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Álvares de Azevedo

Postado por Adriele Oliveira em 03/09/2025 e atualizado pela última vez em 03/09/2025
Poeta e escritor, Álvares de Azevedo, nasceu na então Província de São Paulo, período do império brasileiro e mudou, ainda na infância, para a cidade do Rio de Janeiro. Escritor pertencente à segunda geração do movimento romântico no Brasil, também chamada de fase ultrarromântica, byroniana ou “mal do século”. 

Além de poeta, Álvares de Azevedo também foi contista, dramaturgo, ensaísta e autor do clássico “Noite na Taverna”.

Biografia de Álvares de Azevedo


Álvares de Azevedo era filho do casal Inácio Manoel Álvares de Azevedo e Maria Luísa Silveira da Motta Azevedo, nasceu em São Paulo no dia 12 de setembro de 1831, mas passou a infância no Rio de Janeiro, local onde começou os estudos.

Em 1847, meados do século XIX, retornou para São Paulo com a finalidade de estudar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde precocemente se destacou pelas impecáveis produções literárias. Além da facilidade de aprender diferentes idiomas, jovialidade e espírito sensível.

Durante a graduação em Direito, dedicado aos estudos e devido ao fácil aprendizado para línguas, traduziu “O quinto ato de Otelo”, de Willian Shakespeare, “Parisina”, de Lord Byron e fundou uma revista intitulada “Sociedade Ensaio Filosófico Paulistano”, no ano de 1849.

Apesar da aptidão demonstrada no ramo do Direito, Álvares de Azevedo não concluiu o curso por causa de uma tuberculose, tendo agravado posteriormente para um tumor.

Personagem marcante da literatura brasileira, as obras de Álvares de Azevedo foram bastante apreciadas até as décadas iniciais do século XX, com frequentes publicações reeditadas das suas poesias.

O seu famoso drama, gênero teatral de destaque do escrito, intitulado “Macário” foi encenado pelas duas últimas vezes nos anos de 1994 e 2001. Álvares é patrono da cadeira número 2 da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Escritor brasileiro da segunda geração do Romantismo.


Obras: influências e características


Em virtude da morte precoce de Álvares de Azevedo, com apenas 20 anos de idade, boa parte da sua obra foi publicada postumamente. Um dos escritos de maior destaque é “Lira dos 20 anos”, a única obra que o poeta planejou para publicação, entretanto, foi somente organizada e publicada no ano de 1853.

Famosa, a “Lira dos 20 anos” faz parte de um projeto de Álvares de Azevedo que não chegou a ser concretizado. Além dele, mais dois amigos e escritores mineiros Bernardo Guimarães (1825-1884) e Aureliano Lessa (1828-1861) tinham o objetivo de lançar a coleção “As Três Liras”, mas não houve tempo para realização do sonho dos três jovens escritores.

De acordo com alguns pesquisadores literários, o nome da obra fazia referência a uma garota de apenas 20 anos, de identidade desconhecida, que tocava o instrumento responsável pelo nome da obra. Pioneiro na reinvenção dos temas dos poemas da fase do Romantismo, o poeta é o primeiro a incorporar a vida cotidiana na poesia brasileira, anteriormente voltada apenas para os apelos sentimentais e romantismo exacerbado.

Na obra “A Lira dos 20 anos”, mais precisamente no segundo prefácio, o autor narra a finalidade de tal obra e apresenta ao leitor os motivos e elementos poéticos que irão fazer parte da sua narrativa. Um dos mais importantes escritores brasileiros, com obras de referência até os dias atuais, Machado de Assis, escreve para sua coluna “Semana Literária” publicada regularmente no jornal Diário do Rio de Janeiro de 26 de junho de 1866, uma crítica sobre uma das mais emblemáticas obras de Azevedo.

“Álvares de Azevedo era realmente um grande talento; só lhe faltou o tempo, como disse um dos seus necrólogos. Era daqueles que o berço vota à imortalidade. Compare-se a idade com que morreu aos trabalhos que deixou, e ver-se-á que seiva poderosa não existia naquela organização rara. 

Em tão curta idade, o poeta da “Lira dos vinte anos” deixou documentos valiosíssimos de um talento robusto e de uma imaginação vigorosa. Avalie-se por aí o que viria a ser quando tivesse desenvolvido todos os seus recursos”.  

A ideia central das obras de Álvares tinha inspiração no poeta inglês, Lord Byron. Exatamente por este motivo que a segunda geração do romantismo era também conhecida como “Byroniana ou Ultrarromântica”. As obras de Álvares de Azevedo tinham o pessimismo como base. Essa carga negativa pode facilmente ser percebida na escolha de temas relacionados à morte, desilusão amorosa, frustrações e angústias.

Principais poesias de Álvares de Azevedo


  • A Lagartixa
  • Adeus, Meus Sonhos
  • Ai, Jesus!
  • Amor
  • Anjinho
  • Anjos do Céu
  • Anjos do Mar
  • Canção da Sexta (LXI)
  • Cantiga
  • Canto Primeiro
  • Canto Segundo
  • Cismar
  • Desalento
  • Desânimo
  • Dinheiro
  • E ela! E ela! E ela! E ela!
  • Fragmentos de um Canto em Cordas de Bronze
  • Ideias Íntimas
  • Lágrimas da Vida
  • Lágrimas de Sangue
  • Luar de Verão
  • Malva Maçã
  • Meu Amigo
  • Meu Desejo
  • Meu Sonho
  • Na Minha Terra
  • No Mar
  • O Lenço Dela
  • O Poeta Moribundo
  • Oh! Páginas da Vida que eu amava
  • Pálida Inocência
  • Perdoa-me, Visão dos Meus Amores
  • Saudades
  • Se Eu Morresse Amanhã
  • Solidão
  • Sonhando
  • Tarde de Outono
  • Trindade
  • Último Soneto
  • Um Cadáver de Poeta
  • Vagabundo
  • Vi

Abaixo, segue a poesia “Se eu morresse amanhã”, interpretada durante o velório de Álvares de Azevedo pelo escritor Joaquim Manuel de Macedo.

"Se Eu Morresse Amanhã
Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que amanhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! Que céu azul! Que doce n'alva 
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o doloroso afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!"

Livros de Álvares de Azevedo


  • Macário, em 1850, obra relacionada ao gênero drama
  • Lira dos Vinte Anos, poesia do ano de 1853
  • A Noite na Taverna, prosa de 1855
  • O Conde Lopo, poesia de 1866 

Citações de Álvares de Azevedo


"A vida é um escárnio sem sentido. Comédia infame que ensanguenta o lodo."

"Em negócios de amor, nada de sócios."

"Deixo a vida como deixo o tédio."

"Feliz daquele que no livro d'alma não tem folhas escritas. E nem saudade amarga, arrependida, nem lágrimas malditas."

"Não há melhor túmulo para a dor do que uma taça cheia de vinho ou uns olhos negros cheios de languidez."

Morte


No ano de 1852, Álvares de Azevedo contrai tuberculose e abandona o curso de direito, um ano antes de completar a graduação. Além da inflamação pulmonar, também desenvolveu um tumor, Apesar da cirurgia, Álvaro não resiste e morre no dia 25 de abril de 1852, com apenas 20 anos de idade. 

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