Movimento que surgiu na Europa e envolveu as áreas artísticas, políticas e filosóficas.
O Romantismo surgiu na Europa, principalmente na Alemanha, França e Inglaterra, no século XVIII. Em detrimento ao domínio da razão muito presente nesta época, o Romantismo nasceu com o intuito de reivindicar a personalidade sensível e emocional dos indivíduos.
As características principais do Romantismo giram em torno da fantasia, do sentimento, da paixão e da imaginação, que foram as bases para a sua definição. Diante disso, apareceu como uma forma de reagir contra os pensamentos do Neoclassicismo que não possibilitava a liberdade de expressão aos artistas e nem valorizava as suas criações.
Através do Romantismo se desenvolveu a poesia ultra-romântica, dos romances e dos romances históricos, que se popularizaram a partir da ascensão da impressa e da burguesia comercial, possibilitando acesso das classes que ainda não tinham contato com a literatura.
Contexto Histórico
O Romantismo é considerado um movimento que possibilitou a mudança de uma estilo de vida, principalmente do campo artístico. Foi nesse período que tivemos a mudança de liderança, que passou da aristocracia para a burguesia.
O Romantismo teve maior ascensão a partir do advento do Iluminismo, pois passou a favorecer os ideais de "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" por todo mundo, demonstrando um momento de transformação universal. Neste momento, a sociedade como um todo passou a ser reconhecida e não apenas o clero e a nobreza.
A partir daí, a classe média passou a ter acesso a literatura, o que possibilitou a mudança de uma arte clássica e aristocrática para uma arte romântica de forma popular. Tal situação se deu muito pela falta de preparo intelectual da nova classe consumidora de literatura, que neste momento não possuía conhecimento suficiente para entender a erudição clássica. O novo público, trazido pelo Romantismo, buscava expressões artísticas que representassem os seus gostos e anseios.
Pode-se dizer que a expressão principal do Romantismo é "liberdade", que pode ser vista em diversos campos, a saber:
Origens e Influências do Romantismo
As primeiras manifestações do Romantismo aconteceram na Alemanha, Inglaterra e França, sendo possível observar diversas mudanças culturais.
Na Alemanha, o início da ruptura da perspectiva clássica veio através do "Sturm und Drang" (tempestade e violência), movimento antecessor do Romantismo. Os principais nomes deste movimento foram Goethe e Werther, Schiller, Herder e os irmãos Schelegel.
Na Inglaterra, pôde ser observada com a poesia de Young e Walter Scott. Esse último tem grande influência em nossa literatura com o romance histórico medieval, por exemplo, nas obras de José de Alencar.
Na França, por sua vez, iniciou-se com o movimento Iluminista (Rousseau e Diderot) que já lutava contra o convencionalismo. Vale destacar que Napoleão Bonaparte disseminou as ideias políticas do liberalismo e do gosto artístico romântico. Historicamente, sabe-se que seus exércitos disseminavam os seus ideais por onde andavam: na Espanha, em Portugal, na Itália, na Bélgica, na Rússia.

Características do Romantismo
As principais caraterísticas do Romantismo são: subjetivismo e a evasão ou escapismo.
• Subjetivismo: predomínio da emoção e do sentimento. Nesse caso, as obras apresentam grande função emotiva, e centrada, principalmente, no emissor. Os autores apresentam as suas realidades pessoais, pois existe a imposição do “eu” artista. Pode-se citar, por exemplo, a poesia de Castro Alves que apresenta claramente a emoção e o subjetivismo de forma enfática:
Senhor Deus dos desgraçados!Dizei-me vós, Senhor Deus!Se eu deliro... ou se é verdadeTanto horror perante os céus...Ó mar! por que não apagas,Co'a esponja de tuas vagasDe teu manto este borrão?...Astros! Noites! Tempestades!Rolai das imensidades!Varrei os mares, tufão!...(Castro Alves)
• Escapismo ou evasão: essa característica é bem presente quando se fala em Romantismo, visto que os autores românticos eram bastante idealizadores e possuíam uma insatisfação constante. Neste período, o romântico assumia um papel revolucionário ou se deprimia e buscava fuga. Por exemplo, pode-se citar a poesia de Junqueira Freire:
Pensamento gentil de Paz eterna,Amiga morte, vem. Tu és o termoDe dois fantasmas que a existência formam,– Dessa alma vã e desse corpo enfermo.Pensamento gentil de Paz eterna,Amiga morte, vem. Tu és o nada,Tu és a ausência das moções da vida,Do prazer que nos custa a dor passada.(Junqueira Freire)
Temas interessantes do Romantismo
O Romantismo trouxe a liberdade de expressão, o que possibilitou aos artistas falarem sobre diversos temas. Destacam-se: o nacionalismo, a religiosidade e a idealização da mulher.
O ideal nacionalista no Romantismo surgiu por diversos motivos, sendo possível identificar em várias regiões. Na Europa, por exemplo, teve grande influência da Revolução Francesa por conta de conflitos de interesse das nações; já na América foi propiciado por conta da emancipação política das Colônias.
A religiosidade é observada em algumas obras do Romantismo quando abordam citações bíblicas, mitologia cristã. No entanto, em muitas produções é possível identificar irregularidades no mesmo período. Por exemplo, existem obras literárias que abordam a religiosidade e outras o satanismo.
No Romantismo, a mulher era representada muitas vezes como um anjo, uma pessoa poderosa e inatingível, mas em outros casos podia ser retratada como demônio, capaz de mudar a vida do homem.
Romantismo no Brasil
O Romantismo no Brasil teve início no ano de 1936, quando Gonçalves de Magalhães lançou o livro “Suspiros Poéticos e Saudade” que apresenta diversas poesias. Além disso, ele lançou na França a revista intitulada de Brasiliense.
Podem-se destacar três gerações do Romantismo brasileiro, sendo:
• Primeira Geração – geração nacionalista ou indianista: as obras dessa geração eram marcadas pela exaltação da natureza, medievalismo, exaltação da figura do índio - que acabou por criar a expressão indianista. Os principais autores deste período foram: Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães e Araújo Porto Alegre.
• Segunda Geração – geração do “mal do século”: essa geração é também conhecida por byroniana, pois teve grande influência da poesia de Lord Byron e Musset. As obras apresentam uma carga grande de egocentrismo, negativismo, pessimismo, desilusão. A principal característica é a busca pela fuga da realidade. Os principais poetas desta geração foram: Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Fagundes Varela.
• Terceira Geração – geração condoreira: essa geração ocorreu na segunda metade do reinado de D. Pedro II, e foi representada por obras que representavam as lutas internas. Também conhecida como a geração hugoana, pois teve influência do poeta Vitor Hugo que falava sobre a política e sociedade. Castro Alves foi um dos principais representantes desta geração, juntamente com Tobias Barreto e Sousândrade.