Principais movimentos e influência para o Modernismo no Brasil
As vanguardas europeias configuraram uma época marcada por grandes movimentos artísticos e culturais iniciados na Europa a partir do século XX. As escolas serviram de inspiração em diversos segmentos das artes plásticas (literatura, pintura, escultura, etc.). A palavra Vanguarda surgiu do termo francês “avant-garde”, e significa a “guarda avançada” ou “o que marcha na frente”, que pressupõe, nesse contexto, ser um movimento pioneiro das Artes.
Dessa forma, as vanguardas europeias derrubaram os paradigmas criados por outras tendências artísticas apresentadas durante o século XIX, pois o olhar dos artistas desse período era direcionado para o futuro.
O objetivo era introduzir na Arte o sentimento de libertação, inovação, a subjetividade e até mesmo um pouco de Irracionalismo. Dessa forma, o movimento provocou uma grande ruptura na tradição cultural dos anos anteriores.
Nessa época, as vanguardas europeias que mais se destacaram foram: o Dadaísmo, o Expressionismo, o Futurismo, o Surrealismo e o Cubismo. Todas elas unidas em um único propósito: a renovação da Arte tradicional.
Resumo
Nos primeiros anos do século XX, a sociedade enfrentava uma série de mudanças com os adventos da Revolução Industrial e da Primeira Guerra Mundial. A população ainda estava se acostumando com os processos de industrialização, descobertas científicas, progressos culturais, entre outros.
Diante dessa situação, os artistas da época queriam demonstrar em suas obras a real situação vivida pelo povo. Assim, eles deixaram de lado as criações perfeitas expostas em outras movimentos artísticos como o Romantismo e Neoclassicismo, por exemplo e resolveram inovar.
A tensão emocional desses artistas falava mais alto, pois eles viviam intensamente a glorificação do mundo moderno, a criação livre de cada modo de expressão, de cada estilo e temática, de cada pintura ou escultura.
Os artistas aproveitaram a capacidade que eles tinham de influenciar o público para despertar novas maneiras de refletir sobre a vida. Assim, surgiram os primeiros movimentos das vanguardas europeias a fim de ir contra os argumentos defendidos nos conflitos bélicos.
As vanguardas apresentavam como principais características o foco na euforia e no pessimismo, a negação das formas fixas do Academicismo e faziam críticas as convenções burguesas.
Vanguardas Europeias
As vanguardas europeias marcaram a história das Artes e a cultura dos países da Europa. Algumas tinha relação com a revolução causada pela introdução de novas tecnologias, outras se destacaram pela utilização de novas cores e formas geométricas. O Guia Enem elaborou um resumo explicando cada uma delas. Confira:
Cubismo
O Cubismo surgiu na França no início do século XX. Os artistas do Cubismo usavam em suas obras formas geométricas representadas, na maioria das vezes, em forma de cubos e cilindros. O movimento rompeu com os padrões estéticos existentes no século anterior, que prezava pela perfeição das formas. O movimento estreou de fato com a divulgação da tela de Pablo Picasso "Les demoiselles d’ Avignon".
Além de Picasso, mestre espanhol, outros artistas se destacar no Cubismo, entre eles: Braque, Picabia, Léger, Mondrian (pintores) e Apollinare e Cendrars (escritores).

Les demoiselles d’ Avignon, obra de Pablo Picasso. (Foto: Fine Art America)
Expressionismo
O Expressionismo se destacou como grande tendência artística entre as vanguardas europeias do século XX. A escola influenciou artistas alemães e franceses ao representar em suas obras instintos e emoções humanas.
Ao contrário da estética impressionista, os expressionistas preconizavam a arte como elemento legítimo para a expressão dos sentimentos do artista. Os artistas que conseguiram expandir essa ideia foram: Paul Klee, Chagall, Kandinski, Erich Mendelsohn, Hermam Hesse, Thomas Man e Bertold Brecht.
Futurismo
A grande expressão desse movimento foi a valorização dada às máquinas e às novas tecnologias nas principais obras artísticas. Pois, o Futurismo surgiu em um período que a Europa vivenciava os impactos provocados pela Revolução Industrial.
Como principal característica, o Futurismo tem caráter radical, utilizando os símbolos no lugar das palavras, rompendo com a gramática e privilegiando o Racionalismo. Além disso, o movimento defendia a propaganda como ferramenta principal da comunicação.
Dadaísmo
O Dadaísmo surgiu na Suíça em 1916 e teve como principal líder Tristan Tzara. A escola foi direcionada pelo deboche e desordem. Sendo assim, o propósito do movimento era transformar a Arte com espontaneidade, pautada na ironia, liberdade, absurdo e pessimismo. Por conta disso, a busca pelo caótico e a imperfeição fez do Dadaísmo um movimento antiartístico (de negação).
Surrealismo
O Surrealismo surgiu na França em 1924. Entre as vanguardas europeias, o movimento se destacou pela característica impulsiva, fantástica e onírica, onde o observador é convidado a apreciar o devaneio do artista.
Muitas características do Surrealismo podem ser comparadas ao estudos freudianos, considerada uma fonte fundamental para entender essa vanguarda. Os artistas que se destacaram foram: Giorgio de Chirico, Max Ernst, Joan Miró, René Magritte e Salvador Dali. Já na literatura brasileira, o movimento influenciou escritores como Oswald de Andrade e Mário de Andrade e, posteriormente, Murilo Mendes e Jorge de Lima, ambos escritores da geração de 1930.
Influência para o Modernismo no Brasil
As vanguardas europeias foram decisivas para o nascimento do Modernismo no Brasil. Isso porque os representantes artísticos desse movimento foram contagiados pelo sentimento de renovação e perceberam a necessidade de alinhar o pensamento artístico brasileiro com as escolas que começaram a aparecer na França no início do século XX.
O primeiro escândalo no país envolvendo as vanguardas europeias aconteceu em 1917 durante uma exposição em que a artista Anita Malfatti participou. Ela havia acabado de concluir os estudos na Europa, trazendo várias ideias expressionistas para o Brasil.
No entanto, a pintora foi criticada por Monteiro Lobato, escritor muito conceituado na época. Além de não gostar do que viu, os escritor publicou nos jornais da cidade (Rio de Janeiro) um artigo conhecido até os dias atuais, chamado de “Paranoia ou Mistificação?”
No texto, o autor critica vários pontos da obra e incita que Anita Malfatti estava querendo enganar a todos. Tal situação gerou grande revolta na população, que chegou a devolver os quadros e até agredir a pintora verbalmente.
Ainda assim, o cenário foi fundamental para o fortalecimento do Modernismo no Brasil, pois provocou a união de outros artistas na causa dessa jovem pintora, a exemplo de Mário de Andrade, Menotti Del Picchia, Villa-Lobos, e Di Cavalcanti. Juntos eles organizaram a Semana de Arte Moderna no Brasil.