Exige a compra de um bem específico
As pessoas que desejam comprar um carro, imóvel ou fazer uma faculdade, mas não têm dinheiro suficiente para um pagamento à vista e limite no cartão de crédito, podem recorrer ao chamado financiamento. Esta modalidade funciona como se fosse uma compra a longo prazo, ou seja, o parcelamento de um bem ou serviço que não poderia ser quitado de forma imediata.
Diversas instituições financeiras oferecem este tipo de operação. Por isso, para os interessados, é importante uma avaliação minuciosa do próprio orçamento e das condições estabelecidas pelo financiador, como as taxas de juros cobradas, formas de pagamento, tempo de contrato e limite do valor liberado.
Mesmo sendo uma das opções de crédito mais vantajosas, os consumidores precisam ficar muito atentos aos riscos. Quando uma pessoa deixa de pagar as mensalidades de um imóvel ou carro, por exemplo, o banco pode entrar com uma ação judicial para leiloá-lo e receber de volta a quantia cedida. Além disso, o inadimplente fica com o “nome sujo na praça”.
Quais são os tipos de financiamento?
A depender do que você queira comprar, existem maneiras diferentes de conseguir um financiamento. Cada instituição financeira tem seus trâmites, porém exige que o consumidor não tenha restrições no SPC e Serasa. Os tipos mais oferecidos são:
Financiamento imobiliário
Para quem sonha em sair do aluguel com a compra de imóvel novo ou usado, há as seguintes formas de financiamento:
Sistema Financeiro de Habitação (SFH) – modalidade que permite o uso do dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), mas serve somente para a aquisição do primeiro imóvel – que deve ser residencial. O seu prazo de pagamento é de até 35 anos e as taxas de juros seguem um limite de até 12% ao ano.
Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) – serve para aquisição tanto de imóveis residenciais quanto comerciais. No primeiro caso, o financiamento pode ser quitado em até 35 anos. Já no segundo, em até 10 anos. Os juros cobrados ficam na média de 8% ao ano.
Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) – também possibilita a compra com até 35 anos para pagar e o consumidor pode ter outros imóveis (comerciais e residenciais) em seu nome. A taxa de juros varia de acordo com a instituição financeira, mas geralmente é a partir dos 8,5% ao ano.

Algumas instituições financiam até 100% do valor do bem desejado pelo cliente. (Imagem: Pixabay)
Financiamento de veículos
Para o parcelamento de um carro ou moto, as opções mais utilizadas são:
Crédito Direto ao Consumidor (CDC) – o banco empresta uma quantia para a compra. A titularidade do automóvel pertence ao agente financeiro até a finalização da dívida, mas o comprador pode usá-lo normalmente durante todo o período de pagamento.
Leasing – a empresa financiadora ou banco que trabalha com esta modalidade de crédito aluga o veículo ao cliente, que só passa a ser realmente o proprietário quando todas as mensalidades são pagas. Como os documentos ficam no nome da instituição, o que traz certa garantia de pagamento, as taxas de juros normalmente são menores do que as do CDC.
Consórcio – é um espécie de financiamento em grupo. As pessoas se juntam para pagar as parcelas mensais ao banco e esperam um sorteio para o recebimento da carta de crédito, ou seja, o dinheiro para efetuar a compra. Se o consumidor não for contemplado pelo sorteio ou não quiser esperar até o final do consórcio para ter direito a carta de crédito, pode oferecer valores, como acontece em um leilão. Quem consegue dar o maior lance, pega o dinheiro.
Financiamento estudantil
Essa modalidade tem tido grande adesão no Brasil, pois é voltada para o ensino superior. As formas de parcelamento variam de acordo com a instituição em que o estudante firma o acordo, mas, no geral, o pagamento da dívida apenas acontece depois da conclusão do curso.
Para facilitar a entrada em faculdades particulares, em 2001 o governo federal criou o Fundo de Investimento Estudantil (FIES). Ao solicitá-lo, o estudante precisa comprovar que possui renda familiar de até cinco salários por pessoa, ter tirado uma média igual ou superior a 450 pontos nas partes objetivas do Enem e nota acima de zero na redação.
Financiamento x empréstimo
A principal diferença entre o financiamento e o empréstimo é a finalidade do crédito. Como vimos, a primeira modalidade é direcionada para um tipo de aquisição – geralmente de bens duradouros. Já a segunda linha possibilita a solicitação de qualquer valor, sem a exigência de uma destinação específica de compra. O cliente também consegue aprovação facilmente, pois a quantia vai direto para suas mãos. O grande impasse fica por conta dos juros, que costumam ser maiores porque a instituição financeira tem menos garantia de que o dinheiro será realmente devolvido no tempo estipulado.
Como no financiamento é o banco que realiza a compra do bem e, posteriormente, recebe o valor com adição de juros, o cliente precisa comprovar o destino do dinheiro, sendo então uma modalidade mais burocrática.