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Igreja Ortodoxa

Postado por Brenda Chérolet em 25/03/2019 e atualizado pela última vez em 21/07/2020

Surgiu após o Cisma do Oriente e chegou ao Brasil no século XIX


A Igreja Ortodoxa surgiu por volta de 1054, após o Cisma do Oriente, evento que marcou a divisão entre as igrejas Católica Romana e a Católica Ortodoxa. O motim para o surgimento foi a disputa de interesses político e religioso na região do Mediterrâneo, que levou a Constantinopla a romper com a Roma. 

Antes da divisão religiosa a Igreja Católica tinha uma chefia em Roma, liderada pelo papa, e outra em Constantinopla, sob supervisão do patriarca. A Igreja Católica de Constantinopla passou a discordar de alguns fundamentos da Católica Romana, como a supremacia papal e o culto a imagens. Por não concordarem, seus seguidores foram considerados hereges e a estrutura administrativa da Igreja de Constantinopla sofreu intervenções por parte dos imperadores. Tal ameaça enfraqueceu a comunhão entre os católicos, mas foi quando o patriarca Miguel Cerulário foi excomungado de Roma, em 1054, que a situação deu abertura para o início de uma nova crença. 

Diante do cenário de desentendimento, Cerulário proclamou a separação oficial entre as duas igrejas. Essa segregação deu origem à Igreja Ortodoxa, também conhecida como Igreja Católica do Oriente


Fachada de uma igreja ortodoxa russa. (Foto: Wikimedia)

Diferenças entre a Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica Romana


Além de não concordarem sobre a autoridade do papa, as igrejas ortodoxas e católicas romanas têm outras diferenças em seus dogmas. 

• A Igreja Católica tem sua sede no Vaticano e a Igreja Ortodoxa divide-se em Igreja Ortodoxa Russa e Igreja Ortodoxa Grega. 

• A linguagem das missas das duas igrejas antigamente era diferente. Na Igreja Católica Romana os cultos eram realizados em latim, posteriormente vindo a serem realizados no idioma local. Já a Igreja Ortodoxa sempre celebrou missas nos idiomas nativos como em grego e hebraico. 

• A Igreja Ortodoxa não reverencia imagens santas, ao contrário da Católica Romana.

• Além da linguagem dos cultos, a reza da Igreja Ortodoxa diferencia-se da Igreja Católica Romana, pois enquanto para esta é comum reza de joelhos, aquela pratica suas rezas em pé. 

• As duas igrejas comemoram a Páscoa e o Natal, mas as datas de celebração são diferentes. A Igreja Católica comemora o Natal no dia 25 de dezembro e a quaresma tem 40 dias. A Igreja Ortodoxa comemora o Natal no dia 7 de janeiro e a quaresma dura 47 dias. 

• Ambas as igrejas consideram a importância da cruz. No entanto, a cruz católica possui uma barra horizontal e a cruz ortodoxa tem três barras horizontais, sendo que a superior representa onde foi colocada a inscrição INRI (Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus) e a inferior simboliza o apoio para os pés de Jesus.

Igreja Ortodoxa no mundo


Atualmente, a Igreja Ortodoxa é a segunda maior comunidade de cristãos do mundo. Essa religião concentra-se na Europa Oriental e Oriente Médio, mas estima-se que a quantidade de cristãos ortodoxos é de cerca de 250 milhões de fiéis em países como Belarus, Bulgária, Chipre, Grécia, Estados Unidos, Moldávia, Montenegro, Polônia, República da Macedônia, Romênia, Rússia, Sérvia e Ucrânia.

Em janeiro de 2019 a Igreja Ortodoxa virou destaque no cenário mundial quando a Igreja Ortodoxa da Ucrânia tornou-se independente da Igreja Ortodoxa da Rússia, rompendo laços de mais de 300 anos. 

Igreja Ortodoxa no Brasil


O censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), de 2010, estima que existem cerca de 131.571 cristãos ortodoxos no Brasil. A filosofia dessa religião chegou em terras brasileiras no século XIX, por meio de imigrantes vindos de regiões ortodoxas. 

Registra-se que a primeira Divina Liturgia celebrada no Brasil foi realizada em São Paulo, no ano de 1897. Já na cidade do Rio de Janeiro está localizada a Igreja Ortodoxa Russa de Santa Mártir Zenaide, construída nos anos 1930, por emigrantes que deixaram a Rússia soviética pós-revolucionária.

A Igreja Ortodoxa Russa canônica no Brasil é administrada pela Eparquia da Argentina e América do Sul, com sede em Buenos Aires. Atualmente a diocese é administrada pelo Metropolita Inácio, que tem jurisdição sobre quatro paróquias no Brasil, sendo nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. A mais antiga destas foi construída em 1910 e trata-se da Igreja do Santo Apóstolo João o Evangelista, em Campina das Missões. 

A Igreja ortodoxa russa no Brasil segue a constituição da Igreja Ortodoxa Autocéfala, o que quer dizer que as igrejas sob essa classificação possuem o direito de resolver todos os seus problemas internos em base a sua própria autoridade e, também, têm o direito a remover seus próprios bispos, incluindo o próprio patriarca, arcebispo ou metropolita que presida esta Igreja. Elas devem atuar mantendo a comunhão canônica e sacramental plena umas com as outras. 

Algumas das principais igrejas ortodoxas no Brasil são: Igreja Ortodoxa Antioquina, Arquidiocese de São Paulo e Todo o Brasil (Patriarcado de Antioquia); Igreja Católica Apostólica Ortodoxa Antioquina São Jorge de Brasília (Patriarcado de Antioquia); Eparquia Ortodoxa do Brasil (Igreja Autocéfala da Polônia); Igreja Ortodoxa Russa no Rio de Janeiro e Igreja Ortodoxa Servia no Brasil. 

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