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Dia do Artista Plástico: arte resiste na era digital

Data celebra artistas e debate IA, ilustração digital e novas linguagens artísticas
Dia do Artista Plástico: arte resiste na era digital

Em um cenário dominado por telas, algoritmos e imagens produzidas em segundos por inteligência artificial, a arte continua ocupando um espaço impossível de automatizar completamente. Emoção, memória, crítica, identidade e sensibilidade seguem sendo parte do processo criativo humano, mesmo em tempos digitais.


Celebrado em 8 de maio no Brasil, o Dia do Artista Plástico surge neste contexto como uma data que vai muito além da homenagem às pinturas e esculturas tradicionais. A ocasião também evidencia as mudanças que transformaram o universo artístico nas últimas décadas e os debates que ganharam força com o avanço das novas tecnologias.


Hoje, a arte circula entre galerias físicas, redes sociais, plataformas digitais e ambientes virtuais. Obras são criadas em telas de computador, comercializadas como NFTs e compartilhadas para milhões de pessoas em poucos segundos. Enquanto isso, ferramentas de inteligência artificial levantam discussões sobre criatividade, autoria e os limites entre produção humana e automatização.


Mesmo diante dessas transformações, artistas continuam exercendo uma função que atravessa séculos: provocar novos olhares sobre o mundo.


A arte acompanha as mudanças da sociedade


Muito antes da internet existir, artistas já traduziam emoções, comportamentos e questões sociais por meio da imagem. Das pinturas rupestres às instalações contemporâneas, a arte sempre encontrou novas formas de existir conforme a sociedade mudava.


No Brasil, o Dia do Artista Plástico foi oficializado em 1950 em homenagem ao pintor José Ferraz de Almeida Júnior, nascido em Itu, no interior de São Paulo. Considerado um dos principais nomes das artes plásticas brasileiras no século XIX, Almeida Júnior ficou conhecido por retratar personagens, costumes e cenas do cotidiano do interior do país.


Ao longo do tempo, o conceito de artes plásticas também deixou de estar restrito apenas à pintura, escultura e gravura. A arte contemporânea expandiu suportes, linguagens e possibilidades criativas. O espaço da galeria passou a fazer parte da obra, objetos comuns ganharam novos significados e até o corpo humano virou linguagem artística.


Com a digitalização, essa transformação se acelerou ainda mais.


Arte digital ocupa espaço cada vez maior


Tablets, softwares de ilustração, modelagem 3D e plataformas virtuais passaram a integrar o cotidiano de muitos artistas. Redes sociais também mudaram a relação entre criadores e público, permitindo que ilustradores, designers e artistas visuais construíssem carreira fora dos circuitos tradicionais.


Ao mesmo tempo, a internet ampliou o acesso à arte. Museus, exposições e acervos históricos passaram a ficar disponíveis a poucos cliques de distância. O que antes exigia deslocamento físico agora pode ser acessado de qualquer lugar do mundo.


Essa facilidade trouxe novas possibilidades para artistas independentes, mas também mudou a forma como as pessoas consomem produções artísticas. A experiência física da arte perdeu espaço para o consumo rápido de imagens nas telas.


Curiosamente, isso também aumentou o valor das experiências presenciais. Exposições imersivas, grafites urbanos, instalações e apresentações ao vivo passaram a despertar ainda mais interesse justamente por oferecerem algo que o digital não consegue reproduzir totalmente.


Inteligência artificial divide opiniões


A chegada da inteligência artificial ao universo criativo intensificou discussões que já vinham acontecendo nos últimos anos. Ferramentas capazes de gerar imagens a partir de comandos de texto impressionam pela velocidade e pelo nível de detalhamento, mas também levantam preocupações entre artistas e especialistas.


Parte dos profissionais vê a IA como ferramenta de apoio criativo, útil para referências, testes visuais e experimentações. Outros enxergam riscos relacionados aos direitos autorais, à remuneração artística e à perda de valorização do trabalho humano.


O debate ganhou força porque muitas inteligências artificiais são treinadas com imagens produzidas por artistas reais, frequentemente sem autorização direta dos criadores. A discussão envolve não apenas tecnologia, mas também ética, propriedade intelectual e reconhecimento profissional.


Ainda assim, o avanço tecnológico também abriu novas oportunidades. Tecnologias ligadas à Web3 e ao blockchain permitiram o crescimento dos NFTs e criaram formas inéditas de comercialização para artistas digitais, que passaram a negociar obras exclusivas em mercados virtuais globais.


Mercado criativo oferece novas possibilidades


Embora muitos profissionais da área sejam autodidatas, o Brasil possui cursos de bacharelado e licenciatura em Artes Visuais em instituições públicas e privadas. A formação envolve estudos sobre desenho, pintura, fotografia, escultura, história da arte e linguagens contemporâneas.


O mercado de trabalho também se tornou mais amplo nos últimos anos. Hoje, artistas visuais podem atuar em áreas como:

• Ilustração; 

• Direção de arte; 

• Curadoria; 

• Ensino; 

• Restauração; 

• Produção cultural; 

• Pesquisa acadêmica; 

• Consultoria artística; 

• Gestão de espaços culturais.


Com o crescimento da economia criativa e das plataformas digitais, muitos profissionais passaram a construir audiência própria e transformar a produção artística em fonte de renda.


A arte continua necessária


Em meio à velocidade das redes sociais e ao avanço da inteligência artificial, a arte segue ocupando um espaço profundamente humano. Ela continua sendo uma forma de interpretar o presente, questionar a realidade e criar conexões emocionais que nenhuma tecnologia consegue reproduzir completamente.


Talvez seja justamente por isso que, mesmo em uma era digital, a arte continue resistindo.


Leia também: Graduações para quem quer trabalhar com arte digital


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Fonte: Funarte e Forbes

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