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Romantismo em Portugal

Postado por Ruan Fernandes em 13/06/2019

Estilo que surgiu na poesia e abrangeu outras artes


O Romantismo em Portugal foi um movimento que teve início na literatura, mas que influenciou áreas como arquitetura, pintura e artes decorativas. O estilo foi utilizado em outros países e chegou no Brasil após a independência do país. 

O movimento teve início no final do século XVIII, quando em 1925 o poeta Almeida Garrett publicou o Poema "Camões", considerado o marco inicial do estilo. O movimento durou 40 anos, tendo finalizado em 1865 com o início do Realismo.

O Romantismo em Portugal surge como forma de se opor a movimentos anteriores a suas normas. O estilo apareceu após movimentos históricos, como a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, e encontrou no país um público disposto a consumir novidades.

Os movimentos revolucionários que antecederam o Romantismo em Portugal fizeram com que a burguesia do país tivesse destaque em áreas como economia e política. Esse novo público passou a pagar pelas obras de artistas que faziam um novo estilo de arte. 

Além disso, os artistas levavam em conta os valores que eram considerados importantes para essa parcela da população. Nesse momento, a arte tem três principais valores: o amor, ou o casamento, por exemplo, a nacionalidade ou o patriotismo e o amor a nação e, por fim, a religiosidade ou a fé e o culto a Deus.

Mas o Romantismo em Portugal é marcado ainda pelo uso da emoção. Estilos anteriores faziam uso da razão, do pensamento, e o novo movimento se opunha a essas características. Surgem nesse contexto os poemas de amor, o culto a natureza e a mulher, que já não eram valorizados há tempos.

Os poetas românticos, por exemplo, faziam uso exagerado da emoção, com histórias sobre sonhos e desejos. Surge nessa área o escapismo, onde os artistas buscavam quatro formas de escapar da realidade. Era comum ver textos sobre passado, sonho, natureza e morte. 

O Romantismo em Portugal teve ainda três fases. No início, ainda continha elementos de estilos anteriores, mas já dava indícios de novas características como o amor a nação, por exemplo. O segundo momento se destaca por fazer uso exacerbado da emoção e fica conhecido como Ultrarromantismo

No terceiro período, que marca o fim do movimento, os artistas passam a fazer mais o uso da razão, sem deixar de lado sua características principais. Porém, é nesse momento que movimentos novos começam a surgir e se opor ao estilo, fazendo com que o Romantismo em Portugal e em outros países caísse em desuso. 

Romantismo no Brasil


O Romantismo em Portugal exerceu influência em outros países, como é o caso do Brasil. No país, o estilo teve como marco inicial a publicação do livro "Suspiros Poéticos e Saudades", compilação de poemas do escritor Gonçalves Guimarães, no ano de 1836.

No início do movimento no Brasil, uma das primeiras características semelhantes ao Romantismo em Portugal foi o nacionalismo. Ainda em 1836 foi fundada a "Revista Brasiliense de Ciências, Letras e Artes", que trazia logo no início a frase "tudo pelo Brasil e para o Brasil".

A revista é fundada por um grupo de estudantes brasileiros que estavam em Paris  e que eram orientados por Gonçalves Guimarães e Manuel de Araújo Porto Alegre. Todo o processo foi influenciado pelo trabalho de Almeida Garrett, principal nome do Romantismo em Portugal. 

No Brasil, o Romantismo também teve três fases. A primeira foi influenciada pela independência do país, chamada de nacionalista ou indianista. Nessa fase surge o ufanismo, caracterizado por exagerar ao se vangloriar das riquezas do país. 

Nesse período, além da exaltação da pátria, a natureza e o índio também tinham lugar de destaque. Outra forte característica dessa primeira fase é o excesso de sentimentalismo. 

Alguns dos principais nomes do período são Domingos José Gonçalves de Magalhães, Antonio Gonçalves dias e Manuel de Araújo Porto Alegre. 

O segundo período do movimento no Brasil, assim como no Romantismo em Portugal, foi caracterizado pelo excesso, por isso ficou conhecido como ultrarromantismo. Surgem trabalhos que exageram ainda nas insatisfações, desencantos, melancolias e tristezas.

Outra característica da fase é o byronismo, uma forma de falar excessivamente dos prazeres da vida boêmia. O nome faz referência a Lord Byron, poeta britânico importante para o Romantismo. Era comum ver textos sobre bebidas, sexo, vida noturna e cigarro. Surgem textos egocêntricos e narcisistas.

Esse período ficou conhecido ainda como "mal do século", termo cunhado por Chateaubriand para definir o excesso de melancolia encontrada do Romantismo. O escritor considerava que o período romântico era tedioso e fútil. O escapismo também foi uma característica dessa fase.

A mulher é vista distante, retratada como um sonho. Alguns nomes importantes dessa fase são Fagundes Varela, Casimiro de Abreu, Álvares de Azevedo e Junqueira Freire. 

A terceira fase do Romantismo no Brasil ficou conhecida como Condoreira. Esse momento foi influenciado pela Abolição da Escravatura e pela Proclamação da República. Com isso, os trabalhos dos artistas passam a falar sobre questões sociais, liberdade e abolicionismo.

Nessa fase, a mulher volta a ser vista como presente, de forma carnal. Os trabalhos voltam-se para o progresso do país. Castro Alves e Joaquim Manuel de Sousa Andrade, o Sousândre, são nomes importantes dessa fase.


Museu Nacional de Arqueologia, exemplo de Romantismo em Portugal. (Foto: Wikipédia)

Neomanuelino no Romantismo em Portugal


O estilo neomanuelino foi a mais importante área da arquitetura do romantismo. O estilo ficou famoso no período pelo foco na construção de edifícios públicos, o que fazia om que aumentassem o sentimento de nacionalismo do povo. 

O nome deriva da junção do grego "neo", que significa novo, e manuelino, em homenagem a D. Manuel I, que foi o percussor do "estilo manuelino", ou gótico português tardio. O principal marco do estilo arquitetônico é a construção do Palácio Nacional da Pena, em Lisboa. 

Apesar disso, o Romantismo em Portugal desencadeou, por vários países da Europa, uma busca por estilos antigos de arte, como no caso da arquitetura gótica, romana, árabe, bizantina e outras. 

O neomanuelismo tinha como base os aspectos da decoração manuelina. As características mais superficiais foram as mais utilizadas. Porém, as construções eram originais e adaptadas às novidades. Era comum o uso de materiais modernos, como tijolos e revestimentos cerâmicos. 

Como surge após movimentos da Revolução Industrial, o neomanuelismo faz uso de novidades originadas desse movimento, como máquinas e estruturas metálicas. Mas as construções mantiveram a funcionalidade e rentabilidade dos locais.


Gabinete Português de Leitura da Bahia, exemplo de neomanuelismo. (Foto: Wikimedia)

Exemplos de construções neomanuelinas: 

  • Mansão Henry Gibson - Recife
  • Gabinete Português de Leitura da Bahia - Salvador
  • Liceu Literário Português - Rio de Janeiro
  • Real Gabinete Português de Leitura - Rio de Janeiro
  • Palácio Nacional da Pena - Sintra
  • Museu Nacional de Arqueologia - Lisboa
  • Palácio do Buçaco - Mealhada
  • Estação do Rossio - Lisboa
  • Arranjo da fachada do Mosteiro dos Jerónimos - Lisboa
  • Quinta da Regaleira - Sintra
  • Paços do Concelho de Sintra - Sintra

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