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Sincretismo e Religiões Afro-brasileiras

Postado por Elson Barbosa em 25/03/2019 e atualizado pela última vez em 22/07/2020

O Sincretismo e as Religiões Afro-brasileiras estão interligados, afinal as práticas religiosas originadas no Brasil são junções das doutrinas dos povos africanos, aliadas as crenças da Igreja Católica. 

História do Sincretismo e Religiões Afro-brasileiras


Tudo começou com a chegada dos portugueses no Brasil. Junto com novos hábitos e culturas, a colonização brasileira deu espaço para chegada de outros religiosos. Além disso, com a vinda de povos da África, a variação de crenças e religiões ficou ainda maior. 

Porém, a Igreja Católica sempre tentou obrigar os escravos a aderirem as doutrinações cristã, impedindo que eles propagassem e exercessem suas obrigações religiosas na qual acreditava. Mas, por muitas vezes, alguns escravos realizam mobilizações ou festividades nos mesmos dias em que aconteciam as celebrações católicas. 

Outros, mesmo participando das festas católicas, não abandonavam sua fé nos orixás, voduns, entre outras divindades oriundas da terra natal. Com isso, essa prática simultânea de diversas religiões resultou no surgimento de outras, que levavam características africanas, cristãs e indígenas. 

Atualmente, podemos identificar essa diversidade quando no mesmo dia são feitas celebrações para deuses da igreja católica e para divindades de origem africana. 


Representação de Iemanjá, que na Igreja Católica é associada a imagem de Nossa Senhora da Conceição. (Foto: Wikipédia)


Religiões Afro-brasileiras


As religiões Afro-brasileiras surgiram após a junção da cultura de diversos povos africanos trazidos entre os séculos XVI e XIX. Elas possuem influências de religiões vindas da Europa, como a Catolicismo e o Kardecismo. Além disso, elas possuem características especificas de cada região do país. 

Durante os quatro séculos, cerca de 3,5 milhões de africanos chegaram ao Brasil como escravos. Entre eles, povos de etnias: iorubás, fons, maís, hauçás, éwés, axântis, congos, quimbundos, umbundos, macuas, lundas e diversos outros povos, cada qual com sua própria religião e cosmogonia.

Como as religiões foram se formando em diversas regiões e estados do país, elas foram aderindo formas diferentes umas das outras, inclusive os nomes. 

As que mais se destacaram na época, assim como nos dias de hoje, são o Candomblé e a Umbanda. Além dessas, outras religiões também possuem características africanas, como Xangô e a Jurema, também conhecida como Catimbó. 

Quando se fala em sincretismo no Brasil logo se associa as religiões Afro-brasileiras, pois foram construídas após a colonização.


Candomblé


O Candomblé uma religião regionalizado no Brasil, porém com características trazidas pelos negros da África. Como nessa época a Igreja Católica proibia os rituais africanos, os negros usavam as imagens católicas como símbolo, mas continuavam cultuando seus Orixás, Inquices e Vodus. 

Para o Candomblé, os orixás são deuses supremos, possuindo habilidades e personalidades diferentes, assim como as formas de rituais. Estes também escolhem as pessoas que utilizam para incorporar no ato do nascimento, podendo compartilhá-lo com outro orixá, caso necessário.

Umbanda


A Umbanda é uma junção de diversas religiões que chegaram ao Brasil, como o catolicismo, espiritismo e as religiosidades africana, indiana e indígena. Bastante confundida com o candomblé, a Umbanda possui três princípios básicos que são: fraternidade, caridade e respeito ao próximo. 

Seus fundamentos são: 

• Existência de um único Deus, supremo e onipotente, conhecido como Zambi, Olorum ou simplesmente Deus;
• Existência dos orixás, seres do Plano Superior que representam, cada um à sua forma, elementos da natureza, do planeta ou das próprias características humanas;
• A mediunidade como forma de comunicação entre as esferas física e espiritual;
• Crença na alma imortal e na reencarnação;
• Crença na Lei Cármica, no qual se baseiam as ações do homem e suas consequências;

Jurema


Jurema, também conhecida como Catimbó Jurema, nasceu da junção ocorrida entre as espiritualidades indígenas, europeia e africana, no século XVI.

Nessa religião, o Exu é a entidade responsável por auxiliar os mestres na realização dos trabalhos. Diferente do que ocorre na Umbanda, onde os Exus possuem entidades distintas, na Jurema há hierarquia onde todas as entidades são subordinadas a autoridade Mestre, que é o Exu. 

Os seguidores dessa religião possuem uma grande atuação com as ervas, principalmente com a árvore que deu o nome à religião. Da planta, eles utilizam raízes, cascas e folhas, tudo com o intuito de obter a cura de enfermidades. 

Outras religiões Afro-brasileiras


As religiões afro-brasileiras, possuem diferentes influências e denominações regionais. Dentre as religiões com influência principal das culturas "sudanesas", isto é, dos povos iorubás ("nagôs") e daomeanos ("jejês"), estão:

Babaçuê (PA)
Batuque (RS)
Candomblé jeje (BA)
Candomblé ketu (BA, RJ, SP)
Tambor-de-mina (MA, PA)
Xangô (PE)

Entre as religiões com influência dos povos bantos (quimbundos), estão:

Cabula (ES)
Candomblé bantu ou angola (BA, RJ, SP)
Candomblé de caboclo (BA)
Catimbó (PB, PE)
Macumba (RJ, SP)
Pajelança (AM, PA, MA)
Toré (SE)
Umbanda (RJ, SP e todo o Brasil)
Xambá (AL, PB, PE)

Enfim, outras religiões afro-brasileiras:

Culto aos egunguns (BA)
Encantaria
Jurema de terreiro
Jurema sagrada
Quimbanda
• Quiumbanda
• Omolokô
• Terecô

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