorre, predominantemente, nos festejos juninos com a participação de muitos dançarinos quadrilheiros e um narrador.
Quem é brasileiro certamente já viu uma apresentação de quadrilha na vida, presencialmente ou através da televisão. E quem as viu ao vivo sabe que o momento de maior efervescência cultural das quadrilhas é nas cidades do interior da região nordeste. Por conta disso, as apresentações fazem referências à cultura nordestina, como a caracterização do homem do campo, do matuto e do caipira.
Mas você sabe a origem da quadrilha? Pois bem, ela é originária do baile francês chamado de “quadrille”.
O “quadrille” era dançada nos salões da alta aristocracia na cidade de Paris, na França, no período do século XVIII. E, normalmente, nos eventos mais luxuosos os movimentos eram realizados por quatros casais.
A dança francesa já era pertencente a uma outra cultura – a inglesa. Pois, tratava-se de uma “contredanse” de origem camponesa que surgiu, possivelmente, no século XIII e se difundiu em vários países europeus.
Então, a “contredanse” inglesa ao entrar na cultura francesa sofreu modificações e tornou-se a “quadrille”. E foi através das classes sociais abastardas que frequentavam a Europa que a “quadrille” chegou no solo brasileiro. A época era do governo regencial e do colonialismo de exploração no Brasil.
Anos depois, no decorrer do século XIX, as camadas populares começaram a imitar a dança francesa que muito abrilhantou os salões dos aristocratas. E, consequentemente, muitas mudanças aconteceram nos passos, no ritmo das músicas e nas vestimentas.
Dessa maneira, em vários localidades onde a “quadrille” era dançada e apreciada pelo povo houve a incorporação dos hábitos culturais nacionais. E assim tornou-se a quadrilha que se conhece atualmente.
Quadrilha e tradição no Brasil
A quadrilha e os festejos juninos não são exclusividades do Brasil. Em outros países como Portugal, Canadá e Peru também há festejos e danças, porém dão uma nova “cara” seguindo suas culturas.
A quadrilha junina brasileira de modo geral apresenta os traços culturais típicos da diversidade cultural do Brasil. A tradição brasileira das apresentações são marcadas pela presença de muitas damas e cavaleiros dançando em pares, muitas roupas coloridas e de muitos elementos culturais de cada localidade.
No que tange às indumentárias tradicionais da quadrilha, os cavalheiros dançarinos vestem-se de calças com remendos, blusas quadriculadas de manga comprida e um chapéu de palha. Essa caracterização masculina é, geralmente, tipificando um matuto nordestino.

Na tradição brasileira as roupas das quadrilhas têm muito colorido. (Foto: Wikimedia Commons)
As damas dançarinas vestem-se de vestido rodado, com muitos babados e laços de chita. Algumas usam uma coroa de flores e fitas nos cabelos ou chapéu de palha ornamentado.
A maquiagem também é elaborada pensando nos hábitos populares. Nas damas dançarinas é pintado as bochechas de bolinhas pretas. Já nos cavaleiros dançarinos são feitos desenhos de bigode ou cavanhaque. E ainda, em alguns, são pintados os dentes de preto.
Outro destaque são as decorações tipicamente tradicionais dos espaços onde as quadrilhas realizam suas apresentações – o arraial. É pendurado no teto bandeirolas coloridas entrelaçadas, balões, desenhos de fogueira e milho.
Entretanto, é importante destacar que em espaços que são projetados para essa finalidade também podem ter apresentações de quadrilhas e receber decoração típica, a exemplo das escolas, empresas públicas ou privadas e nas associações. Nesse caso, ocorrem para o divertimento do público ou para a preservação cultural.
Entre as damas e cavalheiros dançarinos devidamente padronizados com as roupas típicas destacam-se os seguintes personagens:
•O padre;
•O delegado;
•O noivo;
•A noiva;
•O juiz;
•Os padrinhos.
Passos da quadrilha e os matutês
Durante a execução da quadrilha o narrador é o elemento chave para a condução dos passos e dos movimentos dos quadrilheiros.
Como a dança é uma imitação popular brasileira da dança francesa, já mencionado anteriormente, os termos dos passos e dos movimentos eram falados no idioma francês. E quando começaram a ser pronunciados pelas camadas mais populares foram “aportuguesados”.
Dessa maneira, ao longo do tempo, ocorreu um processo de mudança linguística dos termos chamado de matutês.
O matutês seria a imitação da linguagem matuta à pronúncia do francês e é, justamente, essas palavras que nomeiam os passos que são executados nas quadrilhas em várias regiões brasileiras.
Nem todos os passos da “quadrille” permaneceram na quadrilha junina brasileira, porque muitos profissionais dedicados a essa dança criativamente acrescentaram novos passos.
Então, o narrador pronuncia os matutês e as damas e cavalheiros quadrilheiros organizadamente em pares executam os passos conforme o comando dele. Entre os passos mais conhecidos destacam-se:
•anarriê (em derrière): Os cavaleiros e as damas dançarinas separam-se e formam duas colunas de frente para o narrador que está no meio do salão;
•olha o túnel: Os cavaleiros e as damas ficam em posição de frente para o outro. Depois levantam os braços levemente inclinados e dão as mãos no alto. Dessa forma, fazem um “túnel” humano onde cada par de dançarinos passam. E, nesse caso, os primeiros a passarem são o casal de noivos;
•olha o grande passeio: enquanto os cavaleiros se posicionam em passos mais lentos, as damas formam uma roda viradas umas para outras;
•coroa de rosas: Os cavaleiros lado a lado levantam os braços com um arranjo de rosas na mão direita. Em seguida, inclina levemente o braço direito e coloca sobre a cabeça da dama o arranjo de rosas, simulando uma coroação. Por fim, dá um passo e fica em frente da dama e depois a gira para direita e para a esquerda;

As damas e cavalheiros executam muitos passos durante a dança. (Foto: Flickr)
•descoroar: esse passo é para desfazer o “coroa de rosas”. Os cavaleiros saem da posição de frente da sua dama e formam uma roda;
•caracol: Os cavaleiros e as damas ficam posicionados em uma grande roda e a noiva, ao lado do noivo, conduz o primeiro par de dançarinos para o interior da roda. Depois, os demais seguem enfileirados o mesmo caminho. E todos de mãos dadas formam um caracol até que todos tenham passado pelo centro da roda. E por fim, o casal de noivos fazem a condução do retorno do caminho;
•já passou: Os cavaleiros e as damas fazem o passo de meia volta no meio do salão e gritam “ahhhh”.