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Anita Malfatti

Postado por Samara Rodrigues em 08/09/2025 e atualizado pela última vez em 08/09/2025
Anita Catarina Malfatti nasceu em 2 de dezembro de 1889 na cidade de São Paulo. Filha do italiano Samuele Malfatti e da norte-americana Betty Krug, nasceu com uma atrofia no braço e na mão direita.

Os tratamentos médicos não atingiram bons resultados. Anita Malfatti conviveu com a doença durante toda sua vida, o que a estimulou a praticar a escrita e o desenho com a mão esquerda.

Seu aprendizado artístico principiou ainda criança com a mãe, que após a morte do marido dava aulas particulares de línguas, desenhos e pinturas para assegurar o sustento financeiro da família. Anita Malfatti iniciou os estudos em 1897 no Externato São José, passou também pela Escola Americana e pelo Mackenzie College, onde formou-se como professora aos 19 anos.


Uma das mais importantes artistas plásticas brasileiras da primeira fase do modernismo

Em 1910, foi estudar na Alemanha, matriculou-se no ateliê de Fritz Burger, um retratista que dominava a técnica pontilhista e tornou-se seu primeiro mestre alemão. Posteriormente ingressa na Academia Imperial de Belas Artes, em Berlim.

Também foi aluna de Lovis Corinth e Ernst Bischoff-Culm, época em que Anita Malfatti teve seu primeiro contato com a pintura expressionistaEm 1914, Anita Malfatti volta ao Brasil e realiza sua primeira exposição individual no Casa Mappim, em São Paulo, apresentando as obras que produziu no ateliê de Fritz. 

No início de 1915, Malfatti embarca para Nova Iorque e ingressa na tradicional Art Student's League. Meses depois, se transferiu para a Independent School of Art com o intuito de ter aulas com um professor que deixava os alunos pintarem livremente, ele era Homer Boss.


Anita Malfatti: Revolução, Crítica e Renascimento na Arte Brasileira


Após dois anos, Anita Malfatti retorna ao Brasil e promove sua segunda exposição, apresentando 53 trabalhos entre pinturas, aquarelas e gravuras. Definida como inovadora e revolucionaria, a exposição casou frenesi entre os conservadores. Este evento foi marcado pela crítica escrita por Monteiro Lobato no jornal “O Estado de São Paulo”. Reproduzido posteriormente com o título “Paranóia ou Mistificação?”, o escritor mencionou a péssima influência, de artistas como Picasso, nas obras da jovem. 

“Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que veem normalmente as coisas e em consequência disso fazem arte pura (...) A outra espécie é formada pelos que veem anormalmente a natureza, e interpretam-na à luz de teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva. São produtos de cansaço e do sadismo de todos os períodos de decadência: são frutos de fins de estação, bichados ao nascedouro. (...) Embora eles se deem como novos, precursores de uma arte a vir, nada é mais velho do que a arte anormal ou teratológica: nasceu com a paranoia e com a mistificação. De há muitos já que a estudam os psiquiatras em seus tratados, documentando-se nos inúmeros desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios. (...) Essas considerações são provocadas pela exposição da senhora Malfatti onde se notam acentuadíssimas tendências para uma atitude estética forçada no sentido das extravagâncias de Picasso e companhia.”

Este artigo foi publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 20 de dezembro de 1917, com o título "A Propósito da Exposição Malfatti" Após a crítica publicada por Lobato, algumas telas vendidas foram devolvidas e outras destruídas. Em defesa de Anita Malfatti, Oswald de Andrade também realizou a publicação de um artigo no “Jornal do Comércio”.

Abalada, Anita Malfatti abandonou a arte. Tempos depois, retorna a pintura e inicia os estudos com o pintor Pedro Alexandrino, exercitando o modelo nu e a natureza morta como uma forma de renovação.

Semana de Arte Moderna de 1922


Incentivada pelos amigos, Anita Malfatti expôs 22 trabalhos na Semana de Arte Moderna, em São Paulo, no ano de 1922. E ao lado de Tarsila do AmaralMário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Pichia, formam o Grupo dos Cinco.

Em 1923, Anita conquista a bolsa do Pensionato Artístico do Estado e muda-se para Paris, onde vive durante cinco anos estudando e produzindo. Distancia-se de posições polêmicas da vanguarda e se aproxima do fauvismo e da simplicidade da pintura primitiva. Nesse período, realizou exposições em Berlim, Paris e Nova York.

Retorna a São Paulo no ano de 1928, onde realizou mais uma exposição individual. Posteriormente, dedica-se ao ensino escolar e começa a lecionar desenho, na Universidade Mackenzie, até 1933

Logo depois, abre seu ateliê em casa e passa a dá aulas, um de seus alunos foi Oswald de Andrade Filho. Em 1963, realiza uma exposição individual na Casa do Artista Plástico e ganha uma retrospectiva de seu trabalho na 7ª Bienal Internacional de São Paulo.Anita Malfatti, faleceu no dia 06 de novembro de 1964, na cidade de São Paulo, aos 74 anos.

Principais obras de Anita Malfatti


Autora de obras que se tornaram clássicos da pintura moderna, Anita Malfatti possui algumas fases artísticas. Suas obras são marcadas pela “festa da cor”, pinturas coloridas e cheias de personalidade.

A obra “Burrinho correndo” (1909) é uma das primeiras pinturas de Anita Malfatti e revela seu gosto pelas cores vibrantes.
“O Farol” também faz parte dessa primeira fase de Anita Malfatti. Pintado nas férias de verão quando o professor Homer Boss levou a turma de alunos para pintar na costa do Maine, na ilha de Monhegan, faz parte das principais obras da artista.

Anita Malfatti foi uma das primeiras pintoras a afastar a influência artista do exterior e aproximar seu trabalho da realidade, retratando as praticidades do próprio país.

Dos anos 40 em diante, passou a pintar, cada vez mais, cenas da vida popular, mais tarde, articulando também a arte não culta. As características desenvolvidas por Anita Malfatti nas obras, que mais tarde ficaram conhecidas como arte moderna, causaram impacto devido aos padrões da época.

Outras obras de Anita Malfatti


  • A boba (1916)
  • A estudante russa (1915)
  • A Mulher de Cabelo Verde (1916)
  • O homem amarelo (1917)
  • Mario de Andrade I (1922)
  • A Chinesa (1922)
  • Mulher do Pará no Balcão (1927)

Curiosidade sobre Anita Malfatti


Aos 13 anos, Anita Malfatti tentou se suicidar em um trilho de trem. Segundo a artista, esse foi o momento fundamental para impulsionar sua carreira como artista.

“Eu tinha 13 anos, e sofria porque não sabia que rumo tomar na vida. Nada ainda me revelara o fundo da minha sensibilidade (...) Resolvi, então, me submeter a uma estranha experiência: sofrer a sensação absorvente da morte. Achava que uma forte emoção, que me aproximasse violentamente do perigo, me daria a decifração definitiva da minha personalidade. E veja o que fiz. 

Nossa casa ficava próxima da estação da Barra Funda. Um dia saí de casa, amarrei fortemente as minhas tranças de menina, deitei-me debaixo dos dormentes e esperei o trem passar por cima de mim. 

Foi uma coisa horrível, indescritível. O barulho ensurdecedor, a deslocação de ar, a temperatura asfixiante deram-me uma impressão de delírio e de loucura. E eu via cores, cores e cores riscando o espaço, cores que eu desejaria fixar para sempre na retina assombrada. Foi a revelação: voltei decidida a me dedicar à pintura.” Livro Anita Malfatti por Luzia Portinari Greggio – Página 18

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