Data escolhida para homenagear os povos indígenas e celebrar sua diversidade
Há pouco tempo, o
dia do índio era praticamente uma data que fazia parte do
folclore brasileiro. As crianças voltavam para as suas casas com os rostos pintados com figuras e pena na cabeça, após passar um período desenhando ocas, tentando recriar uma realidade de séculos atrás e ajudando a reproduzir preconceitos. Atualmente, o dia do índio representa muito mais que isso. A data 19 de abril é significativa, pois
rememora a luta dos povos indígenas ante as opressões sofridas no passado e as que enfrentam hoje em dia também. Além disso, o dia do índio busca homenagear os povos nativos que foram essenciais para formação da
cultura brasileira.
Antes da invasão dos colonizadores portugueses, a população brasileira era formada por indígenas. Eles tinham grupos extremamente organizados, com uma língua bem definida e também foram os grandes responsáveis por desenvolver basicamente todos os hábitos e costumes que ainda temos hoje. Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai) a população brasileira é formada por 817.963 mil indígenas de 305 etnias diferentes, um número bem menor do que aquele existente no período colonial.
Esse número pode diminuir ainda mais se os constantes ataques as comunidades indígenas continuarem ocorrendo. A invasão e o roubo de terra por grileiros e outros grupos que querem explorar o território indígena tem causado grandes prejuízos, não só a essa população, mas para o meio ambiente de um modo geral. Sendo assim, o dia do índio é uma boa oportunidade para garantir os direitos dos povos indígenas, através do respeito e da conscientização.

Os povos indígenas ainda lutam muito para garantir o acesso a direitos básicos. (Foto:Wikimedia)
Os povos indígenas no Brasil
Pesquisas indicam que os povos indígenas foram um dos primeiros a ocupar todo o território brasileiro. Eles eram oriundos de regiões da Ásia e da Oceania e com o passar dos anos, eles foram ocupando todo o continente americano, se espalharam pela américa e originaram diversos povos, grupos e civilizações e cada uma delas com características culturais próprias.
Mas durante o período das grandes navegações e das invasões dos europeus pela América e outros continentes, vários conflitos aconteceram. Primeiro porque os colonizadores se consideravam superiores, eles tinham uma visão etnocêntrica na qual tudo aquilo que era diferente era considerado como inferior ou primitivo e podia ser descartado. Segundo, pelo interesse mercadológico.
Os colonos buscavam explorar a mão de obra indígena e os recursos naturais dos territórios que invadiam. Por último, os indígenas eram um empecilho, eles não “cabiam” na ideia de população planejada pelos europeus. Durante muito tempo, os indígenas sofreram não só por conta da prática exploratória, mas também pelo processo de aculturação. Na tentativa de fazê-los mudar seus hábitos e torná-los mais “civilizados” (ou parecidos com os europeus), muitos padres jesuítas vieram ao Brasil para garantir a catequização dos indígenas.
Foi somente no século XX que as políticas públicas voltadas para essa população foram implantadas. Mesmo assim, essas ações ainda não se adequaram totalmente às pautas indígenas. Durante um bom tempo, o indígena estava sob a tutela do governo, como se fosse um “cidadão menor”. Faltava autonomia para decidir, opinar, se organizar. Hoje em dia os indígenas dispõem de vários direitos legais, a exemplo dos que garantem a demarcação de terras, proteção e saúde, porém são violados constantemente.
Fazendeiros, madeireiros e garimpeiros invadem as aldeias e territórios que são protegidos pelo Funai em busca de explorar os recursos naturais do território. Os conflitos de terra causados por esse grupo custam a vida de vários indígenas por ano. Além disso, a invasão aos territórios indígenas é responsável por diversas epidemias que atingem essa população.
Dia do índio x Dia da diversidade indígena
Antes de mais nada, o dia do índio é uma data que deve ser utilizada para salientar a necessidade de autonomia e a garantia de direitos desses povos. Mais do que nunca é preciso desconstruir a ideia preconceituosa que está enraizada no imaginário coletivo. O próprio termo “índio”, por exemplo, carrega uma carga de preconceito. Geralmente a palavra remonta a ideia do ser selvagem, do passado, que mora em oca, um ser atrasado. Ou então refere-se ao índio preguiçoso, que foi enganado pelos portugueses e que “vendeu” suas terras em trocas de alguns objetos.
Já a palavra indígena não, o termo refere-se ao que é originário, ou seja, o que estava ali primeiro, antes de outros. Além disso, é preciso romper com a ideia de que o indígena parou no tempo. Os povos indígenas pertencem a mesma realidade daqueles que não o são. Todo o tipo de tecnologia já chegou às comunidades indígenas, eles não ficaram presos ao passado. É preciso garantir que eles tenham as condições de viver no presente, preservando o seu modo de ser e estar no mundo.