Data presta homenagem ao mártir da Inconfidência Mineira
Todos os anos, em 21 de abril, comemora-se o Dia de Tiradentes. A data, que tornou-se feriado nacional durante o governo do então presidente Castelo Branco, faz referência à morte do dentista, comerciante e militar Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes.
Desde 1889, data que marcou a Proclamação da República no Brasil, ele é considerado herói nacional e patrono cívico do país, além de patrono das polícias Militar e Civil. Seu nome também está registrado no Panteão da Pátria, um monumento projetado por Oscar Niemeyer em homenagem aos personagens brasileiros que lutaram pela liberdade e democracia.
Afinal, quem foi Tiradentes?
Joaquim José da Silva Xavier, figura que deu origem ao Dia de Tiradentes, nasceu em 12 de novembro de 1746, na cidade de Minas Gerais. Ele ficou órfão de pai e mãe ainda na infância e logo precisou trabalhar. Começou como comerciante, depois passou a fazer tratamentos dentários – a motivação do seu apelido – e mais tarde assumiu o posto de alferes (espécie de tenente) nas capitanias de Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Em 1788, passou a integrar o movimento revolucionário batizado de Inconfidência Mineira, que era contra a exploração enfrentada pelo Brasil por parte da Coroa Portuguesa. Alguns anos depois, em maio de 1789, foi capturado na cidade do Rio de Janeiro. Permaneceu preso durante três anos e condenado à forca.
No dia 21 de abril de 1792, Tiradentes foi enforcado na praça da Lampadosa. De todos os participantes da Inconfidência, acabou sendo o único executado. Seu corpo foi esquartejado e colocado em postes para servir de exemplo.
Já no século XIX, os grupos em favor da república o elegeram como mártir cívico-religioso e antimonarquista. O 21 de abril, data de morte, tornou-se oficialmente o Dia de Tiradentes e feriado em todo território nacional em dezembro de 1965, por meio da Lei Nº 4.897.

O Dia de Tiradentes é celebrado no Brasil desde 1965.
(Imagem: Wikimedia Commons)
História da Inconfidência Mineira
Também chamada de Conjuração Mineira, foi um movimento com ideais republicanos e separatistas, formado por um grupo da elite mineira. Baseada no Iluminismo e revolução das treze colônias, que resultou na independência dos Estados Unidos, a Inconfidência queria a emancipação da capitania de Minas Gerais em relação aos domínios de Portugal.
Como no século XVIII a região era uma das mais ricas, em virtude da mineração do ouro, a Coroa Portuguesa cobrava da elite e trabalhadores altos impostos. Dentre eles existia o quinto, que obrigava a entrega da quinta parte de todo minério extraído. Caso o pagamento não fosse feito, entrava a “derrama” – cobrança de impostos extras. Era nesse cenário de exploração e taxas abusivas que viviam os colonos.
Foi então que um grupo com cerca de 30 membros, dos quais estavam os poetas Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e Alvarenga Peixoto, militares, intelectuais, padres, entre outros, se uniu contra a cobrança dos impostos e a favor da independência das capitanias e implantação de um governo republicano. No entanto, antes mesmo dos primeiros objetivos serem conquistados, os inconfidentes foram denunciados por Joaquim Silvério dos Reis, Basílio de Brito Malheiro do Lago e Inácio Correia de Pamplona, em troca do perdão de suas dívidas com a Coroa.
O movimento revolucionário foi desfeito e todos os participantes presos. Após três anos de detenção, alguns foram condenados ao exílio e Tiradentes à morte. Ele foi enforcado, esquartejado e teve sua cabeça erguida em um poste na cidade de Vila Rica – hoje um município de Ouro Preto (MG). Pela sua luta em nome da liberdade, anos mais tarde foi nomeado como Patrono Cívico da Nação Brasileira, e a data da execução tornou-se o Dia de Tiradentes.
Curiosidades
- O Dia de Tiradentes remete ao único brasileiro que teve sua data de enforcamento transformada em feriado nacional.
- Apesar de sempre ser retratado com barba e cabelos longos, principalmente durante a Ditadura Militar no Brasil – que queria torná-lo semelhante a imagem de Jesus Cristo – Joaquim Xavier nunca foi cabeludo. Segundo pesquisas históricas, no dia da sua morte estava também sem barba e com cabeça raspada. Era um modo de evitar a proliferação de piolhos entre os presos.
- Três dias após o enforcamento, a cabeça de Tiradentes foi retirada do poste, roubada e nunca mais encontrada.
- Como foi condenado por traição à Coroa Portuguesa, os sinos da igreja da praça da Lampadosa não poderiam badalar durante execução. Contudo, de acordo com o pesquisadores, no momento que futuramente daria origem ao Dia de Tiradentes, o sino tocou cinco vezes.