Movimento surgido na América Latina entre os anos 1960 e 1970
Realismo mágico foi um movimento conhecido por misturar elementos fantásticos ou sobrenaturais com situações do dia a dia do mundo real. O movimento teve início em países da América Latina, e alcançou seu auge nos anos de 1950 e 1960.
A primeira vez que o termo foi utilizado foi em 1925, quando o teórico alemão Franz Roh se referiu a obras pós-expressionistas. Só mais tarde, em 1925, quando Arturo Uslar Pietri utilizou as referências do teórico é que o termo passa a ser associado ao movimento.
O realismo mágico é conhecido também como realismo maravilhoso. Esse termo foi usado por Alejo Carpetier na introdução da obra "O Reino deste Mundo", considerada um marco para o estilo.
Nas obras do realismo maravilhoso, os personagens lidam de maneira natural com as situações que podem parecer extraordinárias. Essa característica é a principal definidora do movimento. Além disso, as obras do movimento tomam a cultura local como influência.
O realismo mágico já foi comparado a outros movimentos, mas se distingue deles por suas características específicas, como a influência. É comum ver nas obras personagens do folclore local ou até seres mitológicos.

No realismo mágico, o surreal é encarado com naturalidade. (Foto: Pixabay)
Características
As características do realismo mágico nem sempre predominam em todas as obras do movimento. Muitas vezes, as obras contêm alguns elementos característicos, enquanto outras possuem outros elementos. Ainda é possível encontrar traços do movimento em obras de outros estilos.
O principal aspecto que define o realismo mágico é a inclusão de elementos do sobrenatural no dia a dia dos personagens. Esses elementos, inclusive, são encarados pelos personagens com normalidade nas cenas.
Por conta disso, o realismo mágico foi comparado ao realismo utilizado por Kafka, estilo chamado de fantástico Kafkiano. O autor da obra "A Metamorfose" inclui em suas histórias personagens fictícios, que são encarados com certa naturalidade pelos personagens, mas não tanto como no realismo mágico.
Além disso, o que diferencia os estilos é que, enquanto Kafka inclui elementos de qualquer cultura nas suas histórias, o realismo mágico é feito com personagens fantásticos das culturas de onde ele surge. Geralmente, as obras tomam como inspiração a cultura local, as crenças e o folclore.
Outra das características do realismo mágico é que as obras, apesar de possuírem elementos sobrenaturais, não ocorrem em outros mundos, por exemplo. As situações acontecem no nosso mundo, onde as situações são incluídas no cotidiano. Além disso, o tempo nas obras não é linear.
Nomes do realismo mágico
O realismo mágico foi um movimento que influenciou muitas formas de expressões artísticas nos países da América Latina. Por conta disso, o estilo teve alguns nomes que ficaram mundialmente conhecidos por seus trabalhos. Vamos ver alguns deles.
Gabriel García Márquez
Um dos principais nomes do movimento, Gabriel José García Márquez, nasceu na Colômbia em março de 1927. Além de escritor foi jornalista, ativista, político e editor. Ele foi considerado um dos escritores mais importantes do século XX.
Entre os seus trabalhos, se destaca o livro "Cem Anos de Solidão", considerado a segunda maior obra literária hispânica de todos os tempos. O livro foi escrito com características do movimento realismo mágico, e é considerado por muitos o maior expositor mundial do movimento.
Alejo Carpentier
Autor do livro que é considerado a principal obra do realismo mágico, Alejo Carpentier nasceu em Havana, em Cuba, em dezembro de 1904. Foi ainda novelista, músico e ensaísta.
Foi no ano de 1949 que o autor publicou a obra "O reino deste mundo", baseado na história que precedeu a independência do Haiti. No livro, o autor recria a história em um mundo fantasioso, com características que vieram a ser referências para outras obras do estilo.
Murilo Eugênio Rubião
Murilo Eugênio Rubião foi um escritor brasileiro, considerado um dos expositores do realismo mágico no Brasil. Ele nasceu em Minas Gerais no dia 1 de junho de 1916, e foi ainda jornalista.
Escreveu vários livros com influência do estilo, e se baseava em mitologias e até em histórias bíblicas. Entre os seus trabalhos estão "A casa do girassol vermelho", "O homem de boné cinzento e outras histórias", "Os dragões e outros contos", e "O ex-mágico da taberna minhota".
José Veiga
O brasileiro José Veiga, conhecido como José J. Veiga, nasceu em Goiás no ano de 1915, e foi autor de várias obras inspiradas no realismo mágico. O autor é considerado um dos maiores nomes do movimento no Brasil, ao lado de Murilo Eugênio Rubião e Dias Gomes.
Dias Gomes
Alfredo de Freitas Dias Gomes, ou apenas Dias Gomes, nasceu em Salvador, no dia 19 de outubro de 1922, e foi, além de autor, dramaturgo e romancista. Ele chegou a integrar a Academia Brasileira de Letras.
O autor foi o responsável por levar o realismo mágico para o mundo da teledramaturgia. Em 1976, escreveu a novela Saramandaia, exibida pela Rede Globo em 160 capítulos. Assim como em outros países, a novela utilizava o estilo para fazer críticas políticas.
Isabel Allende Llona
Isabel Allende Llona, ou apenas Isabel Allende, é uma escritora que nasceu no Peru no dia 2 de agosto de 1942. Ela é uma das grandes representantes do realismo mágico.
A escritora é autora da obra "A casa dos Espíritos". O livro, lançado em 1982, mistura elementos da ficção com características do realismo mágico. Ele conta a história de uma família e seus descendentes, e se passa no Chile.
O livro fez tanto sucesso que se tornou um filme. No elenco, atores como Meryl Streep, Winona Ryder e Antonio Bandeiras, deram vida aos personagens do livro de Isabel.
Frida Kahlo e o realismo mágico
Nascida no México, no ano de 1907, Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón, ou apenas Frida Kahlo é uma das personagens mais famosas do mundo. A pintora foi autora de muitas obras, incluindo autorretratos. Além disso, ficou conhecida por seus posicionamentos.
Apesar de seus trabalhos serem anteriores ao realismo mágico, alguns teóricos consideram que as obras se encaixam nesse estilo. Isso acontece pela forma como Frida inclui nas suas obras elementos fantasiosos e ligados a cultura mexicana.
Apesar disso, o trabalho de Frida Kahlo é considerado como surrealismo. Ela morreu no México em 1954, aos 47 anos, deixando seu grandioso legado de obras e posições.