Escola materialista que transformou a literatura brasileira
O Realismo no Brasil foi um movimento artístico e literário, que influenciou o país em meados do século XIX, mais precisamente no ano de 1881, através da publicação do livro de Machado de Assis: Memórias Póstumas de Brás Cuba.
O Realismo, por si só, teve início na Europa em resposta a perfeição encontrada nas obras do Romantismo. Ao contrário desse movimento, o Realismo queria mostrar o ser como ele realmente era, valorizando a sua inteligência, razão, objetivos e possíveis defeitos. Mas, antes de ingressarmos no contexto histórico do Realismo no Brasil, é importante conhecer as mudanças causadas por esse movimento na Europa.
Quando surgiu o Realismo?
Na Europa, o Realismo surgiu em uma época notoriamente conhecida como a “Belle Époque”, que significa “Bela Época”, uma referência ao clima intelectual e artístico do período em questão. Ela foi marcada pelo desenvolvimento tecnológico que tomou conta dos países, como Inglaterra, França, Reino Unido, Itália e Alemanha.
Com os adventos da Revolução Industrial, a economia desses países passava por um longo processo de transformação, onde as indústrias começaram a fazer uso de novas matérias-primas (aço, petróleo, eletricidade, etc.)
Contudo, historicamente, também foi nessa época que muitos trabalhadores assalariados começaram a reivindicar os seus direitos, organizando-se em sindicatos e partidos políticos.
Esse período conturbado formou, então, um cenário propício para o desenvolvimento do que viria a ser o Realismo. Em 1857, com a publicação do romance de Gustave Flaubert, chamado: “Madame Bovary”, foi que o movimento tonou-se conhecido no contexto literário.
A escola também se expandiu para as artes plásticas, arquitetura, música, teatro e cinema. Se no Romantismo os artistas pregavam a subjetividade e a verdade individual, no Realismo eles almejavam expor algo cada vez mais próximo da verdade (verossimilhança), valorizando o objetivismo e o racionalismo.
Assim, o movimento adquiriu um forte caráter ideológico, marcado por um linguagem política e de denúncias sociais (corrupção e exploração), onde os artistas queriam mostrar com veracidade a insatisfação do público, sem a presença de conteúdos “romantizados”. Nessa fase, os livros que se destacaram foram:
•O crime do padre Amaro, de Eça de Queirós (Portugal);
•Os sonetos, de Antero de Quental (Portugal);
•Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski (Rússia);
•Guerra e Paz, de Liv Tolstói (Rússia);
•O Tio Goriot, de Honoré de Balzac (França);
•Madame Bovary, de Gustave Flaubert (França), considerada o marco do movimento.
Realismo X Romantismo
A proposta do romance publicado por Gustave Flaubert, que deu início ao Realismo no mundo, explanava sobre o amor de uma maneira completamente diferente do Romantismo, pois, no Realismo, o amor era mostrado sem subjetivismos, sendo feita uma análise psicológica do personagem.
Com uma linguagem mais clara e objetiva, o autor se preocupava em relatar o sentimento acompanhado dos adultérios e suas possíveis consequências. Ao desenvolver um romance, os autores românticos pensariam na figura de um mulher amada, com sentimentos, emoções e um final feliz, que é o esperado.
No entanto, os autores realistas optariam por retratar essa mesma mulher, mas valorizando a sua razão, inteligência, e defeitos. Assim, é possível perceber que duas linguagens distintas separam as escolas: A linguagem poética e metafórica, exposta no Romantismo, e a linguagem objetiva e racional do Realismo.
Contexto histórico do Realismo no Brasil
O Realismo no Brasil começou a aparecer, em meados do século XIX, quando o país passava por uma fase de mudanças no cenário político e econômico. Alguns acontecimentos contribuíram para o seu desenvolvimento, como o Cientificismo, o Abolicionismo, o Positivismo, a crise da Monarquia e substituição da mão de obra escrava pela assalariada.
Tudo isso marcou a transição de uma nação majoritariamente agrícola, para um nação mais industrializada. Dessa forma, a sociedade aristocrática e escravista dava lugar ao Capitalismo Industrial.
Diante dessa situação, artistas da literatura brasileira resolveram propagar as ideias realistas. Os autores que ajudaram a divulgar o Realismo no Brasil foram: Machado de Assis, considerado o percussor do movimento, Raul Pompeia, Aluísio Azevedo e Alfredo Taunay.
Em uma época de crise na Monarquia, após a Guerra do Paraguai, esses autores declaram-se antimonárquicos espontaneamente, o que fez com que o movimento fosse mal visto pela burguesia, mas ainda assim, eles continuaram com as propostas e tiveram muitas de suas obras (prosas) publicadas.
Machado de Assis (1839-1908)
Grande escritor da literatura brasileira, Machado de Assis integrou a Academia Brasileira de Letras, era jornalista e também crítico literário. O artista tornou-se reconhecido pela publicação de diversas obras realistas, mas foi com a publicação do livro “Memórias Póstumas de Brás Cuba” que o Realismo no Brasil ganhou notoriedade.
O livro conta a realidade da elite carioca durante o século XIX, período em que o poder era tido como status. O interessante dessa obra é que a história é narrada pelo próprio personagem principal: Brás Cuba.
A prosa começa pelo fim da vida do personagem, mostrando que, enquanto vivo, Brás Cubas não podia falar nada do que sentia, mas após sua morte, ele consegue expor a sua opinião em todas as situações, sem se preocupar com o julgamento que os vivos poderiam fazer dele. Além dessa conto, Machado de Assis teve outras obras realistas de grande destaque. São elas:
•A mão e a luva (1874);
•Helena (1876);
•Iaiá Garcia (1878);
•Ressurreição (1872);
•Quincas Borba (1886);
•Helena (1876);
•Iaiá Garcia (1878);
•Dom Casmurro (1899);
•Esaú e Jacó (1904);
•Memorial de Aires (1908);
•Esaú e Jacó (1904).

Retrato de Machado de Assis. (Foto: Wikipedia)
Em sua carreira, o artista vivenciou a fase preparatória, em que se despedia do Romantismo e a fase realista, momento em que já estava completamente imerso no Realismo.
Raul d'Ávila Pompeia (1863-1895)
Além de escritor, Raul Pompeia, também foi jornalista e orador brasileiro. Teve o seu primeiro romance publicado no ano de 1880, mas foi com o romance intitulado “o Ateneu(1888)”, que ele contribui para a propagação do Realismo no Brasil.
Visconde de Taunay (1843-1899)
Assim como Machado de Assis, Visconde de Taunay foi escritor e também foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Além disso se destacou em outras áreas, como a de historiador, político, engenheiro, artista plásticos, dentre outras funções.
Para o Realismo no Brasil, o autor contribui através da publicação do romance regionalista “inocência”, onde ele relata o cotidiano de pessoas que vivem no interior do país, em especial na cidade de Paranaíba, no Sertão do Mato Grosso.