Bloco econômico que pretendia garantir o livre comércio entre as Américas
A ALCA, também conhecida por Área de Livre Comércio das Américas, é um projeto de bloco econômico que foi apresentado no governo do ex-presidente americano Bill Clinton no ano de 1994, nos Estados Unidos. O acordo visa a assinatura de países do continente americano (América do Norte, América do Sul e América Central) para favorecer o livre comércio de mercadorias entre eles.
Transições e negociações foram feitas desde a década de 1990 até os anos 2000, mas o projeto nunca saiu do papel, pelo fato das nações americanas serem muito diferentes economicamente e socialmente. Os Estados Unidos teriam papel de destaque e comando, isso fez com que os países subdesenvolvidos não acatassem todas as ideias propostas pelos americanos.
Eliminar as barreiras alfandegárias e definir regras jurídicas eram estratégias pensadas como objetivos do então novo bloco econômico. Os Estados Unidos, historicamente, sempre tiveram o desejo de dominar uma certa hegemonia nas Américas desde o século XIX, com o discurso da Doutrina Monroe em que o presidente James Monroe afirmava que “a América era para os americanos”.

Mapa dos países da América que pertenceriam à ALCA. (Foto: Wikipedia)
Países membros da ALCA
Estados Unidos, Argentina, Bahamas, Barbados, Belize, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Dominica, El Salvador, Equador, Granada, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Antígua e Barbuda, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Santa Lúcia, São Cristóvão e Neves, São Vicente e Granadinas, Suriname, Trinidad e Tobago, Uruguai e Venezuela.
ALCA: trajetória e formação
Na Primeira Cúpula das Américas realizada em Miami, em 1994, representantes dos países participantes da ALCA se comprometeram em consolidar o acordo do bloco até 2005.
Na Segunda Cúpula das Américas, no ano de 1998, realizada no Chile, grupos foram formados para negociar o projeto em diversos setores econômicos.
Anos depois, os Estados Unidos demonstraram interesse em firmar o projeto ainda em 2003, o Brasil atuou intensamente de forma contrária a esta data. A data de finalizar o acordo da ALCA se firmou no Canadá para o ano de 2005, o que não aconteceu até hoje.
Por exemplo, o Mercosul e a ALADI podem ser prejudicados ou até mesmo extintos se a ALCA um dia sair do papel, pelo tamanho que ela teria. Parques industriais de alguns países poderiam chegar ao fim e a concorrência entre indústrias e comércio estrangeiros e locais ficaria acirrada. Por outro lado, com o processo da globalização, os países que se recusarem a participar de grandes blocos econômicos não estarão fazendo a escolha mais inteligente, segundo economistas.
O Brasil defendia a abertura gradual e progressiva das negociações feitas por blocos, para assim construir uma relação mais igualitária com os Estados Unidos.
Investimentos em educação e tecnologia trazem eficiência a qualquer bloco econômico, portanto os blocos pertencentes aos países da América do Sul devem se fortalecer para não perderem força diante do governo norte-americano.
Ou seja, a infraestrutura de transportes, aviação, telecomunicações, energia, água e portos necessita de reestruturação para que os países em desenvolvimento se equiparem aos Estados Unidos.
Relações entre os países
O poder de competição de cada país dentro da ALCA foi o que intimidou os países da América Latina a se inserirem nele. A competitividade mercadológica não foi ignorada, e o fato de que os Estados Unidos teriam o poder não só de comando, mas de prejudicarem economicamente os outros países que não têm as mesmas realidades ou possibilidades industriais e tecnológicas que os americanos, pesou na decisão de abortar o projeto.
A infraestrutura dos países que não são potências mundiais precisa ser reinventada para que uma área de livre comércio realmente funcione. Se a ALCA entrar em atividade, os Estados Unidos ofereceriam produtos com preços muito menores aos países latino-americanos, em contrapartida, muitas indústrias entrariam em falência e muito desemprego seria gerado, por isso a maior parte dos países em desenvolvimento não quis aderir ao bloco.
A Venezuela, na época comandada por Hugo Chávez, criticou duramente os Estados Unidos como exploradores dos países sul americanos, por acreditarem que os americanos só estariam em busca de controle e poder. A Venezuela é socialista (também conhecida como ideologia bolivariana) e se recusa a participar de mecanismos ou estratégias econômicas capitalistas.
Números relacionados - estimativas
• Número de países integrantes: 34
• Produto Interno Bruto (PIB) total em trilhões de dólares: 12,6
• População total em milhões de habitantes: 885
• PIB per capita em dólares: 15,267