O Realismo foi um movimento que surgiu na Europa, na segunda metade do século XIX. A escola literária se destacou pela forte presença da objetividade em suas obras, rompendo com o subjetivismo e a perfeição estética pregada pelo Romantismo. Ele teve início após a primeira publicação do romance de Gustave Flaubert, Madame Bovary, onde a obra relatava o amor e suas consequências, comentando, inclusive, sobre o adultério.
Após esse acontecimento, a escola literária começou a se expandir como uma forma de reação ao exagerado sentimentalismo do Romantismo. Os artistas desse período procuravam estabelecer em suas obras um maior vínculo com a sociedade, buscavam por uma representação mais objetiva e direta, sem muitos rodeios.
O objetivo era propor uma maior aproximação do público com a realidade, negando tudo o que fosse extremamente perfeito. Para entender melhor o Realismo, é preciso compreender o seu contexto no continente europeu, pois o movimento foi influente no âmbito da literatura, artes plásticas e teatros. Além disso, trouxe grandes mudanças para a literatura brasileira.
Contexto histórico
Na Europa, o período que marcou o Realismo ficou conhecido como “Belle Époque”. Com a Revolução Industrial iniciada na Inglaterra e espalhando-se por outros países, o capitalismo começava a se fixar nos grandes centros urbanos.
A busca pelo aumento de produtividade fortalecia dentro das indústrias a utilização de materiais, tais como o aço, o petróleo e a eletricidade. Diante dessas mudanças na economia, o Realismo crescia enfrentando momentos difíceis na história, marcado pela presença de rebeliões e insatisfações políticas, já que o capitalismo favorecia mais a classe burguesa.
Os acontecimentos, no entanto, foram importantes para a fixação das principais características desse período. Pois, foi nessa fase que os autores do Realismo encontraram a oportunidade de relatar a dificuldade encarada pela sociedade em suas obras. Diferente dos antigos movimentos culturais, o Realismo apresentava um forte caráter ideológico, marcado por uma linguagem política e de denúncia dos problemas sociais, tais como miséria, pobreza, exploração, corrupção, entre outros.
Realismo na pintura
Nas artes plásticas, os artistas buscavam expressar em suas telas a realidade do dia a dia das pessoas. As cenas mais retratadas era a da camada menos privilegiada da sociedade. Para expressar os sentimento de tristeza vivido por essas pessoas, os artistas usavam cores fortes, realçando a expressividade dos traços.
O pintor francês, Gustave Coubert, foi personalidade de destaque na literatura realista. Os seus quadros chocaram o público pela forte influência de situações envolvendo problemas sociais. Entre as telas mais famosas, vale destacar: Os Quebradores de Pedras e Enterro em Ornans. Além dele, outros artistas marcaram essa época como os pintores Honoré Daumier, Jules Breton, Jean-François Millet e Édouard Manet.
Realismo na literatura
A literatura foi a arte, onde o Realismo promoveu grandes mudanças, vivendo o seu auge. Os romances, principalmente, podem ser encontrados até os dias atuais. Eles apresentam um caráter social e psicológico, enfatizando temas considerados polêmicos pela sociedade. Nesse período, os livros também buscavam enfatizar a descaracterização das instituições sociais (Igreja Católica) perante o povo. Além disso, eles repudiavam o preconceito, a intolerância e a exploração em suas obras, fazendo sempre o uso de uma linguagem mais objetiva, de modo que a população pudesse, realmente, se sentir inserida nesse contexto.
Entre as obras que ganharam destaque na passagem do Romantismo para o Realismo, vale destacar: A Comédia Humana, do escritor Honoré de Balzac, O Vermelho e o Negro de Stendhal, Carmen de Prosper Merimée e Almas Mortas de Nikolai Gogol. Em Portugal, um dos representantes desse movimento literário foi Éça de Queirós, com O crime do padre Amaro.
Realismo no Teatro
No teatro realista, as peças sofreram rupturas nos padrões estéticos de suas apresentações, pois o herói romântico dava lugar a personagens comuns do cotidiano, bem como os temas encarados pela sociedade transformavam-se em histórias dramaturgas.
O primeiro dramaturgo a representar a arte realista nos palcos foi o francês Alexandre Dumas, autor de A Dama das Camélias. Além dessa obra, a escola realista contou com peças importantes, a exemplo do Ralé e Os Pequenos Burgueses do artista Gorki, Os Tecelões de Gerhart Hauptmann e Casa de Bonecas do norueguês Henrik Ibsen.
Realismo no Brasil
No Brasil, o realismo apareceu no ano de 1881. Na época, o país ainda não era totalmente industrializado como os países da Europa. A nação era predominantemente rural, monarquista e escravocrata.
Mas, a segunda Revolução Industrial trouxe grandes avanços para o desenvolvimento da economia no país. Movimentos como a abolição da escravatura em 1888, fez com que muitos imigrantes procurassem por emprego nos grandes centros urbanos do país para substituir o trabalho dos escravos. Além disso, vale ressaltar o término do segundo Reinado de D. Pedro II com a Proclamação da República, em 1889.
Entre esses acontecimentos, o Realismo manifestou-se na literatura brasileira com a publicação das primeiras prosas. Os romances realistas serviram como uma ferramenta crítica aos comportamentos praticados pela burguesia e aos dogmas católicos implantados pela igreja.
Machado de Assis, precussor do Realismo no Brasil. (Foto:Wikipedia)
Para os especialistas da literatura, a ruptura com o Romantismo no Brasil foi marcada pela publicação do livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas” do escritor Machado de Assis. Eles consideram que esse foi o marco inicial do movimento no país, já que, na obra, o autor fez duras críticas à sociedade da época.
Em sua carreira, o escritor viveu duas fases, uma representando a passagem do Romantismo para o Realismo (fase preparatória) e a outra, quando o autor já estava totalmente inserido com as ideias do novo movimento (fase realista). O escritor se destacou pela veracidade e contemporaneidade traduzidas em seus textos, além do uso da narrativa detalhada e descritiva.
Machado de Assis escreveu contos, poesias, romances, crônicas e peças de teatro. Além disso, ele foi o fundador da Academia Brasileira de Letras (ABL). Os livros que ganharam destaque no Realismo foram: