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Dia do Folclore

Postado por Thamires Santos em 20/10/2020 e atualizado pela última vez em 21/10/2020

Data foi instituída no Brasil em 1965


O Dia do Folclore é comemorado mundialmente em 22 de agosto. A data tem o propósito de valorizar e mostrar a importância de todas as manifestações que caracterizam a cultura popular de um país, como as lendas, canções, mitos, danças, artesanatos, brincadeiras, entre outros. Devido a sua significância e necessidade de preservação, o folclore é considerado pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial


A palavra “folclore” é uma tradução do termo inglês folklore, criado pelo pesquisador William John Thoms em 1846. Ele realizou a junção de “folk”, que significa povo, e “lore”, que remete ao conhecimento, definindo o folclore como um “saber tradicional de um povo”. 


Dia do Folclore no Brasil 


O Dia do Folclore foi oficializado em todo território brasileiro, através do Decreto n° 56.747, em agosto de 1965. Na ocasião, o então presidente militar Castelo Branco instituiu o 22 de agosto como a data que serviria de homenagens a cultura popular nacional. 


Para garantir a continuidade das tradições do folclore brasileiro e estimular os seus estudos, anos mais tarde, em 1951, foi realizado o I Congresso Brasileiro de Folclore. O evento, sediado na cidade do Rio de Janeiro, levou a produção de um documento batizado de Carta do Folclore Brasileiro, servindo de base para que os integrantes chamaram de “fato folclórico”. Este conceito foi marcado pela seguinte definição:


Constitui o fato folclórico a maneira de pensar, sentir e agir de um povo, preservada pela tradição popular e pela imitação, e que não seja diretamente influenciada pelos círculos eruditos e instituições que se dedicam, ou à renovação e conservação do patrimônio científico humano, ou à fixação de uma orientação religiosa e filosófica.


Em 1995, durante a terceira edição do congresso, feito em Salvador, os especialistas no tema atualizaram o documento com conceitos que até hoje norteiam os estudos e discussões sobre o nosso folclore. 


Folclore Brasileiro 


No Dia do Folclore, costuma-se exaltar os elementos e tradições que fazem parte da cultura popular, como brincadeiras infantis, danças, canções, festas típicas e personagens lendários. No Brasil, essas manifestações nasceram através dos indígenas, africanos e portugueses, e estão presentes em todas as suas regiões. 


Um dos aspectos mais marcantes do folclore brasileiro são as danças típicas e festas populares. Entre as mais conhecidas, inclusive internacionalmente, estão o bumba meu boi, frevo, maracatu, afoxé, Folia de Reis, festas juninas e o Carnaval – considerada a maior festividade do país. Já na vertente musical, temos uma vasta diversidade de ritmos e melodias, como é o caso do frevo, samba de roda, baião, forró, pagode, música sertaneja, etc. 


Quadrilha junina no Pelourinho, Salvador
As festas juninas, que celebram Santo Antônio, São Pedro e São João, 
também são lembradas no Dia do Folclore. (Imagem: Pixabay)


Outra riqueza folclórica são os seres sobrenaturais que compõem as lendas e são responsáveis pela continuidade de diferentes superstições. Conheça, a seguir, alguns deles: 


Saci pererê


Sempre lembrado nas celebrações do Dia do Folclore, o saci pererê é representado como um menino negro de uma perna só, com gorro vermelho na cabeça e um cachimbo na boca. Como adora fazer travessuras, expulsa todos que entram nas florestas para prejudicá-las.


Também acreditam que ele viaja no interior de redemoinhos de vento e tem o poder de desaparecer. Por isso, apenas é possível capturá-lo jogando um rosário ou peneira no redemoinho. Aquele que conseguir este feito e ainda lhe tirar a carapuça – a fonte dos seus poderes mágicos – terá um desejo realizado. 


Curupira


Também chamado de caipor, pai-do-mato ou caiçara, é um menino pequeno e com cabelos vermelhos, que tem os pés invertidos e calcanhares voltados para trás. A sua missão é proteger as árvores, animais e matas dos caçadores. De acordo com algumas histórias, ele faz acordo com essas pessoas em troca de fumo, cachaça ou alimentos. A oferenda de presentes para acalmar ou distrair o curupira é uma prática ainda muito comum entre os índios e seringueiros.
 
Iara

A lenda da Iara, que tem origem na região Norte, conta a história de uma sereia que sai do mar durante a noite à procura de homens distraídos, e os arrasta para as profundezas. Segundo os criadores da lenda, os povos tupi-guaranis, aqueles que conseguem retornar à superfície entram em estado de loucura, sendo o pajé o único capaz de quebrar o feitiço. 


Mula sem cabeça


Outro mito que integra o Dia do Folclore é o da mula sem cabeça. Trazido pelos colonizadores portugueses, fala de uma mulher que nas noites de quinta para sexta-feira “solta fogo pelas ventas”. Ela teria sido amaldiçoada após seduzir um padre – sacerdote que faz voto de castidade. As histórias ainda dizem que, se alguém conseguir montar na mula sem cabeça, basta retirar o freio para ela voltar a forma humana. 

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