Os dias da Monarquia chegaram ao fim
Em 15 de novembro comemoramos o
Dia da Proclamação da República. Em 14 de janeiro de 1890 esse dia foi reconhecido como
feriado nacional pela importância que a data carrega: celebramos a instalação da República no
Brasil. Este foi um período muito importante na
História do Brasil, pois foi quando o país deixou de ser regido por um monarca e passou a ser liderado por um líder escolhido pelo povo. Antes do Dia da Proclamação da República, vivia-se no Império. Mesmo após a
Independência do Brasil, todas as decisões eram tomadas pelo Imperador, na época
D.Pedro II.
Com o passar do tempo, a forma de gerir do monarca não agradava muito os brasileiros, escândalos envolvendo os gastos excessivos da coroa apareciam a todo instante. Além disso, as Repúblicas Federativas já estavam se instalando em alguns países da América. Outros fatores influenciaram a demanda por novos formatos de governo, como crises econômicas devido a dívidas e mudanças nos arranjos sociais, mais pessoas queriam ter voz e possibilidades de opinar. Começava então uma nova era onde a soberania do monarca já não mais existiria.
A Proclamação da República
O Dia da Proclamação da República foi um divisor de águas para a História do Brasil. Esse episódio foi resultado de uma série de mobilizações, desde os republicanos civis até o próprio Exército Brasileiro. Esses grupos se juntaram para combater a
monarquia que havia se instalado no Brasil desde 1822 e que basicamente explorou e endividou o país.
O clima de insatisfação no país era muito grande. Vários historiadores relatam que os militares já não toleravam mais o governo monárquico. O Imperador parecia muito alheio, inclusive era ridicularizado pela imprensa brasileira a todo momento. Além de despender muito dinheiro nas suas viagens para conhecer o mundo, D.Pedro II ficava à parte dos negócios do Estado. A postura pública do monarca era das piores.
Por conta disso, eles arquitetaram um golpe para
expulsar a família real do país e instaurar a república. E de fato, no primeiro momento, essa transição foi feita de forma forçada e sem a participação popular. Os conflitos entre brasileiros, lusos e lusos-brasileiros que estavam apaziguados no
Segundo Reinado, voltaram a se intensificar. No final da década de 1870, perto do fim da
Guerra do Paraguai, da qual o Brasil saiu cheio de dívidas, tanto os militares quanto os civis já não aguentavam mais a forma de comando do governo monárquico. Somado a isso está o surgimento de partidos republicanos no país.
Um dos grupos que mais demonstravam sua insatisfação era o do Exército Brasileiro. As Forças Armadas tinham empreendido um esforço enorme durante a Guerra do Paraguai mas não receberam reconhecimento por isso. Eles eram mal remunerados, o sistema de promoção de carreira era ruim e eles também estavam proibidos de manifestar seu posicionamento político.
O clima já era tenso e o republicanismo tinha solo fértil para expandir suas ideias. Além dos militares, a Igreja Católica que tinha perdido parte do seu poder e os cafeicultores paulistas também demonstravam interesse em novas formas de governo.
O enfraquecimento na monarquia no Brasil também teve como força motriz o avanço da pauta abolicionista. O
abolicionismo ganhava cada vez mais adeptos enquanto a monarquia ia perdendo sua influência.
Republicanos e
abolicionistas criavam ambientes onde podiam discutir sobre as principais mudanças políticas e sociais que eram necessárias para o desenvolvimento do país. O cenário do Brasil em 1880 era esse: crise econômica, polarização política e insatisfação. O resultado não podia ser diferente. Em 15 de novembro de 1890, um ano após a
abolição da escravatura no Brasil, foi decretado o dia da Proclamação da República.
A participação do Marechal Deodoro Da Fonseca foi essencial para o Dia da Proclamação da República.
Imagem: Wikimedia)
O que aconteceu no Dia da Proclamação da República
Separadamente, abolicionistas, republicanos e o Exército já se organizavam em oposição à Monarquia. Alguns historiadores sugerem que esses grupos viviam se encontrando para discutir formas de viabilizar isso, mas o fato é que a
Proclamação da República não foi tão bem planejada quanto o esperado. Em 1889, havia um grupo formado por nomes como Sólon Ribeiro, Quintino Bocaiúva e Aristides Lobo, que debatia sobre a urgência de um novo regime.
Os republicanos buscavam aliados e encontraram o famoso Marechal Deodoro da Fonseca, um militar reconhecido na época. Ele se aliou ao movimento e conduziu um levante militar no dia 15 de novembro. Deodoro da Fonseca cercou o gabinete Ministerial, demitiu o visconde Ouro Preto do cargo e disse que ele mesmo se encarregaria de levar a notícia ao Imperador.
Entre a demissão de Ouro Preto e o Dia da Proclamação da República houve um hiato. Deodoro não se reuniu com o imperador oficialmente, portanto, D.Pedro II nem sabia o sobre o episódio, fato que só aconteceu através de José do Patrocínio, um vereador do Rio de Janeiro. A notícia já estava estampada nos jornais no dia seguinte, ainda houve tentativas de resistências, todas sem sucesso. O governo provisório republicano foi instaurado e a família real fugiu do Brasil rumo à Europa.