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Augusto dos Anjos

Postado por Adriele Oliveira em 05/09/2025 e atualizado pela última vez em 05/09/2025
Formado em Direito no Recife, Augusto dos Anjos nunca exerceu a profissão. Ele gostava mesmo é de escrever. Seu pai, um homem culto, tinha uma vasta biblioteca onde Augusto dos Anjos passou muito tempo de sua vida. Augusto dos Anjos começou a escrever desde cedo, quando ainda adolescente. Ele publicava poesias para o jornal O Comércio, e ficou conhecido pelo sentimentalismo abstrato e melancolia de suas poesias. 

As obras de Augusto dos Anjos eram mórbidas, quase sempre citando a morte como protagonista. Em seu único livro publicado, Eu e outras poesias, três anos antes de vir a falecer, parecia que ele previa seu futuro. A relação do autor com a morte começou desde muito novo, quando seu filho primogênito morreu prematuramente. Augusto dos Anjos teve mais dois filhos além deste com Ester Fialho, sua esposa. 

Ainda no âmbito da literatura, Augusto dos Anjos integra a lista de autores que revolucionaram as escolas literárias. Ele integrou o Parnasianismo Brasileiro e o Simbolismo Brasileiro, escolas essencialmente poéticas que buscavam resgatar a cultura clássica. Apesar de ser um artista parnasiano, Augusto dos Anjos é interpretado também como um autor moderno, devido ao seu único livro publicado chamado Eu e outras poesias, com linguagem e ideias ousadas, mais à frente de sua época.

Poeta brasileiro que flutuava entre o parnasianismo e o modernismo

Principais poesias de Augusto dos Anjos


Poesias mais famosas do autor - Saudade (poema) - 1900 - Psicologia de um vencido (soneto) - Versos íntimos Ao luar - Eu - monólogo de uma sombra - Agonia de um folósofo - O morcego - A ideia - O lázaro da pátria - Versos a um cão Alguns trechos de suas poesias:
“A Esperança não murcha, ela não cansa, Também como ela não sucumbe a Crença, Vão-se sonhos nas asas da Descrença, Voltam sonhos nas asas da Esperança.” “Ah! Dentro de toda a alma existe a prova De que a dor como um dartro se renova, Quando o prazer barbaramente a ataca...” “Cansado de chorar pelas estradas, Exausto de pisar mágoas pisadas, Hoje eu carrego a cruz das minhas dores.” “Falas de amor, e eu ouço tudo e calo! O amor da Humanidade é uma mentira. É. E é por isso que na minha lira De amores fúteis poucas vezes falo.” Eu e Outras Poesias (único livro de poemas publicado) - 1912 Não diferente do restante de suas publicações, o livro Eu e Outras Poesias de Augusto dos Anjos mantém o mesmo padrão triste, desacreditado e fúnebre. Em muitos trechos o livro é metafórico e profundo, retrata a escassez da esperança e de um futuro bom.

Influências que o autor Augusto dos Anjos teve:


As tendências de suas escrituras estão ligadas a dois grandes nomes, nos quais Augusto dos Anjos se inspirou e influenciou.
O primeiro, Hebert Spencer, um filósofo e educador inglês que participou da corrente do positivismo na Inglaterra. É considerado o fundador da teoria do darwinismo social. De suas obras, Augusto dos Anjos absorveu o processo evolutivo da humanidade.

O segundo, Ernst Haeckel, cooperou para a naturalidade ao tratar o fúnebre e o obscuro presentes na natureza de Augusto dos Anjos. Para Haeckel, o conceito de vida e morte não passam de um fator natural, o que os banaliza. Ambos refletiam sobre a autodestruição do ser humano.

Trechos dos livros de Augusto dos Anjos

Debaixo do Tamarindo "No tempo de meu Pai, sob estes galhos, Como uma vela fúnebre de cera, Chorei bilhões de vezes com a canseira De inexorabilíssimos trabalhos! Hoje, esta árvore, de amplos agasalhos, Guarda, como uma caixa derradeira, O passado da Flora Brasileira E a paleontologia dos Carvalhos! Quando pararem todos os relógios De minha vida e a voz dos necrológios Gritar nos noticiários que eu morri, Voltando à pátria da homogeneidade, Abraçada com a própria Eternidade A minha sombra há de ficar aqui!" Um Carneiro morto
"Misericordiosíssimo carneiro Esquartejado, a maldição de Pio Décimo caia em teu algoz sombrio E em todo aquele que for seu herdeiro! Maldito seja o mercador vadio Que te vender as carnes por dinheiro, pois, tua lã aquece o mundo inteiro E guarda as carnes dos que estão com frio! Quando a faca rangeu no teu pescoço, Ao monstro que espremeu teu sangue grosso Teus olhos -- fontes de perdão -- perdoaram! Oh! Tu que no Perdão eu simbolizo, Se fosses Deus, no Dia de Juízo, Talvez perdoasses os que te mataram!" Vozes da morte "Agora sim! Vamos morrer, reunidos, Tamarindo de minha desventura, Tu, com o envelhecimento da nervura, Eu, com o envelhecimento dos tecidos! Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos! E a podridão, meu velho! E essa futura Ultrafatalidade de ossatura, A que nos acharemos reduzidos! Não morrerão, porém, tuas sementes! E assim, para o Futuro, em diferentes Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos, Na multiplicidade dos teus ramos, Pelo muito que em vida nos amamos, Depois da morte, inda teremos filhos!"

Curiosidades de Augusto dos Anjos

Augusto dos Anjos desde cedo mostrou interesse pelas letras. Educado por seu pai, em casa, ele se tornou patrono da cadeira nº 1 da Academia Paraibana de Letras. Com mais um título em sua carreira, Augusto dos Anjos também é o patrono da Academia Leopoldinense de Letras e Artes.

Uma coisa que poucos sabem, é que Augusto dos Anjos era simpatizante ao espiritismo. Em sua cidade natal, Engenho do Pau D’Arco, ele participou de reuniões mediúnicas e sim, era médium, ele psicografava. Apesar de morrer jovem, deixou grande legado. Sua casa em Leopoldina, já perto de seu falecimento, tornou-se Museu Espaço dos Anjos.

Como Augusto dos Anjos morreu? Ele tinha apenas 30 anos de idade quando faleceu. O poeta tinha acabado de se mudar de Leopoldina para Minas Gerais, para trabalhar como diretor em uma escola, quando pegou uma pneumonia irreversível.

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