Elemento químico tóxico
O chumbo (Pb) é um elemento químico maleável, com baixa condutividade elétrica e altamente tóxico para os seres vivos. Raramente, esse elemento é encontrado na natureza, mas quando achado está na forma de compostos minerais como galena, anglesita e cerusita.
Tal elemento, pertence ao grupo 14 ou família IVA da tabela periódica, denominado grupo do carbono, que é composto pelo próprio carbono, silício, germânio, estanho e fleróvio. Todos esses elementos apresentam o subnível p como o mais energético (com dois elétrons).

Propriedades do chumbo. (Foto: Educa Mais Brasil)
O chumbo também possui como características:
• Cor branca-azulada, acinzenta quando exposto ao ar;
• Alta densidade e durabilidade;
• Resistência ao desgaste pelo ar e pela água;
• Média resistência à corrosão em ambientes ácidos;
• Baixa resistência à corrosão em ambientes básicos;
História
O termo chumbo é uma derivação da palavra latina plumbum (pesado). Esse elemento químico foi descoberto na Antiguidade e é mencionado no livro de Êxodo: "Ao sopro de vosso hálito o mar os sepultou; submergiram como chumbo na vastidão das águas." (Capítulo 15, versículo 10)
Uma estatueta encontrada no templo de Osíris, no Egito, é considerada o fragmento de chumbo mais antigo, com data de criação em 3.800 a.C. O processo de fundição desse metal, provavelmente, foi iniciado na China em aproximadamente 3.000 a.C.
Posteriormente, os fenícios começaram a produzir o metal em 2.000 a.C. No Império Romano foram construídos encanamentos com chumbo e que ainda permanecem no local. A partir de 700, os germânicos iniciaram a exploração desse elemento. No início do século XVII foi a vez da Grã-Bretanha fundir o chumbo.
Onde encontrar e usos
Em seu estado puro, o chumbo raramente é encontrado na natureza, pois existe uma quantidade pequena dele na crosta terrestre. Quando encontrado, geralmente está na forma de composto mineral.
Ele também pode ser extraído do urânio e do tório, a partir da desintegração radioativa desses radioisótopos. O material bruto é separado da escória por flotação, posteriormente é refinado para a retirada de impurezas metálicas.
Quanto ao seu uso, ele é encontrado em diversos produtos com inúmeras utilidades. Confira abaixo alguns exemplos:
• Matéria-prima de utensílios domésticos como garfos e facas;
• Proteção para cabos telefônicos e de energia;
• Manta protetora para equipamentos de raio-X e raios gamma;
• Cosméticos e pigmentos como batons e tintas de cabelo;
• Produção de vidros e cerâmicas;
• Aditivo de combustíveis (extinto no Brasil em 1992);
• Inseticidas para a proteção dos cultivos;
• Ligas metálicas formadas com estanho, cobre, arsênio, antimônio, bismuto, cádmio e sódio.

Chumbo nativo. (Foto: Wikipédia)
Perigos da exposição ao chumbo
Como já dito, o chumbo pode ser encontrado na natureza, contudo as atividades humanas podem causar um desequilíbrio nas concentrações desse metal no meio ambiente.
Quando absorvido pelo organismo humano, por meio da comida, do ar ou da água, a intoxicação por chumbo pode causar efeitos como:
• Alterações na produção da hemoglobina e desenvolvimento de anemia;
• Desregulação hormonal;
• Fadiga, dor muscular e nas articulações;
• Perturbações gastrointestinais (náuseas, vômitos, dor abdominal, etc.);
• Abortos espontâneos;
• Distúrbios neurológicos (dor de cabeça, irritabilidade, letargia, etc.);
• Problemas de fertilidade masculina;
• Diminuição da aprendizagem em crianças;
• Interrupção no crescimento em crianças.
Desastres ambientais
Desde a década de 70, o consumo de chumbo aumentou significativamente nos países em desenvolvimento. Um dos efeitos desse alto consumo é a poluição e contaminação das águas, do solo e do ar. Confira abaixo dois casos brasileiros:
Santo Amaro da Purificação (BA): em 1989, instalou-se na cidade baiana a Companhia Brasileira de Chumbo, que por mais de 30 anos realizou o beneficiamento de minérios e a produção de lingotes de chumbo. Com o fechamento da empresa, em 1993, estima-se que foram produzidos cerca de 490.000 toneladas de escória.
A escória continha metais como chumbo e cádmio. Esses resíduos foram depositados em locais próximos à fábrica e, ainda, utilizados na pavimentação de ruas e fundações de casas pela população - que desconhecia o risco. Posteriormente, foram desenvolvidas ações para acompanhar a saúde das pessoas expostas aos metais.
A Secretaria de Saúde do Estado, em parceria com o Ministério da saúde, elaboram um relatório que indicou as seguintes condições:
a) Contaminantes de interesse identificados nos compartimentos ambientais: cádmio, chumbo, cobre e zinco;
b) Populações expostas no momento da avaliação:
c) Rotas de exposição completas no passado, presente e futuro: solo superficial, poeira domiciliar, água superficial, alimentos e sedimentos do Rio Ribeira.